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quarta-feira, 18 de março de 2015

Adoção de cão adulto: primeiro contato



Nosso primeiro contato
Aqui vou falar um pouco sobre como foi a adoção do Pistache. Primeiro, a Dani, que estava com ele, perguntou se estávamos interessados em adotar um cão adulto. Esta era a minha intenção mesmo, pois a Suzie, com 10 anos, não ficaria tão feliz com a chegada de um filhote, cheio de energia. Queríamos lhe dar uma companhia, sim, mas com um nível de energia compatível ao dela: que gosta de brincar, mas também de descansar, além de respeitar o espaço. 

Conversamos todos em casa, porque a adoção de um cão, ou mesmo a compra de um, deve ser algo em que TODOS da casa queiram. Se uma pessoa não aceitar, melhor deixar para outra ocasião: o cão deve chegar em um lar onde todos o queiram, em um lar em harmonia devido à sua chegada. 

Elogiando a Suzie
Com todos da família aceitando e desejando muito a adoção, combinamos de ir pegá-lo. Mas quem daria a palavra final seria a Suzie: ela precisaria gostar dele, ter afinidade com ele. E ele com ela. Fomos todos lá, eu munida de petiscos para o caso de precisar haver uma adaptação. 

Chegando lá, primeiro apresentamos a Suzie para alguns membros caninos da família e para os membros humanos, até ela se ambientar e ficar relaxada: essencial, já que ela precisaria estar relativamente tranquila para conhecer o futuro irmão. 

Família quase completa: Letícia estava brincando
e Suzie explorando
Tudo certinho, chegou a hora da apresentação. Pistache foi solto. Os dois se cheiraram e ficaram numa boa. Depois os levamos para uma sala, para ficarem mais contidos: tudo em paz. Ficamos muito felizes: Suzie o aceitou numa boa! Pistache já poderia ser considerado nosso filho. 

Quando há a possibilidade do seu cão conhecer aquele que você pretende adotar, é excelente! Eles precisam se dar bem, se aceitar mutuamente. Se não houver esta possibilidade, faça a apresentação em um território neutro, aos poucos. Se preciso, peça ajuda de um profissional. 

Em breve falarei sobre a adaptação do cão adotado ao novo lar. 

domingo, 15 de março de 2015

Confiança

Pistache
Alguns já sabem que há cerca de quatro meses adotamos um cão adulto, Whippet, assim como nossa primogênita Suzie. Ele, Pistache, chegou com alguns medos e, antes de trabalhar qualquer comportamento com ele, o principal que trabalhei foi a confiança.

Isso mesmo: a confiança. Ela é deixada para trás por alguns de nós, mas pode ser o mais recompensador para o cão. Acaba sendo o principal quando educamos um cão medroso. Sem confiança, o mundo se torna assustador demais.

Para o Pistache, o simples fato de "sentar" o deixava extremamente ansioso, ele tremia quando queria lhe ensinar algo. A ansiedade interferia com sua habilidade de aprender. Por quê? Porque ele gastava mais energia tentando entender se o mundo é seguro ou perigoso e seu corpo era bombardeado pelos sinais do estresse, aí ele não se focava no que eu queria ensinar.

Passei a trabalhar a dessensibilização e contra-condicionamento, aliado a um floral passado para ajudar no processo de adaptação ao novo lar. Comecei a trabalhar a sua confiança no mundo, mudando como ele o via: antes algo assustador; agora, algo gostoso, devido ao treino. Agora, ao encontrar algo que antes o assustava demais, ele já se recupera com mais facilidade e, de certas coisas,  já nem assusta mais e abana o rabo.

Como ganhei sua confiança? Primeiro de tudo, com o treino de target: o ato de tocar minha mão com o focinho. Com isso fui mostrando que ele podia confiar em mim, primeiramente. Depois, passei o target para outras situações, não necessariamente tocar com o focinho, mas olhar também (por exemplo, olhar o carro e ser recompensado). Depois disso, passei para o senta e outros comportamentos mais fáceis de ensinar, como dar a pata, caminha. E sempre, sempre, me movimentando devagar, com paciência, indo no tempo dele. Qualquer deslize meu, o treino iria por água abaixo. Quem visse os treinos iniciais, os acharia enfadonhos: cadê o senta? deita? fica? Ainda não.

O meu objetivo inicial era ganhar a sua confiança. E este se tornou o "comportamento" final do meu treino.

Assim começa meu trabalho com cães medrosos: com passos de formiguinha, parecendo que não estou fazendo nada no começo, mas ganhando a confiança daquele cão para, aí sim, podermos evoluir para algo mais "bacana".

O fato de eu já ter a Suzie, mais equilibrada quanto a medos, ajudou muito, principalmente nos passeios, com cães latindo para ele, andando em avenidas... ainda assim, foi tudo feito com calma, paciência, no tempo dele. Ele me mostrava que estava pronto para dar mais um passo, e eu dava. Não forcei nada.

Agindo assim, ele entende que eu não o forçarei a fazer nada que o assuste, mas o ajudarei a superar estes medos.

Sigo trabalhando neste passo com ele, com calma. Afinal, o tema principal em todas as sessões com cães medrosos é: confiança.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Dicas para sociabilizar um filhote

A sociabilização é crucial e é preciso fazê-la com TODOS os filhotes o quanto antes (até a 16ª semana de vida dele). Até essa idade, os filhotes não estão com todas as vacinas em dia, mas precisam ser sociabilizados, senão não estarão aptos a viver em harmonia na sociedade humana: se tornarão cães medrosos, poderão reagir de forma agressiva à tudo o que os assuste (crianças, idosos, estranhos, homens, carteiros, outros cães etc). É complicado conviver com um cão que vive neste estado permanente de medo, além de não ser justo para ele. Um cão socializado é aceito em vários lugares e vive mais próximo do dono.

As experiências que o cãozinho tiver nesta fase, sejam boas ou más, modelarão o comportamento dele. Juntamente com a carga genética, as experiências obtidas na sociabilização dele formarão como ele reagirá perante estranho, lugares, sons, o que ele vê, cheiros, outros cães, outros animais... A janela da sociabilização - aquele período mágico em que os filhotes estão abertos a novas experiências - chega ao final na 16ª semana de vida. Apesar disso, o cão deve ser sociabilizado por toda a vida dele. Lembre-se: experiências negativas ou falta de sociabilização no período crítico afetarão de forma também negativa o comportamento do filhote.

Então, como sociabilizar um filhote que ainda não completou o calendário de vacinações?

Sem pisar no chão: Não exponha o filhote a áreas externas onde você sabe que outros cães passam: ruas, praças, parques, pet shops. Leve o filhote no colo: ele verá o mundo, receberá os petiscos (associação positiva) e não correrá risco de pegar doenças infecciosas.


Não vá só a pet shop: Há outros locais onde um cãozinho no colo será bem-vindo. Algumas farmácias, lojas, locadoras, postos de gasolina, shoppings... leve-o no colo e sociabilize-o com várias pessoas!

Estacionamento: Os estacionamentos são bons para você sociabilizar o filhote a andar de carro, sentir novos odores, conhecer mais pessoas, ambientes (escadas, tráfego, elevadores).

Outras espécies: A maioria das doenças de uma espécie não contagia outra. Então, é relativamente seguro sociabilizar seu cão com gatos, ferrets, aves, coelhos, porquinhos da índia, hamsters, tartarugas de conhecidos e sabiamente saudáveis. Sociabilize também com outros cães, filhotes, adolescentes e adultos, de pessoas conhecidas e cujos cães estejam saudáveis e sejam dóceis: queremos manter as experiências prazerosas, sempre, para os filhotes. Assim se tornarão adultos equilibrados.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Comida de verdade: mais saúde e longevidade

A comida mais comum oferecida aos cães no mundo todo é a ração, que não é considerada comida de verdade. A ração consiste, basicamente, um pellet feito com ingredientes extremamente cozidos e de baixa qualidade e com aditivos que promovem doenças. Infelizmente para nossos cães, a maioria das empresas de alimentos industrializados não pensam na saúde e bem-estar de nossos amados, mas consideram a indústria pet uma forma excelente de ganhar dinheiro sem precisar entender quais as reais necessidades nutricionais dos cães. Mesmo que os cães consigam sobreviver com um saco de ração baratinho encontrado no supermercado (um alimento que contém subprodutos, conservantes e outros ingredientes não saudáveis), eles não mostram todo seu potencial físico e de saúde. Uma dieta pobre resulta em um corpo mais fraco, condição física pobre, menor tempo de vida e falta de resistência às doenças.

Nossa, mas uma escolha ruim na dieta do meu cão tem mesmo este impacto? SIM! Mesmo que o cão tenha uma vida relativamente longa e pareça não ser afetado por uma dieta pobre, este não é o resultado mais visto por aí. Dar um alimento de baixa qualidade é o equivalente a você comer somente fast food: cedo ou tarde você desenvolverá doenças e terá uma qualidade de vida ruim, devido ao seu estado de saúde debilitado como resultado da dieta (no documentário “Super Size Me” isto é bem retratado). Se os cães vivessem de 50 a 100 anos veríamos ainda mais o declínio em sua saúde, assim como temos visto na nossa própria. Claro que no começo você parece super bem com uma dieta de hamburgueres, milk-shakes e batatas-fritas, mas uma hora você paga o preço. E os nossos cães pagam o preço pelas escolhas que nós fazemos com relação à comida deles.

O que é uma comida de verdade?
É uma dieta que consiste apenas de comida de verdade – crua, cozida ou uma combinação das duas – que não contém ingredientes ruins e nem conservantes. Uma comida de verdade é cheia de nutrientes, enzimas e alimentos apropriados que promovem a saúde e a longevidade. Dois exemplos dessa dieta são a dieta crua (Alimentação Natural) e a dieta cozida feita em casa. Ambas requerem que você tome as rédeas no preparo de um alimento nutritivo para seu cão e deixe de lado a conveniência das rações, mas este “trabalho” vai compensar quando você vir a vida de seu cão melhorar cada vez mais!

Mas por que devo mudar a dieta de meu cão?
Assim como quando evitamos alimentos industrializados e altamente processados nossa saúde melhora bastante (e ficamos menos doente e gastamos menos com remédios e médicos), o mesmo acontece com nossos cães. Quando os cães passam a comer carne de boa qualidade, ossos carnudos crus, vegetais, frutas e suplementos naturais, a saúde dele melhora de uma forma incrível: ele terá uma aparência melhor, terá mais energia no dia-a-dia, sofrerá menos com doenças e gastará menos no veterinário e com remédios.

Por que não devo dar ao meu cão uma ração que tenha grãos?
Cães são carnívoros. Mesmo que eles consigam digerir grãos e vegetais, biologicamente eles são feitos para comer o mesmo que seus ancestrais. Cientificamente, os cães são classificados como carnívoros e há uma razão para isso. Biólogos, zoólogos e taxonomistas têm várias pesquisas que nos mostram que eles são, de fato, carnívoros. (1)

Qual devo dar: dieta crua ou cozida?
A escolha é sua. Pense qual é mais confortável para você, qual é mais fácil. Esta é a que você deve escolher.

A dieta crua consiste em dar ao seu cão carnes, vísceras e ossos carnudos, todos crus. Esta é a opção mais apropriada do ponto de vista do cão. Carnívoros e onívoros se dão melhor com esta dieta e os cães se dão melhor, em termos físicos e de saúde, com ela.

Já a dieta cozida não é considerada tão boa quanto a crua, pois cozinha os alimentos além de incluir carboidratos em sua composição. Mesmo assim, é infinitamente superior às rações comerciais. O cozimento destrói nutrientes e mata enzimas: por isso a dieta cozida precisa de mais suplementos que a crua. Esta dieta também tem alimentos de verdade, é bastante úmida e sem nada nocivo. O ideal é que ela não contenha grãos, seja rica em proteínas e um conteúdo médio de carboidratos.

E quanto às rações super premium?
Claro que há excelentes rações no mercado e, se você decidir não oferecer uma dieta crua ou cozida, esta deve ser a melhor opção. Mesmo assim, o nível de nutrição e benefícios dos alimentos de verdade não estão presentes, nem mesmo nas rações super premium. Se você encontrar uma ração que não contenha grãos, nem conservantes e corantes, é a melhor opção dentre as rações. Isto não quer dizer que os cães não possam viver bem comendo ração, mas uma dieta contendo ingredientes frescos, preparados em casa, sempre será superior à qualquer ração! Se mesmo assim você optar pelas rações, é melhor que conheça bem os ingredientes perigosos mais comuns usados em seu preparo e não compre as que os contenham.

Decidi pelo melhor: uma dieta caseira. O que faço agora?
Estude, muito! Consulte veterinários favoráveis à Alimentação Natural, leia sites (há excelentes opções tanto em inglês quanto em português), livros, se informe bem sobre o assunto. E também examine seu cão: a dieta de um cão saudável e de um cão com algum problema de saúde é diferente.

Quer estudar sobre o assunto e dar uma alimentação melhor ao seu amigão? Abaixo alguns sites indicados:

* Cachorro Verde (dicas para gatos também)
* Bicho Integral
* Comida Boa Pra Cachorro

* Tendências Naturebas Pet (dicas para gatos também)
* Dogs Naturally Magazine
* Tre Raw Feedind Community
* K9 Instinct

Bons estudos!



O que vem por aí:
- Coma como um lobo e tenha uma saúde invejável: dieta crua para cães
- A incrível dieta crua
- Os benefícios da dieta cozida
- A verdade sobre os ingredientes das rações
- Perguntas frequentes sobre a dieta crua
- A importância da nutrição

domingo, 14 de dezembro de 2014

Estímulos mentais para o cão

Assim como nós, humanos, os cães também precisam de estímulos mentais em sua rotina diária. Estas brincadeiras não só deixam a mente do cão ativa (muito importante para evitar não só o tédio, como também disfunção cognitiva na velhice), e também o cansam fisicamente, como se ele tivesse passado meia hora brincando de bolinha.

Brincar com os cães é ótimo: além deles gastarem energia, é algo divertido para todo mundo. Mas falta algo: falta usar a cabeça. Muitas brincadeiras (como a bolinha e cabo de guerra) não requerem que o cão pense. Por outro lado, jogos interativos que requerem que o cão pense não só cansam o cão, também mandam embora o tédio, aumentam a confiança dele e fortalece o vínculo entre vocês dois, já que vocês acabam trabalhando juntos, como um time. Há muitas atividades interessantes para fazer com seu cão, que são adaptadas de brincadeiras de crianças. Trabalham tanto a mente quando o corpo. Abaixo, 10 ideias para você começar.

1. Caça ao Tesouro
Fazer o cão usar o olfato para encontrar um tesouro escondido é fantástico para estimular seu cérebro e acostumá-lo a usar seus sentidos. Antes de mais nada, no começo é bom que as coisas sejam fáceis para seu cão, senão ele desistirá e não irá mais brincar. Então, peça para seu cão sentar e esconda um petisco ou brinquedo em um lugar óbvio, que ele esteja vendo, como atrás do sofá. Diga OK e peça para procurar. Encontrar o petisco/brinquedo e receber um elogio seu será a recompensa do cão (lembre de esconder algo que seja uma recompensa para ele!).

Assim que ele começar a entender o espírito da coisa, vá tornando as coisas mais difíceis. Esconda o petisco/brinquedo em outro cômodo ou em um lugar onde os odores do ambiente mascarem os odores do petisco/brinquedo (como debaixo do pote de comida). Outra maneira de dificultar é usar caixas de papelão. Pegue umas dez caixas de papelão de diferentes tamanhos e, sem que seu cão veja, coloque a recompensa em apenas uma caixa. Deixe seu cão investigar todas elas e tenha com você uma super recompensa (jackpot) assim que ele encontrar o tesouro. Há tantas variações que vocês irão se divertir bastante por muito tempo.

2. Esconde – esconde
Torne ainda mais divertida a brincadeira anterior sendo você o tesouro perdido que seu cão precisa encontrar! Para essa brincadeira é preciso de pelo menos duas pessoas. Uma pessoa pede para o cão sentar e ficar e o distrai enquanto outra pessoa se esconde. A primeira libera o cão e pede pra ele procurar. Essa brincadeira é ótima tanto dentro quanto fora de casa, é útil para encontrar seus filhos brincando no parque e é um ótimo passatempo para dias chuvosos.

3. Empilhar anel
Assim como as crianças aprendem com os brinquedos a ter coordenação, os cães também. Andar pelos corredores das lojas faz com que imaginemos coisas que podemos ensinar aos nossos cães. Que tal começar empilhando anéis? É um jogo difícil e leva um tempo para eles aprenderem, então esteja preparado para passar horas junto com seu amigão ensinando-o e se divertindo com ele (pode demorar dias ou semanas para ele aprender). Dê preferência a anéis de madeira, não os de plástico, porque o cão irá mordê-los bastante. O tamanho deles depende do tamanho do seu cão e da força da mordida dele.

Ensiná-lo com o clicker é ideal para esta brincadeira, já que seu cão está sentindo, e não vendo, o que está fazendo. Comece clicando quando ele pegar o anel, depois quando a boca dele for se aproximando do bastão. Continue a moldar o comportamento clicando e recompensando ao tocar o bastão com o anel, evoluindo até ele ir ao topo do bastão. Depois de algumas sessões, ele entenderá o objetivo do jogo e irá adorar empilhar os anéis.

Você pode mudar um pouco a brincadeira instalando o bastão na parede, para o cão colocar os anéis na horizontal (torna a brincadeira mais difícil). Pode também colocar os anéis em cômodos diferentes, fazendo com o que cão tenha que ir a cada um deles, pegar os anéis e colocá-los no lugar antes de receber a super recompensa (jackpot).

4. Jogo do copo
Esta é uma brincadeira simples mas desafiadora. Pegue dois copos plásticos, opacos e vire-os de cabeça para baixo. Com seu cão olhando, coloque um petisco debaixo de um deles. Fale para seu cão vir, virar o copo e pegar o petisco. Faça isso oito a dez vezes, para que o cão entenda direitinho. Então, alterne o copo onde você coloca o petisco. Quando seu cão escolher o copo certo, deixe-o pegar o petisco. Se ele escolher o errado (e isso acontece, mesmo ele vendo onde você esconde), mostre a ele onde estava escondido o petisco mas não dê para ele. Deixe-o ver em qual copo você coloca o petisco, para que ele escolha corretamente. Parece fácil pra gente mas, para muitos cães, requer muito esforço mental.

Se seu cão dominar bem esta brincadeira, desafie-o mais. Coloque o petisco debaixo do copo da esquerda, daí troque os copos de lugar. Libere o cão para ele encontrar o petisco. Se ele escolher o copo certo, dê-lhe o petisco. Se ele errar, mostre onde está o petisco mas não o dê para ele. Repita mais vezes e veja se seu cão entende a brincadeira. Alguns cães parecem nunca entender como a mágica acontece (o petisco mudou de lado, como?) - é uma brincadeira difícil usando a visão e nem todos os cães fazem esta conexão. Mas, se seu cão faz, aumente o desafio trocando os lados aleatoriamente. Veja se ele consegue usar a visão; habilidades mentais e olfativas para encontrar o petisco depois da troca. Neste estágio poucos cães fazem esta conexão: não desanime se seu cão for um deles. No site Dognition você pode aprender mais sobre a personalidade e estilo de aprendizado de seu cão e, para quem é membro, há uma variação deste jogo, além de outros jogos estimulantes que manterão seu cão com o cérebro sempre afiado.

5. Um truque novo
Uma atividade que aumenta a criatividade de seu cão é aprender um truque novo. Muito popular no adestramento com clicker porque ensina o cão a pensar por ele mesmo, a ter suas próprias ideias sobre qual comportamento ganha uma recompensa. A premissa é simples: clicar e recompensar um comportamento novo oferecido pelo cão e ignorar um já antigo. Um exemplo: digo para o cão “novo truque” e ele senta. Clique e recompensa. Falo “novo truque” de novo. Meu cão deita. Clique e recompensa. “Novo truque” e meu cão faz um círculo. Clique e recompensa. Mas, se eu disser “novo truque” e ele fizer algo já feito antes, como sentar, digo “você já fez isso” e ele não é recompensado.

Quando você faz essa brincadeira pela primeira vez, principalmente se seu cão não está acostumado com o treino com clicker, faça tudo muito simples. Qualquer coisa pequena, mas nova, ganha uma recompensa. Você pode colocar uma caixa de papelão perto do cão. Clique e recompense quando o cão olhar para a caixa, quando ele tocá-la com uma pata, quanto tocá-la com o focinho, quando colocar uma pata dentro dela; quando andar em volta dela; por qualquer interação com a caixa. Mas não recompense a mesma ação duas vezes. Tocar a caixa com o focinho é recompensada apenas uma vez: se fizer de novo, não ganha nada. Quando seu cão pegar o jeito da brincadeira, espere por outros comportamentos como sentar, deitar, rastejar, girar, cumprimentar etc. Logo ele lhe oferecerá seu repertório completo de truques e inventará novos só para ganhar petiscos.

Obs.: é preciso ensinar alguns truques para seu cão antes, senão ele irá desistir facilmente da brincadeira. O jogo da caixa é muito conhecido para dar mais confiança ao cão que tem receio de pensar.

6. Quente e frio
Também é uma brincadeira ideal para usar o clicker, já que usa os princípios básicos de modelar um novo comportamento (shaping). É ideal para aqueles cães que não se frustram facilmente. Tudo o que você precisa fazer é sentar no sofá e dizer “quente” ou “frio” e jogar petiscos. Não podia ser mais fácil, hein?! Basicamente tudo o que você precisa é pensar em algo que você quer que seu cão faça. Pode ser qualquer coisa – pegar um brinquedo do chão, por exemplo, e trazê-lo até você. Então, sente-se no sofá com os petiscos e, sempre que seu cão fizer um movimento em direção ao brinquedo, siga “quente” com entusiasmo e dê-lhe um petisco. Se o cão se afasta do brinquedo, fale “frio” em tom neutro e baixo. Se ele voltar a se aproximar do objetivo, diga com entusiasmo “quente!” e jogue o petisco. Pense em qualquer comportamento: tocar a maçaneta da porta no outro lado da sala, pegar um brinquedo, trazer seu chinelo. A ideia de modelar (shaping) está muito bem descrita no livro “Don't Shoot the Dog”, de Karen Pryor. Leitura que recomendo!

7. Guardar os brinquedos
Guardar os brinquedos nunca foi tão divertido! Para que o cão entenda o jogo, comece ensinando o “larga”. Fazer com que o cão largue o brinquedo sob comando é o ingrediente principal para fazer com que ele solte o brinquedo em um local específico. Assim que você tiver um “larga” sólido, comece a modelar o comportamento de soltar os brinquedos numa caixa. Clique e recompense cada estágio do comportamento, tais como o cão virar a cabeça em direção da caixa com o brinquedo na boca, ou soltá-lo perto da caixa. Qualquer coisa que esteja perto do comportamento final, que é guardar os brinquedos. Uma hora seu cão irá entender que o comando “guarde” significa pegar o brinquedo, levá-lo até a caixa, soltá-lo ali dentro e deixá-lo lá.

Quando esta parte estiver dominada, vá aumentando o número de brinquedo que seu cão precisa pegar. Comece recompensando cada vez que ele colocar um brinquedo na caixa. Depois recompense só quando ele guardar dois brinquedos, três e assim por diante. No final, ele só será recompensado quando todos os brinquedos estiverem na caixa e você terá um cão que corre pela sala à procura de brinquedos para guardar o mais rápido possível, só para ganhar o tão sonhado jackpot (número maior de recompensa).

Tenha em mente que para chegar neste nível vai demorar e essa jornada faz parte do jogo. Portanto, tenha paciência. Se seu cão ficar frustrado, encoraje-o: isso o ajudará a entender a brincadeira além de fazer com que ele ganhe confiança.

8. O jogo do nome
Seu cão já aprendeu a guardar os brinquedos mas, ele sabe o nome deles? Um jogo legal é ensinar o cão o nome de brinquedos específicos e falar para ele pegar aquele em particular. Existem cães que são famosos por seu vocabulário, e até mesmo o cão mais “teimoso” pode aprender o nome de pelo menos dois brinquedos. Só precisa de muita (mesmo!) repetição. Um jeito de começar é segurando o brinquedo, dizer o nome dele, deixar o cão pegá-lo e recompensá-lo por isso. Digamos que você tem um brinquedo de borracha chamado Tug. Segure Tug em uma mão, diga “Tug”, deixe o cão pegá-lo e recompense-o. Repita 20 ou 30 vezes. Então, coloque Tug ao lado de um brinquedo de igual valor, como uma corda chamada Corda. Diga “Tug” e, se seu cão escolher o Tug, recompense-o. Se ele escolher a Corda, não diga nada, apenas coloque a Corda de novo perto do Tug. Diga “Tug” de novo e deixe que ele escolha. Quando ele estiver escolhendo o Tug consistentemente, coloque-o perto de outro brinquedo e repita os passos até que ele sempre escolha o Tug ao invés de outro brinquedo de igual valor.

Quando seu cão estiver craque nesta brincadeira, comece tudo de novo com um brinquedo diferente, como a Corda. Segure-a, diga “Corda”, deixe o cão pegá-la e recompense-o, repetindo isso por 20 ou 30 vezes. Coloque a Corda perto de outro brinquedo, que não seja o Tug), diga “Corda” e só recompense-o se ele escolhê-la. Se ele não escolhê-la, não diga nada e só coloque o outro brinquedo de volta, perto da Corda, e tente de novo. Repita até que seu cão tenha o mesmo sucesso que teve com o Tug.

Quando seu cão souber os nomes Tug e Corda, é hora do teste. Coloque Tug e Corda um ao lado do outro e diga “Tug”. Recompense-o só se ele escolher o Tug. Continue tentando até que seu cão tenha sucesso algumas vezes, depois troque e diga “Corda”. Quando o cão estiver pegando consistentemente o que você pede, vocês estão prontos para ir além, colocando alguns brinquedos sem nome na equação. Veja se seu cão pega Tug ou Corda na pequena pilha de brinquedos. Se você tiver sucesso com dois brinquedos, repita o processo com mais deles. Quem sabe quantos nomes seu cão irá aprender!

9. Pular corda
Olhos e corpo precisam estar coordenados. Seu cão precisa se concentrar no ritmo da corda, ficar num certo ponto no chão e, claro, pular. Será que isso pode ser feito? Claro que sim!

Comece ensinando o cão a atingir um alvo no chão. O alvo pode ser uma vareta que mostra ao cão não apenas onde pular mas também quando espaço há ali para ele trabalhar em ambos os lados e ficar nos limites da corda. Uma vez estabelecido o alvo, ensine o cão a pular nele sob comando. Depois que ele tiver dominado isso, adicione a corda, indicando ao cão cada vez que ele precisar pular, quando a corda abaixa. Requer muita prática, mas também gasta muita energia física e mental.

10. Luz vermelha, Luz verde
Este é um jogo ideal para cães que tendem a ficar tensos durante uma brincadeira e se tornar muito entusiasmados. O jogo melhora o controle de impulso do cão e o lembra de prestar atenção em você, não importa quanto ele esteja se divertindo. Fará com que as idas ao parque, ou outros lugares onde você possa soltar seu cão, mais seguras e divertidas, mas é um jogo que pode ser jogado em qualquer lugar, a qualquer hora. Neste vídeo você tem um grande exemplo do jogo e pode tentar fazê-lo com seu cão. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Cães enclausurados

Viver apenas dentro de casa é entediante
Recentemente li depoimentos de donos de cães de determinada raça que diziam que seus cães viviam 24h por dia dentro de casa, nunca haviam dado um passeio. Se precisavam sair, era no colo, de carro, e apenas uma vez por semana para tomar banho no pet shop.

A desculpa para a falta de passeios, exercícios e brincadeiras com outros cães? São várias:
- vai embolar os pêlos
- não precisa de exercício é uma raça de porte pequeno
- só de caminhar dentro de casa já se exercita o suficiente
- não tem muita energia, descansa a maior parte do tempo

Vemos que os donos apenas se preocuparam com a estética e exercícios físicos do cão. Mas, e os estímulos mentais? O lado social de brincar com outros cães, conhecer pessoas? A oportunidade de poder andar na grama, sentir os inúmeros cheios que um passeio proporciona? 

O mais incrível é saber que alguns criadores concordam com a falta de passeios dos cães, dizendo que eles se exercitam sozinhos em ambientes grandes (no caso de cães de porte médio e grande) e até mesmo dentro de casa (no caso de cães de porte pequeno). 

Acontece que os cães não se exercitam sozinhos: precisam de estímulo para isso. Senão, passarão o tempo todo deitados e dormindo, só acumulando energia que será gasta de uma forma que não iremos gostar: latidos excessivos, destruição de objetos, comportamentos compulsivos. E caminhar é benéfico para os cães. Não melhora apenas o aspecto físico (tônus muscular, sistemas circulatório e respiratório) como melhora o aspecto emocional (proporciona sociabilização com outros cães, pessoas; estímulos através dos cheiros, do tato ao contato com superfícies diferentes; aumento do vínculo cão-tutor). 

Que tal melhorar a vida do seu cão? Afinal, nós saímos para passear, trabalhar, encontrar com os amigos. Para os cães, nós somos seu mundo. 

domingo, 28 de setembro de 2014

Dono responsável: como ser um

Fala-se muito em ser um dono responsável mas, como podemos fazer isso? Você sabe como ser responsável pelo seu cão? Claro que há varias outras coisas que lhe tornam um dono responsável, tais como passeios apenas na coleira e guia, proporcionar abrigo adequado, sociabilização, não mimar, entre tantos outros, mas aqui listo 5 passos para ser o melhor amigo do seu cão.

1. Mantenha-o longe do perigo
Acidentes acontecem, até com os mais cuidadosos. Mas um dono responsável não deixa seu cão sem supervisão dentro de um carro sob nenhuma circunstância (nem por cinco minutos!), não o deixa sozinho (dentro ou fora de casa) sem estímulo físico ou mental e o protege de situações potencialmente perigosas.

2. Usa métodos amigáveis ao educá-lo
Um dono responsável não usa métodos que causem dor, medo ou que intimidem o cão, mesmo que o adestrador diga que "é mais rápido". Uma relação baseada em respeito e confiança mútuos é conquistada usando-se uma educação positiva com o cão, ao passo que usar métodos desumanos, como coleira de choque, causa uma relação baseada em medo.

3. Consegue tempo para o cão
Um cão cansado é um cão feliz. Por outro lado, um cão entediado e pouco estimulado pode se tornar destrutivo, ansioso e, algumas vezes, agressivo. Um dono responsável arruma tempo todos os dias para proporcionar estímulos de qualquer espécie para seu cão, seja através de brinquedos e jogos interativos, de passeios ou brincadeiras com amigos caninos.

4. Mantém o cão com a saúde em dia
Uma grande parte da responsabilidade é manter o cão saudável. Você pode fazer exames de titulação de anticorpos como alternativa para o excesso de vacinação anual (meu caso), mas tenha em mente que o programa de vacinação de filhotes e o primeiro reforço anual de vacinas é imprescindível! Assim como é imprescindível vacinar se o exame de titulação der alterações. Oferecer o melhor alimento (no meu caso, Alimentação Natural) e mantê-lo livre de parasitas internos e externos também é sinal de responsabilidade perante o cão.

5. Não contribuir para a superpopulação
A castração é a maneira mais fácil de garantir de não contribuir para o problema da superpopulação. Ainda há controvérsias sobre a melhor idade para se realizar a castração, mas realizá-la, não importando quanto, é uma das decisões mais responsáveis que você fazer. Principalmente se você mora aqui no Brasil, onde o problema de animais abandonados é imenso, bem como de maus-tratos e eutanásia dos mesmos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Desamparo aprendido

Broncas em excesso
Recentemente vi um vídeo em uma rede social que mostrava um cão, já idoso, rosnando e latindo para um dos donos, enquanto estava no colo de outra pessoa. Estava visivelmente com medo. O dono, ao pegá-lo no colo, ao invés de ser mordido pelo cão (como seria de se esperar), se vê com um cão que “se entrega”, fica deitado e não tem mais reação alguma. A reação das pessoas? Riem muito. Isso me entristece por dois motivos:
1. Pessoas rindo de um animal que está visivelmente com medo e, ao invés de livrá-lo dessa situação, continuam fazendo ainda mais vezes e rindo, rindo sem parar;
2. Mostra que o cãozinho, quase certo, é educado com punições. Como isso? Essa atitude dele, de “se entregar”, de não esboçar reação alguma, ficando imóvel, de olhos muito abertos, é conhecida como desamparo aprendido. E é sobre isso que vou falar.

O que é desamparo aprendido?
É a condição na qual um animal, humanos incluídos, aprende a se comportar de forma impotente, e não muda sua resposta, mesmo quando há oportunidades de sair da situação.

Por que isso acontece?
Expressão típica
Porque o cão sempre foi repreendido, sempre usaram punição com ele, sem que ele tenha uma noção clara de o que o leva a ser repreendido. O cão, não vendo saída para a punição, se entrega. Em situações assim, cedo ou tarde, o cão para de tentar fazer qualquer coisa, por não saber qual comportamento está sendo punido, e não vê saída para mudar a situação. É como se ele sempre levasse um choque, sem saber o motivo e nada que ele fizer faz isso parar. Então ele fica lá, sem reação, porque, na cabeça dele, nada adianta. 

Qual a alternativa humana? Trabalhar com reforço positivo; dessenssibilização e contra-condicionamento; modificar o ambiente; ensinar um comportamento alternativo. Estes métodos realmente ajudam o cão a se adequar à vida na sociedade humana. 

Um cão que se encolhe perante o dono ou adestrador não está mostrando respeito: está mostrando medo. E, se ele não tiver nenhuma reação, como o pobre cão do vídeo, é um caso de desamparo aprendido. Acredite: não é saudável e nem feliz para um cão se sentir assim. 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Parceria com o canil BSC Whippet!

O canil BSC Whippet , de Daniele Scandolara, e eu (Canto dos Bichos) somos parceiros! Agora, quem compra um filhote de Whippet deles, têm uma consulta comportamental gratuita comigo, além de levar para casa textos sobre educação, comportamento e dicas sobre Whippet, exclusivos.


A primeira consulta comportamental é totalmente gratuita pro(a) novo(a) pai(mãe) do filhote e engloba desde dicas sobre a adaptação do filhote ao novo lar (e também a outros pets da casa) até prevenção (ou tratamento) de ansiedade de separação. Os textos são dicas gerais sobre xixi no lugar certo, quais os melhores brinquedos, o cantinho do filhote, enriquecimento ambiental entre outros temas. 

Abaixo, fotos do canil, que fica em Arealva. Canil idôneo, que se preocupa com saúde, temperamento e futuros lares de seus cães!

Área do canil

Área do canil
Filhotes brincando felizes


Um cão adulto, belíssimo

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 11 e livros para saber mais

Chegamos à parte final da série. Espero que ela tenha ajudado a tornarmos a vida de nossos amigos mais legal.

Provocar
Deveria ser óbvio, então não escreverei muito. Mas é importante citá-la porque muitas pessoas ainda acham que é divertido fazer isso. Não lata para um cão quando passa por ele na rua. Não acene ou fale com um cão que esteja latindo para você atrás de uma janela ou portão. Não puxe o rabo dele. A lista é bem longa mas, resumindo, não faça algo que você sabe que vai deixar o cão nervoso só porque você acha engraçado. Não é legal para o cão e pode acarretar sérios problemas de comportamento - e talvez, merecidamente, uma bela mordida!

Quer saber mais?
Há uma lista de livros que recomendo para todos os donos de cães. São eles:

1. A cabeça do cachorro (Inside of a Dog), de Alexandra Horowitz: com ele você aprenderá a ver o mundo através dos olhos dos cães, aprender sobre linguagem corporal, a importância do olfato e outras coisas úteis para que lhe ajudarão a saber mais sobre o que seu cão quer.

2. Cães são de Marte, donos são de Vênus (The Other End of the Leash), de Patricia McConnell: em detalhes ela conta sobre as diferenças entre primatas e canídeos e porque os cães não gostam de ser abraçados, além de nos mostrar outras formas de entender a perspectiva do cão sobre o mundo.

3. Reaching the Animal Mind, de Karen Pryor: para saber mais sobre como o adestramento com clicker e os jogos caninos ajudam você e seu cão a se curtirem ainda mais.

4. Bones would Rain from the Sky, de Suzanne Clothier: é um livro agradável e um guia para entendermos melhor e treinar melhor nossos cães. Também mostra como os cães vêem o mundo, como interpretam nossas ações através de seus cérebros e como podemos nos aproximar e interagir melhor como nossos cães para termos uma relação confiável e feliz.

5. Seu cão é um gênio (The Genius of Dogs), de Brian Hare e Vanessa Woods: neste livro, Brian Hare nos mostra a ciência por trás do comportamento social dos cães e sua habilidade de entender tanto a nossa linguagem corporal como nossas palavras para descobrir o mundo humano ao seu redor.

6. Cãosenso (Dog Sense), de John Bradshaw: este livro explica a concepção errada que temos dos cães como espécia e nos mostra o mundo pela perspectiva do cão para que tenhamos interações mais produtivas, confiáveis e positivas com nossos melhores amigos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 10

Ser chato
Você sabe como é ficar com alguém chato? Tente se lembrar: quando criança, sair com seus pais para fazer compras, sendo que nenhuma delas envolvia uma parada na loja de brinquedos ou num parque. Você não participava das conversas dos adultos, que eram muito chatas, mas precisava ficar ali, ao lado dos seus pais, sem reclamar, enquanto eles paravam para conversar com um amigo. E tudo o que você queria era brincar, correr, acabar com a monotonia. É exatamente assim que seu cão se sente quando você está ocupado demais sendo esse adulto chato. Os cães abominam quando somos chatos. Mas é difícil não ser um! Chegamos do trabalho e tudo que queremos é fazer algumas tarefas, sentar no sofá e relaxar. Esta é a coisa mais entediante que fazemos com nossos cães, que nos esperaram o dia inteirinho para brincar com a gente. 

Se seu cão está aprontando - roendo sapatos e móveis - está lhe mostrando o quão entediado está. A sorte é que há uma solução fácil para isso: truques! Ensinar ao seu cão um truque novo, treinar um que ele já saiba, brincar de "procura" com o brinquedo favorito, sair para dar um passeio longo, são todos estimulantes tanto para a mente quanto para o corpo do cão. um hora de treinamento vale como duas horas de brincar de bolinha quando se trata de cansar um cão. Caminhadas e exercícios são muito importantes para a saúde física do cão, mas exercitar o cérebro deixará seu cão feliz (e cansado). Mesmo 15 a 30 minutos de truques por dia fazem uma grande diferença. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 9

Ficarmos tensos
Tensionar a guia não é a única maneira do cão perceber nossos sentimentos. Você consegue saber quando uma pessoa perto de você está tensa, mesmo sem perceber. Os cães têm a mesma habilidade. Quanto mais estressado e nervoso você estiver, mais estressado e nervoso seu cão ficará. E eles, assim como nós, não gostam de se sentir assim. Você pode revirar os olhos, mas da próxima vez que seu cão estiver frustrado e tenso, pare e preste atenção em você - por quanto tempo você tem se sentido assim? Minutos? Horas? Dias? O cão age como nosso espelho. Se você precisa de uma razão para meditar, ajudar seu cão a relaxar é um ótimo motivo, não acha?

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 8

Manter a guia tensa, literalmente
Assim como os cães são experts em ler nossa linguagem corporal, também são experts em ler nosso nível de tensão através da guia. Manter a guia tensa aumenta o nível de estresse, frustração e excitação do cão e, ao mesmo tempo, seu. "Ah, mas eu não quero ficar segurando firme a guia, mas preciso! Meu cão fica me puxando!". Por isso é tão importante ensinar o cão a andar com a guia frouxa. 

Guia tensa = cão tenso, pronto para reagir a qualquer
pequeno estímulo

Guia frouxa = cão mais calmo e passeio mais agradável














Uma grande quantidade de energia é transferida entre você e seu cão através da guia. Quando ela está frouxa, você mostra ao cão que está tudo bem, que não há nada com o que se preocupar: você "diz" que está calmo e que tudo está sob controle e seu cão fica calmo também. Mas, quando a guia está tensa, a mensagem que você passa é que está tenso, nervoso, alerta, pronto para brigar ou fugir e seu cão responde da mesma maneira. Assim como você não gosta que seu cão puxe demais, também não é bom para ele ser constantemente puxado (sendo essa uma "dica" para ficar alerta). Um cão que anda com a guia tensa tem mais propensão a latir e ser reativo até mesmo na mais normal das situações. Já um cão que anda com a guia frouxa tem mais tendência a se manter calmo. Pode ser um treino difícil, mas é muito importante ter passeios relaxantes ao lado de um cão calmo. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 7

Passear e não dar oportunidade para o cão explorar e cheirar
Existem caminhadas e caminhadas. Claro que é muito importante que o cão saiba como andar na guia sem puxar. Mas também é importante permitir que o cão tenha um tempo para explorar a vizinhança enquanto passeia com você. Os cães vêem com seu focinho, que tem um papel tão importante para eles para entender o mundo quanto a visão tem para nós: os cães gostam de cheirar um tronco de árvore do mesmo modo que apreciamos um pôr do sol. Os cães detestam não poderem cheirar ao menos por alguns minutos por dia e, muito frequentemente (infelizmente), focamos mais na caminhada como uma maneira de se fazer exercícios ou apenas para usar o banheiro. Fazemos sempre o mesmo caminho monótono, sem qualquer variedade ou senso de prazer e voltamos para casa rápido demais. 

Faça um favor ao seu cão e dedique uma de suas caminhadas para cheirar - ir devagar e deixar o cão ver o mundo através de seu nariz. Vá para um lugar novo (desde que seu cão esteja confortável com isso!), vá por outras ruas do bairro, deixe seu cão cheirar até cansar, mesmo que ele cheire o mesmo lugar por vários minutos antes de prosseguir. Você pode ajudar seu cão a entender a diferença da caminhada do exercício da caminhada de cheirar: na primeira, ele anda sem puxar a guia e cheira só um pouco: usa uma coleira e guia normais; na caminhada de cheirar, ele usa uma peitoral. É bom usar um equipamento diferente do que a coleira e guia usuais, para que o cão entenda as diferenças e o propósito das caminhadas. Estes passeios olfativos são uma oportunidade maravilhosa para o cão ter estímulos sensoriais e mentais, que tornam sua vida mais rica e interessante. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 6

Forçar o cão a interagir com outros cães e pessoas que ele não gosta
Assim como outros animais sociais, os cães têm seus amigos favoritos e seus inimigos. É fácil de ver quais outros cães - e pessoas - o cão quer brincar e aqueles que ele prefere nem chegar perto. Ainda assim, muitos donos de cães negam tudo isso ou simplesmente não conseguem ler os sinais que seus cães lhe dão. Isto é muito comum com aqueles donos muito entusiasmados que empurram o cão (algumas vezes, literalmente) para eventos sociais em parques quando são cães prefeririam muito mais o conforto de casa. Ou permitem que estranhos acariciem seu cão quando ele mostra sinais claros de que quer ficar sozinho. 

É importante notar que há uma diferença entre encorajar de modo positivo um cão tímido, medroso ou reativo. Dar pequenos passos para encorajá-los a sair de sua zona de conforto e lhes recompensando por demonstrar um comportamento mais calmo, alegre e social é importante para ajudá-los a ter uma vida mais equilibrada. Mas saber a diferença entre encorajar o cão de modo positivo e gentil e forçá-lo a interagir é vital para a segurança e sanidade de seu cão. Quando os cães são forçados a interagir, são mais propensos a atacar. Eles mostram inúmeros sinais - os chamados sinais apaziguadores, que são: ignorar, evitar e até mesmo rosnar - até que ficam irritados (afinal, ninguém entendeu suas dicas de que quer ficar sozinho) e dão uma clara mensagem: mordem. O que ainda é pior, a confiança que ele tinha em você como seu protetor foi corroída e eles terão uma associação ainda mais negativa com o parque, determinado cão ou pessoa, ou uma situação social (encontro de cães, por exemplo). Faça um favor ao seu cão: leia sua linguagem corporal quando ele não quer interagir com outros indivíduos e não o force. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 5

Dar uma vida desestruturada e sem regras
Os cães precisam, querem e adoram regras e rotina. Talvez você pense que tê-las torne a vida do cão entediante ou infeliz. Mas o que os cães precisam disso. Não é tão diferente assim de nós, humanos. As crianças se dão melhor quando há regras a serem seguidas e rotinas do dia a dia do que em lares onde são livres para fazer tudo (mas lembre-se, não é para ser ditador: são regras comuns, inclusive para nós, como horário, bons modos etc). Pense na diferença entre crianças mais educadas daquelas mais mimadas. Quais delas vivem em lares com regras, limites e rotina? E quais são mais felizes? Com os cães é a mesma coisa. As regras, a rotina, tornam a vida mais previsível, menos confusa e bem menos estressante. 

Falando em cães confusos, eles não entendem exceções às regras. Não entendem que podem pular em você quando está de moleton, mas não podem pular quando está com uma roupa chique. Não entendem que podem subir no sofá depois de um banho, mas não podem subir depois de brincar na lama. Mais: dizer "Não" por ter quebrado uma regra mas não fazer nada a respeito para parar o comportamento e ajudar o cão a aprender o correto não conta como fazer alguma coisa a respeito. Os cães precisam saber de seus limites e, quando você passa um bom tempo reforçando quais eles são, e ensinando comportamentos corretos (lembre-se, sempre com reforço positivo, nunca com punição!), você também estreita seus laços com ele e reforça sua confiança. Desta forma, você está dando condições para que seu cão seja muito feliz!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 4

Se aproximar de um cão estranho olhando-o nos olhos

O contato visual é muito poderoso. Para nós, manter o contato visual é visto como um sinal de confiança, de foco; mas ele também pode nos deixar desconfortáveis. Quando um estranho nos olha fixamente, achamos muito esquisito, principalmente se ele estiver se aproximando de nós. Qual sua intenção? Precisamos prestar atenção no seu rosto para termos dicas. Para muitas espécies o contato visual estabelece dominância e, nos humanos, usamos os menores detalhes do rosto - a musculatura em volta dos olhos e boca - para saber se aquele olhar é amigável ou não. Mesmo assim, ainda é muito esquisito que alguém estranho nos olhe fixamente! O mesmo acontece com os cães. Quando você olha nos olhos de um cão que não conhece, sem piscar, não importa se você estiver sorrindo e sendo amigável: o cão encara esse olhar como um sinal de dominância ou mesmo de agressão. Ele pode ter uma resposta submissa - desviar o olhar, cheirar o chão, rolar (são também chamados de sinais apaziguadores, que podem indicar tanto estresse e desconforto como a tal da submissão, como quem diz "olha, eu sou da paz, não vou fazer nada para você") - ou ele pode recuar e latir. De qualquer maneira, para a maioria dos cães, alguém estranho o olhar diretamente nos olhos enquanto se aproxima é uma situação muito desconfortável. 

Se você quiser cumprimentar um cão novo de uma forma legal para ambos, se aproxime meio de lado (não de frente para o cão), desviando o olhar e falando baixo. Essas dicas que damos com a linguagem corporal, todas amigáveis, mostram ao cão que você é do bem. Pode ser que mesmo assim o cão não queira nada contigo, mas ao menos você não se aproximou dele de uma forma assustadora, que pudesse causar uma reação defensiva ou até mesmo agressiva. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 3

Fazer carinho no rosto ou dar tapinhas na cabeça

"Eu não gosto disso nem um pouquinho..."
Você gosta de tapinhas na cabeça? Acredito que não. Se alguém der tapinhas na nossa cabeça, não iremos gostar. Na melhor das hipóteses, incomoda; na pior, machuca. Também não queremos que nenhum estranho nos toque no rosto. Se alguém aproximar a mão do seu rosto, o mais provável é que você se afaste e fique um pouco tenso com a invasão do seu espaço pessoal. Ainda assim, a maioria de nós, humanos, achamos que os cães gostam deste tipo de coisas. A verdade é que, embora muitos cães tolerem este tipo de contato de quem eles conhecem e confiam, a imensa maioria não gosta disso. Você pode perceber: se você fizer este tipo de "carinho" em seu cão, ele vai se afastar um pouco. Claro que ele vai deixar, pois confia em você, mas ele não gosta. Assim como para nós, é visto como uma invasão do espaço pessoal dele. Por isso pais responsáveis devem ensinar às crianças a acariciar gentilmente um cão em suas costas, mas não dar tapinhas, e nunca se aproximar do rosto dos cães. Se você quer fazer carinho no seu cão, acaricie suas costas e próximo à cauda. Ele vai adorar!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 2

Abraçar o cão
Veja os sinais: orelhas para trás, evitar contato visual,
musculatura tensa, boca fechada, tentando se
afastar: acha mesmo que ele gosta de abraço?
Enquanto você adora dar aquele abraço no seu cachorro, a maioria deles odeia ser abraçado. Como primatas que somos, achamos os abraços incríveis e expressamos apoio, amor, alegria e outras emoções através deles. Para nós é normal abraçar alguém, e isso significa algo bom. Mas os cães não evoluíram da mesma forma. Os canídeos não têm braços e não abraçam. Ao invés de camaradagem, se um cão coloca a pata sobre outro, é considerado um ato de dominância. Não importa quais suas intenções enquanto abraça, o cão pode ver o abraço como um sinal de você querendo dominá-lo. Claro, muitos cães toleram ser abraçados. Mas alguns se sentem ameaçados, ficam com medo e até demonstram o quanto detestam isso - repare que em muitos casos de crianças sendo mordidas no rosto é porque estavam abraçando um cão (ou mesmo o cão da família). O mesmo cão que gosta do abraço de alguém da família pode reagir de forma totalmente diferente se outra pessoa tenta o mesmo. É difícil encontrar um cão que realmente gosta se ser abraçado. 

Se você se pergunta se seu cão odeia ser abraçado, leia sua linguagem corporal para ter uma dica. Ele está tenso? Afasta a cabeça de você? Evita contato visual? Lambe os lábios? Mantém a boca fechada? Coloca as orelhas para trás, coladas à cabeça? Todos são sinais que mostram que o cão está desconfortável. Sim, mesmo o cão que lambe os lábios enquanto é abraçado não está demonstrando amor, mas sim um comportamento submisso e nervoso. Da próxima vez que quiser abraçar seu cão, preste atenção se ele está feliz com isso. Afinal de contas, seu rosto está bem próximo da boca cheia de dentes dele. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Coisas que fazemos mas os cães detestam: 1

Vou transcrever uma série de 11 coisas que normalmente fazemos mas que os cães detestam, e o motivo pelo qual eles odeiam.

1. Usar mais as palavras que a linguagem corporal
Somos seres vocais. Adoramos falar, mesmo com nossos cães, que não entendem a imensa maioria das coisas que lhes dizemos. Os cães podem conseguir deduzir o significado de algumas palavras - passear, biscoito, brinquedo, desce - e talvez até aprendem mais de uma centena de palavras, como alguns famosos Border Collies. Mas eles não entendem a linguagem humana. O que eles usam para descobrir o que queremos lhes dizer é a nossa linguagem corporal. Os cães evoluíram para se tornar experts em ler nosso corpo e conseguem descobrir o que pensamos e sentimos antes mesmo de nós mesmos sabermos o que pensamos ou sentimos! Mas nós temos facilidade em mostrar sinais confusos a eles se prestarmos atenção apenas no que falamos, e não no que demonstramos através da linguagem corporal. Um exemplo clássico é a pessoa que diz uma coisa, mas demonstra outra, confundindo o cão, que tenta desesperadamente entender o que queremos dele: dizemos ao cão "Fica" enquanto nos inclinamos em direção ao cão e estendemos a mão como guarda de trânsito. Na linguagem corporal estamos convidando o cão a vir até nós. Mas, quando o cão faz isso, o repreendemos porque ele não ficou. Isso é muito confuso!

Uma ótima experiência (e algo que fará seu cão se sentir aliviado) é tentar ficar um dia inteiro sem dizer uma palavra a ele, se comunicando somente pela linguagem corporal. Veja o quanto você consegue "falar" com seu corpo, como usar seus movimentos e posição corporal para obter o que deseja do cão (sem intimidá-lo!), tudo isso sem emitir nenhum som!