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sexta-feira, 18 de março de 2016

Efeitos do adestramento no cérebro canino


Recentemente li um gráfico que mostra os benefícios do adestramento no cérebro dos cães. As descobertas são incríveis! Vejam:

O adestramento estimula a área cerebral responsável pelo prazer;
Aumenta a liberação de ocitocina (hormônio do prazer);
Reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse);
Faz seu cão querer repetir bons comportamentos;
Melhora a capacidade de seu cão de ler a linguagem corporal;
Aumenta respostas apropriadas para comandos verbais;
Os cães se sentem mais confiantes em casa e em público;
Os cães associam seus tutores com coisas positivas e divertidas;
Os cães se tornam mais felizes, menos ansiosos e mais sociáveis.;
Proporciona estímulo mental, que é essencial para se criar um cão equilibrado;
Estreita o vínculo cão e dono.

Estimule o cérebro de seu cão com o adestramento e obtenha vários benefícios, tais como: melhorar a inteligência do cão; torna o cão mais sensível às mudanças no ambiente, não apenas as atmosféricas, mas também às nossas emoções; pode suprimir até mesmo seus mais fortes instintos; o cão se torna mais capaz de perceber e interpretar os sinais que recebe do ambiente onde vive; e também o torna capaz de pensar por ele mesmo, como vemos quando cães salvam vidas humanas em várias situações.

Assim como o nosso, o cérebro canino é dividido em duas partes principais:
1. Cérebro: controla o aprendizado, as emoções e o comportamento.
2. Cerebelo: controla os músculos.

A funcionalidade e o tamanho do cérebro aumentam através de:
1. Novos locais para explorar;
2. Mais interação com outros animais e pessoas;
3. Maior estimulação sensorial.

Algumas maneiras de se ensinar o cão
1. Comportamento alternativo: é um comportamento desejado que você ensina no lugar de um comportamento indesejado. Ao recompensar este outro comportamento com petiscos, o cão fica mais motivado a executar este novo comportamento que o antigo, que consideramos ruim. Um exemplo de comportamento alternativo é ensinar o cão a tocar um sininho quando estiver com vontade de fazer xixi ou cocô (ao invés de fazer pela casa e em lugares inadequados). Ser recompensado por tocar o sino (com petisco e com sair para se aliviar) é muito melhor que não receber nada ou, pior ainda, levar uma bronca por ter sujado o tapete da sala.

2. Capturar um comportamento: é aquele comportamento que seu cão faz naturalmente e você recompensa, como por exemplo, fazer xixi no quintal. Quando você dá um petisco ao filhote / cão toda vez que ele faz xixi no quintal, ele associa o quintal como um local muito mais agradável para o banheiro. Isso ajuda o cão a ter bons hábitos sanitários.

3. Comportamento incompatível: um comportamento simples que seu cão pode fazer que o impede diretamente de fazer um comportamento indesejável. Uma maneira de usá-lo a nosso favor, por exemplo, com um cão que adora perseguir coisas, é sempre recompensar seu cão por fazer contato visual com você sempre que ele vir algo. Fazendo isso, os cães podem ser treinados para olhar para seus donos para saber o que fazer quando algo novo aparece no ambiente, mesmo se forem gatos!

Os 4 melhores “estimuladores” da memória
Educação regular;
Bastante exercício;
Boa nutrição;
Socialização.

A educação melhora a função cerebral de seu cão
Fisicamente altera a estrutura do cérebro;
Aumenta o número de circuitos cerebrais usados;
As habilidades de solucionar problemas melhoram;
Previne disfunção cognitiva canina e perda de memória.


Com base nestes dados, que tal começar hoje mesmo a ensinar seu cão? Lembre-se sempre de não puni-lo, apenas recompensar o comportamento desejado. E, ao procurar um adestrador, certifique-se de que ele use reforços positivos. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Brincadeiras entre cães: quando devemos interferir?


Ver cães brincando entre si é muito gostoso. Mas, será que sabemos que está tudo bem na brincadeira entre eles? Quando devemos intervir?

Normalmente um conselho que nos dão é "deixe que eles vão se entender, eles resolvem suas brigas sozinhos", mas é o pior conselho que se pode dar. Primeiro porque o cão que está atormentando o outro é recompensado (comportamento auto-recompensador, por ser divertido pra ele) e, segundo, porque aquele que está sendo importunado vai pensar que todas as interações entre cães serão assim e ele tenderá a demonstrar agressividade para se defender.

Então, como saber se devemos deixar os cães brincando ou se devemos separá-los?

O que é aceitável
Aqui não precisamos intervir em nada: os cães estão se divertindo, os corpos relaxados. Se estiverem brincando de pega-pega, é bom que alternem entre os cães, numa proporção 50-50 ou 60-40. Se não há essa troca entre eles, um ficará sempre tentando se esconder e é nessa hora que a brincadeira precisa ser interrompida. O dono do cão "perseguidor" o chama e tira-o da brincadeira. Por isso que ensinar o VEM é muito importante: se seu cão ainda não souber, é bom deixá-lo interagir com uma guia longa.

Vocalizar é normal: alguns cães gostam de brincar rosnando e latindo. Repare no corpo deles: se estiverem relaxados, não tensos e tentando fugir, a brincadeira está boa e pode continuar.

O que é questionável
Se as coisas estiverem ficando estranhas, é melhor separar a brincadeira. Como saber disso? Leia abaixo:

  • se um dos cães está sempre sendo perseguido e há mais de um cão envolvido, pare a brincadeira. 
  • cabo de guerra: é uma boa brincadeira, mas fique de olho para ver se não estão disputando o brinquedo de forma mais agressiva, ao invés de apenas brincando. 
  • perseguir outro cão é questionável também, por ser o primeiro estágio de passar a caçar aquele cão. 
O que é inaceitável
Nestes casos, deve-se realmente parar a brincadeira, porque um deles não estará se divertindo. Sinais comuns são:
Colocando outro cão de barriga para cima:
totalmente inaceitável
  • morder o pescoço ou outras partes do cão
  • ficar latindo na cara do outro cão. É perigoso, porque o outro cão pode se irritar e morder, como se dissesse "cai fora!"
  • muita excitação ao brincar
  • montar. Não é algo sexual, mas pode indicar uma ansiedade no cão que monta, um jeito de chamar a atenção para brincar, mas é inapropriado. 
  • avançar, sem chegar a morder o outro cão. Cães que agem assim querem distância, e não brincadeira. 
  • colocar a cabeça no ombro do outro cão. Isso é rudo e invasivo na linguagem canina. 
  • bater com o corpo em outros cães
  • colocar o outro cão no chão de barriga pra cima
  • formar uma gangue de cães para perseguir um único cão. Pode acontecer em grupos de brincadeira já formados e com a entrada de um novato. Extremamente intimidador e deve ser parado na hora!
  • brincar sem supervisão. Se você pensa em deixar seu cão brincando enquanto senta num banco para ler ou mexer no celular, esqueça. Não prestamos atenção em uma mudança de comportamento que pode prejudicar os outros cães que querem apenas se divertir, no caso do nosso cão ser o que apronta. Se o nosso for o intimidade, perdemos a oportunidade de ajudá-lo quando ele mais precisa de nós. 

Lembre-se que nem todos os cães gostam de brincar com outros. Alguns são mais sérios e preferem apenas um longo passeio e encontros ocasionais. Outros são mais ativos e brincalhões. Devemos respeitar a individualidade de cada um deles e proporcionar experiências sempre gratificantes para ele. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Dia mundial dos galgos



Hoje não sou eu quem escreveu o texto, mas sim uma amiga. Ele é de autoria de Luciana Held Montenegro.

Ela fala sobre o dia mundial dos galgos e o que devemos fazer neste dia. Espero que gostem do artigo. E, para não chocar ninguém, deixo aqui as fotos dos meus magrelos, bem cuidados desde pequenos e que seguem sendo amados e tratados como membros da família.




DIA MUNDIAL DO GALGO
Fevereiro marca o fim da temporada de caça e consequente abandono de GALGOS na Espanha.
A caça com a exploração de cães da raça galgo é uma triste tradição implantada na Espanha e lamentada por ativistas dos direitos animais de todo o mundo. Todo ano, cerca de 50.000 galgos são abandonados ou cruelmente assassinados no país. Para os caçadores, os galgos têm vida útil máxima de 3 a 4 anos, a partir desse momento o animal não é mais considerado apto para auxiliar na caça. Nesse momento, termina sua vida.
O galgo é cão magro, com patas largas e peito volumoso, o que o permite alcançar grande velocidade, podendo chegar a cerca de 60km/h. Também tem uma visão muito nítida e aguçada e pode ver claramente objetos a uma distância de 800 metros. Na Espanha, a caça é considerada um “esporte” e é movida por muito dinheiro.
Galgos também são explorados em corridas e outras atividades consideradas de “elite”. Os animais só são cuidados enquanto servirem aos interesses de seus guardiões. Quando são considerados inúteis, são mortos ou abandonados a própria sorte.
Atualmente, na Espanha, os galgos são considerados a raça canina que mais sofre maus-tratos no país. Os motivos principais de abandono ou extermínio dos galgos espanhóis são: não terem sido bons caçadores durante a temporada, estarem velhos (entre dois e três anos de vida), fraturas ósseas, sintomas de cansaço ou doenças como a “erlichia” ou mesmo por não poder (ou querer) mantê-los após o fim da temporada.
Os galgos considerados mais sortudos, são os abandonados a própria sorte. Calcula-se que 60% dos cães abandonados na Espanha são galgos. Muitos deles são mortos em canis municipais ou sofrem com a fome, maus-tratos e indiferença da população.
Além do abandono, os galgos podem sofrer mortes terríveis com requintes de tortura como o método do pianista, onde as patas traseiras do animal tocam o chão e o cão sofre uma morte lenta e agonizante ou são enforcados em árvores nos chamados Bosques da Morte. A vida nas reservas de caça não menos terríveis, os animais são mantidos em jaulas minúsculas em condições insalubres e sofrem com a fome e maus-tratos.
Um método de treinamento muito comum é amarrar os cães a carros ou motos e arrastá-los por vários quilômetros, o que provoca sérias lesões e traumas. Os animais que não resistem ao treinamento são abandonados e não recebem nenhum tipo de tratamento veterinário durante toda sua vida.
As fêmeas sofrem a mesma sorte que os machos, acrescentando que algumas fêmeas escolhidas se reproduzem duas vezes ao ano. Para o fim de procriar, são isoladas em jaulas nas quais não existe espaço suficiente para poderem levantar, e muitos menos parir seus filhotes. Os filhotes são selecionados pelos Galgueiros e os que não são eleitos, são eliminados de formas violentas, apesar da pouca idade.
Atualmente na Espanha existem 190.000 Galgueiros registrados, que tutelam 500.000 galgos registrados para a caça, acima de tudo nas regiões de Andalucia, Extremadura e as duas Castillas. Se estima que existem mais de 900.000 galgos nas mãos dos caçadores de forma “ilegal”. A dramática situação de maus-tratos que vivem os galgos espanhóis é tão grave que foi denunciada em outubro de 2011 fora das fronteiras espanholas, pela Eurocâmara, que enviou uma carta ao presidente espanhol, na qual pedia que pusesse fim a essa barbaridade.
Parte da carta diz: ” Os galgos são severamente golpeados, queimados vivos, queimados por ácido, atirados em poços, presos em cavernas ou abandonados até morrerem por caçadores quando já não servem“. Estas mesmas palavras foram assinadas pelo presidente do Intergrupo de Bem estar animal da Eurocâmara Carl Schlyter e os eurodeputados Kartika Támara Liotard e Raul Romeva. A mesma entidade reconhece, através do artigo 13 do Tratado de Lisboa, que os animais são seres sencientes e que consequentemente devem ser respeitados pelos estados membros. Também a organização Anistia Internacional denunciou o abuso de exploração dos animais em atividades de caça. No mês de fevereiro acabou a temporada de caça e consequentemente mais episódios de tortura contra galgos serão registrados.
Os galgos que conseguem ser resgatados das ruas, de canis municipais onde terão como destino a morte ou entregues voluntariamente pelos próprios galgueiros conseguem abrigo em ONGs e com protetores, onde conseguem uma vida digna e plena.
Na Espanha existem diversas ONGs dedicadas exclusivamente ao resgate e reabilitação de galgos, como a SOS galgos, 112 galgos, Galgos de casa, Galgoleku, Baas galgo e muitas outras que lutam diariamente contra esta tragédia anual.
COMO PROMOVER O DIA MUNDIAL DO GALGO
UNINDO AS NOSSAS VOZES E TORNANDO A VOZ DO GALGO DAS SEGUINTES MANEIRAS:
COMPARTILHAR
Compartilhar e difundir na web para chamar a atenção para a situação dos galgos.
HASHTAGS

domingo, 31 de janeiro de 2016

Guarda de recursos

Muitos sabem o que é a guarda de recursos: cães se comportando de forma agressiva quando em posse de algo (e algumas vezes para obter alguma coisa): comida, brinquedos, donos, caminhas, seu lugar favorito etc.

Este é um comportamento natural dos cães, mas não quer dizer que seja aceitável! Por que é um comportamento natural? Quem teria mais chances de sobreviver: alguém que protegia sua comida, seu território ou alguém que abria mão de tudo isso numa boa?

Apesar de ser um comportamento natural da espécie canina, ele traz muitos problemas na vida em família. Imagine um cão que não tenha tido um treino prévio de aceitar a aproximação de humanos de sua comida, ou que qualquer coisa que seja dele. Ele pode morder. Agora, imagine se for um bebê engatinhando, se aproximando deste mesmo cão que não aceita aproximação alguma. Os acidentes podem ser muito sérios.

O ritual de guarda de recursos entre cães pode ser algo ritualizado, onde os conflitos são resolvidos apenas na ameaça. Mas, algumas vezes, a agressão propriamente dita acontece. Os avisos mais comuns são:

- ficar parado (o cão está comendo e, quando alguém se aproxima, ele "congela")
- olhar "torto"
- comer mais rápido (quando guardam alimentos)
- mostrar os dentes
- rosnar
- avançar (sem morder)
- morder
Nem mesmo o menor sinal de guarda de recursos (ficar parado) deve ser ignorado por nós, que convivemos com nossos cães.

Como evitar?
Eu ensino que a aproximação humana sempre traz algo bom: se eu me aproximo do cão enquanto ele está com um brinquedo, comendo, na caminha dele etc, eu sempre dou algo de imenso valor pra ele (um petisco que ele ame, por exemplo). E gradativamente vou fazendo a troca, até conseguir retirar o brinquedo/ossinho/comida dele em troca do petisco (e depois devolvendo). Este é o treino preventivo, para filhotes. Se seu cão já tem um problema de guarda de recursos, o melhor a se fazer é procurar um profissional para lhe ajudar com o problema, evitando riscos.

Aqui, seguem dois vídeos interessantes sobre o treino preventivo feito em filhotes (o mesmo que eu faço):

Ensinar o filhote a largar um objeto
Prevenindo que seu filhote proteja seus brinquedos

sábado, 23 de janeiro de 2016

Interações inadequadas entre crianças e cães

Está cada vez mais comum vermos vídeos e fotos na internet e nas redes sociais de cães e crianças interagindo. Muitas dessas fotos e vídeos são tidos como fofos, lindos, olha que amor!! Alguns já percebemos que são extremamente inadequados, como neste vídeo, onde um menino "brinca" com um bull terrier de forma violenta. Infelizmente, se algo ruim acontece com a criança, a culpa sempre cairá sobre o cachorro.

Os pais, neste caso, são em grande parte culpados. Primeiro, por não ensinarem seus filhos a ser gentis no trato com os animais; segundo, porque filmam e não se preocupam com o bem-estar de nenhum deles (filho e, principalmente, cão).

Vejamos esta foto. Muitos vão achar que é lindo, um menino e seu cão. Mas reparem que o cão está desconfortável: desvia o olhar, tem o que chamo de whale eye (quando aparece o branco do olho); a musculatura da boca está tensa; mostra a língua... são sinais de desconforto. Nestas ocasiões, o cão pode, sim, vir a morder. E onde ele morderia essa criança? Fica fácil imaginar que poderia ser um acidente grave, não é mesmo? E será que podemos dizer que o culpado é o cachorro?





Nesta outra foto vemos os mesmos sinais: um cão desconfortável, com as orelhas para trás, desviando os olhos, arfando (foto em estúdio, ambiente não quente, ou seja, não estava arfando por estar calor ali).





Mas nem tudo está perdido, calma! O que devemos fazer é apenas ensinar os filhos a respeitar os animais e a entender a linguagem corporal dos cães, para saber se estão o não confortáveis naquela situação. Muitos cães adoram crianças, brincam com elas, mas muitos outros não curtem esses momentos "eu te amo", cheios de abraços e beijos. Quanto ao tratamento abusivo que está no vídeo, dispensa comentários: é uma criança sendo cruel com o animalzinho.

Então, como as crianças devem ou não interagir com os cães? Deixo abaixo algumas dicas (clique nas imagens para aumentar) que você encontra fácil na internet. E também, procurem entender mais da linguagem corporal deles. Seu cão e seu filho agradecem!

Como as crianças devem agir com os cães

Como as crianças NÃO devem interagir com os cães

Linguagem corporal canina








quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cães adolescentes

Difícil resistir a um filhote, não é mesmo? Aquele pelo macio, olhos grandes e ternos que nos enternecem. Quando tem o hálito típico de filhote então, é mais gostoso ainda! Então, como resistir?

Trazer um filhote para casa pode ser uma das grandes alegrias da vida: vê-lo brincar, perseguir objetos. Nos imaginamos levando-o para passeios, dando brinquedos divertidos e mentalmente estimulantes, levamos a um veterinário, pesquisamos qual será seu melhor alimento e já contratamos um adestrador que trabalhe com reforço positivo. Tudo certinho.

Nos próximos meses tudo vai conforme o planejado: seu filhote aprende rápido, sabe qual o lugar onde fazer xixi e coco e vocês dois se divertem nas aulas de socialização.

Mas, logo que ele começa a perder os dentes de leite, as coisas começam a mudar. É como se tivessem virado uma chave na cabeça do seu cachorro e, ao invés daquele filhote lindo, você tem um Godzilla na sua casa! O que aconteceu? O que fiz de errado?

Você não fez nada de errado... Bem vindo à adolescência canina.

O filhote vira adolescente quando seus dentes caninos permanentes começam a nascer, e seguem nessa fase até cerca de 1 ano e meio a 2 anos de idade. Durante este tempo, o cérebro dele ainda é imaturo, está mudando e se desenvolvendo e este período pode ser um pouco desafiador para vocês dois. Também é nessa fase quando o relacionamento de vocês dois ficará mais balançado.

Um cão adolescente normalmente é mais turbulento, morde mais, pula mais e é mais teimoso do que em qualquer fase da vida. Muitas vezes ele te ignora quando está a fim disso.

Por causa disso, não é nenhuma surpresa a quantidade de animais abandonados e sendo doados nesta fase da vida: donos não sabem como controlar o comportamento deles.

O QUE POSSO FAZER?
Se vou passar por tudo isso, pra quê ter um filhote então? Assim como existe no mundo materno, também há no mundo canino a máxima: "vai passar". Essa fase vai passar. E você, acredite ou não, sentirá saudades dela, como eu sinto.

Pense no laço emocional que você construirá com seu cão: isso não tem preço. Como um bom tutor, você conseguirá modelar o comportamento de seu cão, tornando-o confiante, seguro e feliz como membro da família: um companheiro que passará de 10 a 15 anos ao seu lado.

Mas, vamos às dicas do que pode ser feito para que a transição entre a infância e a fase adulta seja mais suave:

1. Paciência: seja muito paciente. Não é uma fase da qual se possa esperar resultados rápidos! Lembre-se de respirar e saber que seu cão está passando por mudanças na vida dele e precisa de você para guiá-lo.
2. Educação canina: continue com a educação de seu cão! Todos aqueles comandos básicos aprendidos quando filhote (senta, deita, fica, vem, truques etc), siga fazendo-os e aprimorando-os! Pratique-os em vários locais, para acostumá-lo a lhe escutar onde quer que vocês estejam. Tente ensinar um comando ou um truque novo por semana, sempre de maneira divertida.
3. Brinque: brinque com ele. A brincadeira é uma ferramente ótima, mas que é deixada de lado tanto no adestramento quando no relacionamento homem-cão. Os cães respondem melhor em treinos de obediência depois de brincar com seus donos.
4. Exercícios: os cães adolescentes têm muita energia. Mesmo. Proporcione a ele exercícios adequados e durante um bom tempo. Acredite, sua vida ficará mais fácil assim. Deixe a preguiça de lado e exercite-o: será bom para você também.
5. Dieta apropriada: Nada de oferecer um alimento de qualidade ruim ou moderada. Se for oferecer ração, que seja uma super premium, de preferência sem grãos ou, se ela contiver grãos, que sejam de fontes não-transgênicas. Se ele comer uma alimentação crua biologicamente apropriada, melhor ainda!
6. Pensamento positivo e otimista: foque em todos os comportamentos positivos que seu filhote já aprendeu e prossiga com eles, progredindo sempre. Divirta-se quando estiver com seu cão. Lembre-se de que a melhor maneira de manter seu cão focado (e o nível de atenção dele agora é muito curto!) em você é você ser divertido e excitante para ele. Isso é especialmente importante durante a adolescência canina.

O FUTURO DE SEU CÃO DEPENDE DE VOCÊ
Quando decidimos trazer um filhote para casa, somos responsáveis pela vida e futuro dele. Esse filhote lindinho conta conosco para educá-lo e transformá-lo em um ótimo cão de família.

Se trabalharmos com este cão, a adolescência não será tão traumática. Se, durante os primeiros 18 meses de vida dele, continuarmos a brincar, a sermos proativos no nosso papel de educá-lo, seremos capazes de curtir este cão, e o que ele se tornou, por muitos anos. Se escolhermos trabalhar com ele apenas de vez em quando e não ensiná-lo as habilidades que ele precisa para viver no mundo humano, é mais provável que ele seja mais um dos milhares de animais que acabam abandonados todos os anos.

Trabalhe com seu cão: eduque-o, brinque com ele e exercite-o diariamente; socialize-o propriamente. Este é o caminho certo para um cão que se tornará um valioso membro da família. Peça ajuda de um educador canino competente, que não faça uso de punições, para ajudá-lo nesta fase, motivando-o e orientando-o na construção deste cão bacana.

Mas também esteja preparado para altos e baixos. Ser paciente e ter senso de humor são coisas importante. Se você for assim, criar um filhote será uma benção.

domingo, 29 de novembro de 2015

Como deixar os passeios mais divertidos

Muitas vezes os passeios que damos com nossos cães são sempre os mesmos... aquela volta de meia hora, antes e depois do trabalho, diariamente. Que tal deixar estes passeios mais divertidos, tanto para seu cão quanto para você?

-> Mude o caminho
Mudar o caminho usual, aumentar um quarteirão, inverter a ordem das ruas por onde passamos: tudo isso já torna o passeio mais estimulante, principalmente quando mudamos o itinerário e o cão pode, então, sentir novos odores. Mudar o passo é muito bom também: acelere-o por alguns segundos e volte ao passo normal. Faça isso algumas vezes durante o trajeto.

-> Deixe-o cheirar
Sim, é entediante quando Fred fica parando de cinco em cinco passos pra cheirar tudo, mas é interessante que você o encoraje a cheirar em alguns momentos do passeio: é um estímulo mental e deixa o passeio extremamente divertido pra ele!

-> Convide um amigo
Chame um amigo que tenha um cão sociável e que se dê bem com o seu. No final do passeio, vocês podem combinar de deixarem eles brincando por mais um tempo na sua casa, ou na de seu amigo. Suzie, quando se encontrava com seu amigo Scooby, sempre terminava o passeio na casa dele (porque morávamos em apto) e os dois brincavam bastante. O mesmo acontecia quando passeava com amiguinhos caninos do prédio: brincavam na garagem por mais um tempo e todos se divertiam: cães brincando e donos colocando o papo em dia.

-> Incorpore treinos durante o passeio
Há muita coisa legal para ensinarmos aos cães durante o passeio: andar com a guia frouxa, sentar antes de atravessar a rua, olhar para você quando passar um cão latindo... leve sempre petiscos com você durante o passeio: se torna ainda mais interessante para o cão o passeio quando fazemos isso! Além do mais, ninguém trabalha de graça, não é mesmo? Há também a possibilidade de se fazer agility urbano (fica para um próximo post).

-> Planeje um destino
Pode ser levá-los até uma praça, à casa de um amigo ou a um parque próximo.

-> Faça uma caça ao tesouro
Jogue petiscos à frente, pelo caminho, e incentive seu cão a procurá-los. Além de exercitar o faro, é uma excelente brincadeira que vai tornar o passeio mais divertido.

O que você faz para tornar o passeio mais divertido?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Brincadeiras e exercícios para manter seu cão mentalmente saudável

Na teoria, todos sabemos que precisamos exercitar e brincar com nossos cães. Afinal, é bom para eles: são cães e é o que eles precisam fazer.

Infelizmente, nossos dias estão cada vez mais corridos e nossa vida mais estressante: passamos o dia no trabalho, chegamos em casa cansados e ainda temos que levar Ziva pra passear? Aí o cansaço nos vence e pensamos "ah, um ou dois dias sem passeio não vão matá-la".

Mas, pense comigo: quando você está lá no trabalho, Ziva fica dentro de casa o dia todo. Enquanto os cães precisam se adaptar às nossas necessidades e atividades do dia-a-dia, eles ainda são parentes dos lobos, ou seja, não foram feitos para ficarem sozinhos o dia inteiro sem nada para fazer (já reparou em como hoje em dia há mais casos de ansiedade de separação?). Cães são ativos, animais que precisam de exercícios regulares para terem uma mente saudável.

Se eles não gastarem sua energia através dos passeios diários (mas não vale só uma voltinha no quarteirão!), brincadeiras e outros jogos caninos, eles podem se tornar destruidores devido ao tédio. Alguns dos problemas comportamentais mais comuns são devido à falta de exercício (caminhadas, brincadeiras), sendo eles: destruição de objetos, cavar buracos, fuçar no lixo, hiperatividade, pular demais, latir e ganir para ganhar atenção.

Ao mesmo tempo, um cão bem exercitado e que brincou bastante é um cão menos ansioso e mais satisfeito mentalmente.

A seguir, leia cinco benefícios que os exercícios e brincadeiras podem ajudar a saúde mental de seu cão:

Brincar acalma e reduz a ansiedade
Os cães são animais que precisam se movimentar e gastar sua energia. Se estivessem na natureza, essa energia seria gasta na busca por alimento, na caça, para lidar com o ambiente. Nossos cães domésticos não têm mais estes desafios, mas ainda têm uma boa parte dessa energia dentro deles.

Cães que têm oportunidade de brincar e se exercitar normalmente são mais felizes, mais estáveis e calmos. A brincadeira gasta a energia dos cães de forma apropriada. Se nós não iniciarmos algo apropriado para que eles gastem energia, eles o farão por conta própria, mas fazendo algo inaceitável para nós, humanos.

Caminhar mantém o cão engajado com o ambiente em que vive e estimula seu cérebro
Levar Ziva para caminhar diariamente ajuda a manter sua mente saudável. Primeiro, ela está com você - alguém que ela AMA. Segundo, ela pode fazer coisas de cachorro, como cheirar e explorar o mundo através do seu potente olfato (sim, deixe seu cão cheirar e explorar também!). É isto que ela faria se tivesse nascido selvagem e ainda deseja fazer, mas nem sempre pode. Terceiro, ela precisa sair e ver coisas além do sofá e da cama (e você também precisa sair de frente da TV e do computador/celular). Bônus: ela pode ver e interagir com outros cães! Cães são animais sociais e, se eles não tiverem problemas comportamentais com outros cães (reatividade, medo, agressividade, por exemplo), é saudável que eles cumprimentem, cheirem e interajam com outros cães também amigáveis durante os passeios. Tudo isso mantém a mente de Ziva trabalhando e ativa.

Além disso, os cães também liberam os hormônios da felicidade, assim como nós, quando se exercitam! Caminhar é benéfico para vocês dois.

Os cães precisam de atividades diárias para ter um equilíbrio ótimo da saúde física e emocional, e precisam do dobro de atividades se forem jovens ou cães de raças com mais energia, como retrievers e pastores, por exemplo. É importante que você saiba que seu cão - não importa qual seu tamanho - não obtém a quantidade suficiente de exercícios físico somente andando dentro de casa ou no seu quintal. Ele precisa sair, não só para fazer xixi e voltar.

Brincar também ajuda a aprender
Brincar (e caminhar) com Ziva, além de ser divertido também é educativo. Você pode usar este tempo para reforçar a obediência, como senta e fica, assim como ensinar novos truques e brincadeiras - tudo isso mantém a mente ativa.

Brincar satisfaz os instintos naturais
Brincadeiras como cabo-de-guerra e pegar bolinha não são apenas divertidos, mas são ótimos para satisfazer os instintos naturais de Ziva. Os cães têm uma necessidade natural de agarrar e puxar as coisas com a boca (cabo-de-guerra) e também de perseguir suas presas (pegar bolinha). "Procura" também uma brincadeira interessante que faz Ziva usar seu faro para encontrar o petisco, brinquedo ou pessoa.

Brincar e se exercitar também estreitam os laços entre vocês
Olhar para seu cão pode criar um laço estreito entre vocês dois, assim como de uma mãe com seu filho. Nós que vivemos com cães já sabemos disso. Então qualquer coisa que encoraje esse laço - neste caso, exercícios e brincadeiras - também fará bem para a saúde mental de Ziva.

Sim, brincar e se exercitar são ótimos para os cães. Só precisamos nos lembrar que quando eles estiverem nos olhando dentro dos olhos, talvez estejam pedindo para você jogar uma bolinha. Faça isso. Bom divertimento!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Quando manejar o ambiente ajuda nos treinos

O que significa manejar o ambiente? Significa que você precisa fazer certas coisas se você ainda não educou seu cão para determinada situação, como:


  • seu cão pula bastante quando chega gente em sua casa e você soluciona o problema colocando-o em outro cômodo, isso é manejo.
  • você coloca um portãozinho ao invés de ensinar seu cão a não entrar em determinado cômodo ou a ficar comportado nele, isso é manejo.
  • você tem dois cães que brigam e prefere mantê-los separados para sempre, usando portas e grades ao invés de fazer contracondicionamento ou ensiná-los comportamentos incompatíveis com a briga, isso é manejo. 
O manejo não é algo ruim. Se você tem um filhote, você sabe que precisa contar com o manejo do ambiente, ou você fica louco. Você simplesmente não consegue ensiná-lo tudo que ele precisa de uma só vez, então você controla o ambiente para prevenir certos problemas. 

Também é muito importante como auxiliar para o treino. Se seu cão pula, como no primeiro exemplo, e resolve educá-lo para se comportar melhor com as visitas, você precisa continuar o manejo (prendendo-o) durante as visitas propriamente ditas enquanto você o treina com visitas agendadas (pessoas que você pede pra lhe ajudar no treino). Neste caso, o manejo previne que seu cão continue pulando nas visitas. Se você não fizer isso, o treino não vai pra frente. 

Então, por que algumas pessoas acham que não é bom usá-lo?

Principalmente por conta do terceiro exemplo, o da agressividade. Isso significa que a segurança de um cão, gato ou mesmo uma criança depende que as portas estejam sempre fechadas e que todos que moram na casa sejam 100% consistentes em fechar tudo, porque se houver uma falha, alguém sairá machucado. O manejo sozinho não é a solução dos problemas. 

Por isso, é sempre importante casar o manejo com a educação e solução dos problemas. 

Susan Garret prefere encorajar o treino ao manejo. Ela sugere que façamos escolhas conscientes seja para treinar ou manejar cada situação, ao invés de deixar que o manejo seja a nossa escolha padrão. Diz que um cão educado, ao contrário de um cão cujo dono apenas faz uso do manejo, pode ir a mais lugares, fazer mais coisas e tem uma vida muito mais interessante. 

Estamos sempre treinando nossos cães
Esta frase é constantemente dita e é totalmente verdadeira. Sempre, sempre estamos treinando nossos cães. Todos os animais aprendem e modificam comportamentos por causa das consequências. O que quer que seu cão faça, ele o faz porque algo o recompensa. Muitas vezes treinamos nossos cães para fazer muitas das coisas que consideramos erradas. 

É muito fácil ensinar nossos cães a chorarem para entrar em casa, ou para sair dela; roubar nossas meias; correr da gente quando queremos pegar em sua coleira; roubar comida; morder nossas mãos. Não estamos treinando-os a fazer essas coisas de propósito, mas o nosso comportamento cria consequências que gera recompensas, queiramos ou não. 

Por exemplo: o cão chora para sair, você abre a porta; o cão rouba sua meia e você sai correndo atrás dele... você o ensinou que chorar = sair de casa (algo que ele queria) e roubar meia = meu dono brinca comigo. 

O que fazer?
O ideal é casar o treino com o manejo. Se você, por exemplo, está ensinando seu cão a não pular nas visitas, treine-o para um comportamento incompatível (sentar ou deitar, por exemplo) e faça simulações de visitas e/ou sua chegada em casa. Em situações reais, onde você não terá tempo de treinar, como por exemplo, sua avó veio lhe visitar, ou o técnico da TV chegou, coloque os cães em outro cômodo. Senão, eles irão pular, receber atenção e todo o treino anterior terá ido por água abaixo. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Desafio: 1000 petiscos

Eu sempre leio muito na internet, estou sempre procurando coisas novas, sempre estudando. Além de lendo muitos livros sobre o assunto também.

Estes dias, me deparei com um desafio que achei bastante interessante. O desafio dos mil petiscos que é, basicamente, o seguinte:

1. Escolha um comportamento ou habilidade que você queira ensinar ao seu cão (ou aperfeiçoar ou que ele faça de um modo diferente);
2. Separe mil petiscos;
3. No decorrer de duas (ou três) semanas, gaste os mil petiscos enquanto você treina com seu cão.

Mas mil petiscos é muita coisa! Na verdade, não é. Não precisamos dar um biscoito inteiro, mas podemos oferecer pedaços pequenos de petiscos, sejam eles frutas, legumes, queijo ou biscoitos caseiros. Varie os petiscos (que devem ser palatáveis para seus cães).

Faça o planejamento
Primeiro, escolha o que você deseja trabalhar com seu cão.

Algumas ideias:

  • Foco (atenção);
  • Leave it;
  • Sentar ao invés de pular;
  • Guia frouxa;
  • Vem;
  • Ficar confortável ao ser tocado;
  • Ir para a cama quando a campainha tocas etc
Se você quiser fazer um plano de treino escrito, pode escrever o número de petiscos que vai gastar em cada aspecto do comportamento. Isso ajuda a ver o progresso. Escreva o seguinte:

- Meu cão faz ____________
- Eu quero que ele faça ___________ no lugar
- Liste alguns aspectos que você vai trabalhar e quantos petiscos usará em cada um deles
- Veja como estão progredindo

Digamos que seu cão é mestre em sentar sempre que você vai colocar a comida pra ele. Então, pratique o senta em outros cômodos. Se ele só sentar quando você tiver os petiscos na mão, então você pode fazer um monte de repetições sem o petisco nas mãos (deixe um potinho em cima de um móvel, por exemplo). Imagine o quanto de informação você vai passar pro seu cão com mil petiscos! Com certeza você terá um belo comportamento final!

Com meus cães eu já decidi os comportamentos que vou trabalhar. Aprimorar o Leave it (Training Levels) e esperar quando a porta estiver aberta ao invés de sair correndo e pulando.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Treino para entrar no carro

Pistache tem medo de carro. Muito medo. Ao entrar no carro ele não relaxa: treme, baba e chega a vomitar.

Aqui, segue a segunda sessão de treino para ele entrar no carro (o processo é longo). A primeira sessão começou com ele apenas cheirando e olhando o carro, além de pegar petiscos perto da porta aberta. Terminou com ele colocando uma pata dentro do carro. Esta segunda sessão foi comigo dentro do carro, pra dar ainda mais confiança a ele. Terminou com ele colocando as duas patas dentro do carro, metade do corpo pra dentro.

video


Na terceira sessão (que não filmei), eu fiquei fora do carro e ele entrou, após 3 vezes colocando as duas patas da frente.

Suzie já entra no carro, sem medo algum: deita e dorme a viagem todinha, acordando nas paradas para esticar patas e se aliviar.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Enriquecimento ambiental

Enriquecimento é o ato de mudar o ambiente onde o animal vive (no caso dos cães, nossa casa) para encorajar comportamentos naturais. Para os cães, proporcione objetos para roer e procurar o alimento, oportunidades de correr, farejar, rasgar. Estes comportamentos naturais tornam a vida dos cães muito mais prazerosa. Quanto mais oportunidades oferecermos para que eles se comportem como cães, mais felizes e realizados serão.

Pensamos tanto no que queremos de nossos cães, mas esquecemos de pensar no que eles querem de nós. E não é algo difícil. Eles querem se sentir seguros, física e emocionalmente; ter suas necessidades físicas (abrigo, calor, alimento, água, carinho e companhia) atendidas diariamente. A maioria de nós fornece isso com facilidade. Mas os cães também precisam que seus corpos e cérebros sejam exercitados e isso algumas pessoas têm falhado em proporcionar.

Precisamos ter em mente que somos espécies diferentes e, aquilo que nos faz bem não fazem o mesmo por nossos cães. Por exemplo: somos espécies visuais, gostamos de ver coisas. Já os cães ficam felizes quando podem cheirá-las; usamos nossas mãos para explorar o mundo, os cães usam sua boca para isso; gostamos de criar coisas, os cães gostam de destruí-las.

Para enriquecer o ambiente que seu cão vive, pense nas coisas que ele gosta. Se você não tem certeza, tente coisas novas a cada semana e veja como seu cão responde a cada uma delas.

Normalmente os brinquedos mais apreciados pelos cães são aqueles que acordam seu instinto predador: brinquedos de pelúcia que fazem barulho; perseguir uma corda ou bolinha; cabo-de-guerra; um Kong recheado (tentar pegar alimento de dentro dele é como tentar pegar o tutano de um osso). Nossos cães não precisam ser mimados, precisam estar ocupados.

Benefícios
O enriquecimento ambiental, além de encorajar o cão a exibir comportamentos da espécie, também é usado para corrigir problemas comportamentais, tais como a síndrome da disfunção cognitiva dos cães (conhecido como Alzheimer canino), medos, ansiedade de separação, comportamentos obsessivos-compulsivos e comportamentos inadequados resultantes de tédio ou frustração.

Como enriquecer o ambiente de meu cão?

  • Brinquedos: já notou que, quando você dá um brinquedo novo ao seu cão ele fica muito animado mas, depois de uns dias, ele já perdeu totalmente o interesse nele? Isso porque os cães se acostumam com os brinquedos: o brinquedo novo se torna apenas mais um objeto inanimado no ambiente.

    A solução? Fazer o rodízio de brinquedos. Dê uma variedade de brinquedos para seu cão (formas, tamanhos, texturas, cores e odores). Ofereça cerca de 3 brinquedos por dia. No fim do dia, retire-os e coloque outros 3 "novos" brinquedos. Assim, seu cão sempre terá um brinquedo "novo" diariamente.
  • Exercícios: os cães precisam de exercícios diários para ter uma saúde física e emocional: se você tiver um filhote  ou um cão com alta energia, a quantidade de exercícios necessária para o bem-estar dobra. Lembre-se que seu cão não tem a quantidade adequada de exercícios apenas correndo no quintal da sua casa, por maior que seja o quintal e qualquer que seja o tamanho de seu cão.

    A maioria dos cães não tem oportunidade de fazer exercícios intensos com seus donos por uma série de motivos, mas seu cão precisa sim da sua ajuda para se exercitar e brincar. Há várias atividades que vocês podem fazer juntos. Algumas sugestões são:

    - Passear ou fazer trilha com o cão;
    - Correr com o cão (ou andar de patins com ele);
    - Andar de bicicleta com ele, usando equipamentos apropriados para isso (para segurança de ambos);
    - Se seu cão gostar, brincar de bolinha com ele.
    - Brincar de cabo-de-guerra;
    - Se seu cão gostar, leve-o para nadar e buscar brinquedos na água;
    - Esconda petiscos ou os brinquedos favoritos de seu cão pela casa.

    • Passeios: outra forma de aumentar a experiência de seu cão com o ambiente é levá-lo para diferentes tipos de caminhadas. Exemplos:
             - Passeios curtos onde o propósito seja apenas para fazer suas necessidades;
             - Passeios estimulantes nos quais seu cão tem tempo para parar, cheirar, investigar, marcar e descobrir os odores de diversas coisas. Muitos cães não têm todo este tempo para cheirar e investigar, então, permita que ele possa explorar de um jeito apropriado para a espécie: é excelente para a saúde mental dele;
             - Passeios de educação que aumentam a habilidade e confiança do cão, onde melhoramos os modos ao caminhar (guia frouxa), ensinar alguns comandos básicos de obediência e também é uma excelente oportunidade para socialização;
             - Passeios em ritmo acelerado, excelente para melhorar a saúde física do seu cão (e sua também).
    • Enriquecimento social: Se seu cão se dá bem indo a parques, proporcione oportunidades para interagir com outros cães sociáveis, além de exercícios e brincadeiras.

      Se você tiver amigos que tenham cães sociáveis, junte todos para uma ótima brincadeira (é bom para a nossa socialização também). Pode ser uma alternativa para evitar que os cães fiquem assustados com um número muito grande de cães, como seria o caso de parques.

      Atividades como agility, faro, flyball, freestyle são excelentes meios de enriquecimento social.
              Se você tiver amigos que tenham cães sociáveis, junte todos para uma ótima brincadeira (é                   bom para a nossa socialização também). Pode ser uma alternativa para evitar que os cães                     fiquem assustados com um número muito grande de cães, como seria o caso de parques.
           
              Atividades como agility, faro, flyball, freestyle são excelentes meios de enriquecimento social

    • Estratégias adicionais:

      - Proporcione ao cão enriquecimento visual também, dando-lhe oportunidade de ver através de uma janela (a menos que ele seja reativo aos estímulos externos);

      - Dê-lhe também enriquecimento auditivo, deixando a TV ou o rádio ligados, tocando músicas ou sons de natureza no CD e dando brinquedos que fazem barulho;

      - Proporcione enriquecimento tátil fazendo carinho, massagem e escovando-o. Mas lembre-se de fazer isso de um modo que o cão goste!;

      - Faça uso do olfato dos cães e coloque seus brinquedos em contato com suas roupas, para que eles fiquem com seu cheiro (e de quem mais morar com vocês). Óleos essenciais que sejam seguros aos cães são uma ótima pedida também. Esconda petiscos pela casa ou em caixas de papalão (também pode ser em rolos vazios de papel higiênico/toalha, caixas de ovos etc);

      - Quebra-cabeças para cães ajudam a manter o foco e atenção dos cães com alto nível de energia e mantém os cães que sofrem de ansiedade de separação ou que têm medo ocupados antes e durante estes eventos estressantes.
      Recheie brinquedos (como o Kong, acima) com alimentos apropriados à espécie para que ele se mantenha interessado. Também pode congelar estes brinquedos, para o cão ficar ocupado por um tempo maior. 

    - Proporcione ao cão enriquecimento visual também, dando-lhe oportunidade de ver através de uma janela (a menos que ele seja reativo aos estímulos externos);

    - Dê-lhe também enriquecimento auditivo, deixando a TV ou o rádio ligados, tocando músicas ou sons de natureza no CD e dando brinquedos que fazem barulho;

    - Proporcione enriquecimento tátil fazendo carinho, massagem e escovando-o. Mas lembre-se de fazer isso de um modo que o cão goste!;

    - Faça uso do olfato dos cães e coloque seus brinquedos em contato com suas roupas, para que eles fiquem com seu cheiro (e de quem mais morar com vocês). Óleos essenciais que sejam seguros aos cães são uma ótima pedida também. Esconda petiscos pela casa ou em caixas de papalão (também pode ser em rolos vazios de papel higiênico/toalha, caixas de ovos etc);

    - Quebra-cabeças para cães ajudam a manter o foco e atenção dos cães com alto nível de energia e mantém os cães que sofrem de ansiedade de separação ou que têm medo ocupados antes e durante estes eventos estressantes.
    Recheie brinquedos (como o Kong, acima) com alimentos apropriados à espécie para que ele se mantenha interessado. Também pode congelar estes brinquedos, para o cão ficar ocupado por um tempo maior. 

sábado, 18 de julho de 2015

Além da educação: crie laços com seu cão

Todos sabemos as vantagens de se ter um cão educado: podemos ir com ele para vários lugares dog friendly, temos um convívio mais harmonioso em casa, são queridos por nossos amigos e familiares, é prazeroso passear com eles. Mas, nosso convívio com eles vai além da educação: devemos criar laços com eles.

Criar laços não é algo complicado: ocorre naturalmente quando temos um cão e o criamos com apego. No começo, o filhote pode não esperar que você o guie mas, com o tempo, você verá que ele começa a te ver como alguém em que ele pode confiar, e a educação fica mais fácil.

Então, como fazê-lo? Primeiro de tudo: como você educa seu cão? Treinos baseados em reforço positivo são muito mais benéficos para o relacionamento que queremos ter com nossos cães que um baseado em líder da matilha e punições. Um cão que confia em nós tende a obedecer mais, e com mais alegria. Abaixo, mais algumas dicas para que você crie laços com seu cão:


  • Brinque com ele - divirtam-se juntos, deixe ele ser um cão. Jogue bolinha no jardim, brinque de cabo-de-guerra. Descubra do que ele mais gosta de brincar e brinque com ele. Além de estreitar os laços existentes entre vocês, ambos ficarão relaxados.
  • Eduque-o - sim, um cão que tem laços estreitos com você é mais fácil de educar, mas o contrário também é verdade: quanto mais educamos nossos cães, mais estreitos ficam nossos laços com eles. 
  • Mantenha a calma - ter um cão não é só alegria: também nos frustramos e ficamos ansiosos. E não só com eles, mas com as coisas da vida de um modo geral. Gritar e ficar nervoso assusta a maioria dos cães, mesmo quando nosso acesso de raiva não é direcionado a eles. Se for, o estrago é ainda maior. Se esforce para falar em tom de voz calmo com seu cão, mesmo quando ele apronta: gritar não resolve problema alguma, só estraga o relacionamento entre vocês dois.
  • Preste atenção na sua linguagem corporal - aprenda o básico do comportamento canino e a ler seus sinais corporais. Isso lhe ajudará a entender o que seu cão gosta, não goste e o amedronta. Lhe ajudará a prevenir problemas antes que eles comecem e a retirar seu cão de uma situação desconfortável ou assustadora. Assim que ele entender que você o manterá a salvo, a confiança entre vocês dois crescerá. 
Resumindo: ter um cão traz alegria à nossa vida e também devemos dar a ele o que precisa para ser feliz. Ter momentos felizes juntos e cuidar de seu cão estreitam os laços entre vocês. Sim, cada cão é diferente, demonstram seus sentimentos de forma única, mas todos merecem ter um relacionamento maravilhoso conosco. 

domingo, 12 de julho de 2015

It's Yer Choice


video

Um vídeo para mostrar como meus magrelos estão se saindo com o jogo "It's Yer Choice". Suzie sabe com o comando (Deixa), mas no exercício em questão eu não posso falar nada: eles têm que ter o auto controle por si sós e não querer pegar o que eles querem pegar: precisam esperar para isso. Em breve usarei para a porta, coleira, portão etc etc etc. 

Aqui estão na segunda aula com a comida deles.

Níveis de distração:
- presença de outro cão familiar (nível 5 para o Pistache, nível 2 para Suzie);
- presença de crianças familiares (nível 1 para os dois);
- presença de móveis (nível 0);
- presença de alguém filmando (nível 0);

sábado, 11 de julho de 2015

Mesma raça, personalidades diferentes

Este post aqui é só pra descontrair e mostrar que apesar de pertencentes à mesma raça, os cães têm suas personalidades, são indivíduos diferentes.

Aqui em casa tenho um casal de whippets. Suzie, que está com a gente desde os 4 meses, e Pistache, que chegou aqui com quase 5 anos. Whippets são cães ágeis, companheiros, asseados, se adaptam ao nosso estilo de vida: estão sempre prontos tanto para nos acompanhar em corridas, trilhas, caminhadas, como deitados ao nosso lado enquanto lemos um livro ou vemos um filme. Mas tenho observado diferenças sutis nos dois.

Pistache, à esquerda; Suzie, à direita
Suzie:
* apegada, mas mais independente: ela não precisa de tanto contato físico, mas gosta de nos ter em seu campo de visão;
* muito ágil, mesmo com quase 11 anos ela pula, corre e não é de se cansar fácil;
* aprende muito, muito rápido;
* não é resistente ao frio e calor extremos;
* agitada, principalmente quando vê outros cães na rua;
* prefere explorar um local novo a ficar perto, apesar de sempre voltar para checar se estamos no mesmo lugar;
* confiante, para elas todas as visitas vieram vê-la.

Pistache:
* extremamente apegado, adora colo, precisa de contato físico e tem horas que parece que quer entrar dentro da gente;
* meio estabanado, derruba as coisas, se cansa mais fácil nas corridas;
* aprende rápido, mas precisa de mais tempo para entender o que se quer dele;
* resistente ao clima;
* calmo, principalmente com outros cães;
* em um local novo, fica ao meu lado, buscando segurança;
* mais medroso, não é tão receptivo com visitas.

Qual o objetivo de eu escrever um post falando disso? Que utilidade tem? Simples: não é porque dois ou mais cães são da mesma raça que reagirão da mesma forma. Cães são indivíduos e cada um tem sua personalidade. Ao selecionarmos uma raça, não quer dizer que o cão por nós escolhido terá o comportamento 100% do descrito pelo padrão: o padrão diz o que podemos esperar, sim. Por exemplo, não podemos esperar que um Whippet seja um cão de guarda ou pastoreio. O padrão apenas nos diz o que esperar de um modo geral. Há as variações de cão para cão.

Outra coisa: não acreditem em locais que dizem que o cão da raça X é difícil de educar, que são burros, teimosos etc. Eu ouvi isso quando conversei com uma pessoa, que os Whippets eram burros demais para serem educados: ela sabe fazer inúmeras coisas. Todos os cães têm a capacidade de aprender, principalmente quando trabalhamos com reforço positivo.

domingo, 21 de junho de 2015

Ensinar seu cão a ficar calmo

Seu cão sabe ficar sem fazer nada, apenas relaxando?

Suzie relaxando sob o sol
Sentar (ou deitar) e ficar calmo é uma das coisas mais importantes que podemos ensinar aos nossos cães. Infelizmente, tendemos a encorajar exatamente o oposto disso. Mas, como fazemos isso? Deixamos nossos cães mais agitados quando falamos com eles, brincamos com eles, quando nos preocupamos se estamos lhes oferecendo bastante atividade, seja num daycare, correndo, indo ao parque, dando brinquedos, brincando mais um pouco. Acredite: eu também faço isso com os meus cães!

Quem é que nunca pensou coisas do tipo:

Será que ele vai ficar bem enquanto eu trabalho?
Será que preciso colocar mais recheio no seu Kong?
Será que neste final de semana ele precisa brincar com algum amiguinho canino?

Mas, do que os cães precisam?
Eles precisam aprender a relaxar: deitar e tirar uma soneca, ou apenas deitar e ficar quietinhos, sem ganir, chorar ou procurar algo pra roer.
Precisam aprender a ter paciência, prestar atenção em nós, fazer contato visual, se adequar em nossa vida.
Precisam aprender a ter auto-controle, podendo assim ir a mais lugares dog-friendly conosco: confiaremos que ficarão calmos em diversas situações, podendo ir com a gente em casas de amigos, a picnics ou mesmo a lojas em que eles possam entrar.
Precisam aprender o "Fica", com e sem distrações.

E, sim, eles também precisam se exercitar, com certeza! Afinal, os exercícios são muito importantes para os cães e, infelizmente, a maioria dos cães não é exercitada o suficiente.

Mas eles precisam ter um equilíbrio entre exercício e tempo para relaxar.

Recentemente escrevi um artigo falando sobre como lidar com cães agitados. Muita gente acha que tem um cão agitado quando, na verdade, tem um cão com energia normal, ou até um com pouca energia, mas que não é exercitado o suficiente e encorajado a ficar meio amalucado.

O que fazemos de errado?

  • Não proporcionamos exercícios adequados, como longas caminhadas ou corridas diariamente.
  • Não reforçamos o comportamento calmo.
Como ajudar um cão a relaxar?
Se você quer um cão mais calmo, coloque em prática as dicas abaixo:
  1. Seu cão está sendo exercitado o suficiente? Se não estiver, exercite-o. 
  2. Recompense o comportamento calmo, ao invés do alucinado. Você lhe dá atenção quando ele está deitado quietinho ou quando está chorando e pulando?
  3. Pratique exercícios que ensinam seu cão a relaxar, como "deita", "fica" e auto-controle. 
  4. Não preencha as 24h do dia do cão com atividades. 
  5. Ensine a ele uma frase que signifique que a brincadeira acabou. Aqui eu uso "Chega" e "Acabou". Uma vez que você diga essa frase, não volte atrás e continue brincando. Quando você diz "Chega" é porque a brincadeira acabou mesmo. 
Estas são minhas dicas para se ensinar um cão a ficar mais calmo. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Rosnar é bom? Sim!

Como assim, rosnar é bom?

Primeiro precisamos entender que os cães não são humanos: eles respondem às coisas de uma forma diferente de nós. Esperar que se comportem como humanos é injusto com eles. 

Imagine um cão roendo seu osso, o tutor chega perto, tenta tirar o osso, o cão rosna e é punido por isso. O que ensinamos ao cão quando fazemos isso? Com certeza tornamos o osso algo ainda mais valioso para ele, o que leva a um aumento da agressão no futuro, caso alguém tente retirar o osso dele de novo.

Outra coisa que ensinamos quando fazemos isso é que o cão não deve rosnar. Mas, por que isso é importante? Lembre: somos espécies diferentes! Os cães se comunicam de forma diferente de nós. Rosnar é algo bom, sim! É o jeito que os cães tem de se comunicarem conosco. Precisamos ouvir o que eles têm a nos dizer ao invés de reprimi-los. Por quê? Porque, se eliminamos a comunicação deles, aumentamos o risco de um desastre no futuro.  

Cães também usam muito a linguagem corporal quando se comunicam. Não apenas o rosnado, mas seu corpo fica tenso. O rosnado é quase sempre precedido da tensão do corpo e do olhar fixo. Estes são sinais não verbais. Um cão consegue percebê-los mas nós, humanos, no geral não conseguimos perceber estes sinais de alerta e acabamos forçando o cão, que então faz uso do aviso verbal, que é o rosnado. A linguagem corporal é o passo um do aviso. 

O passo dois pode ser ou um rosnado ou um simples mostrar os dentes. Veja que o cão tenta evitar uma briga! Ele lança mão de todos os meios antes de atacar. Agora, o que acontece se punimos um cão quando ele está neste ponto? Dependendo do cão, podemos ensiná-lo a não dar aviso algum e levamos uma mordida "do nada", porque não deixamos que ele nos dê o rosnado, que é o aviso mais perceptível para nós, humanos. 

Se continuarmos forçando o cão, ele passa para o passo três: a mordida em si. Pode ser apenas que ele avance e morda o ar. Mais um sinal para nos afastarmos. Se, ainda assim, ignorarmos mais este sinal, aí o cão ataca. Seja um humano, seja outro cão ou animal. Isso é muito comum de acontecer com crianças, que não vão entender nem mesmo o rosnado do cão, ou com adultos que querem "provar quem é que manda". A mordida pode ser grave, principalmente para as crianças, que são mordidas no rosto. 

Então, resumindo: se ensinamos ao nosso cão a não rosnar (punindo-o quando isso acontece), seremos mordidos. Ponto. O cão aprende que é melhor não avisar, afinal, ele é punido quando avisa. Então, ele passa da linguagem corporal para o ataque, de forma muito rápida. Se torna um cão imprevisível. 

O que fazer para evitar problemas assim então? Como fazer com que meu cão deixe eu retirar coisas da boca dele sem que ele rosne e eu o puna, piorando a situação no futuro?

Faça de tudo uma brincadeira. Seu cão está com um osso? Troque-o por petiscos que ele goste muito (um pedaço de queijo, frango, figado etc). Elogie-o por deixar você pegar o osso e sempre devolva o osso para ele. Assim ele vai entender que, quando você chega perto e ele está roendo algo gostoso, ele ganha coisas gostosas e, mesmo que perca o osso, não tem problema, porque você sempre devolve pra ele. Faça isso todos os dias, desde filhote, por uns 5 minutos. Assim você terá um cão que você pode retirar coisas de sua boca (e isso é muito importante, pois ele pode pegar algo perigoso para sua saúde e você vai precisar tirar dele). 

terça-feira, 26 de maio de 2015

A cartilha da alimentação crua

Antes de dar alimentação crua, eu alimentava a Suzie com ração. Adorava procurar a melhor no mercado, ler sua composição, pesquisar sobre elas. Seguia tudo à risca: quantidade correta, segundo o fabricante e acreditava que era a melhor alimentação, nutricionalmente balanceada e que traria a melhor saúde pra minha magrela. 

Mas o tempo foi passando, conversei como algumas pessoas que não ofertavam ração, mas sim a então nova alimentação natural. Mas não acreditava muito, confesso. Até que Suzie começou a ficar sempre doente: seja sofrendo de dermatite, de otite ou de problemas gastrointestinais. Até vermes ela pegou através de ração. O primeiro a me abrir os olhos foi o veterinário, que me indicou uma pessoa que fazia já pronta para vender (algo incrível para mim, que sou vegetariana e não queria mexer em carnes). Isso foi há quase cinco anos. Depois, eu também comecei a pensar "Pôxa, se eu me preocupo com a minha alimentação, dando preferência a alimentos naturais, por que dou um alimento industrializado e processado pra Suzie? Se isso não faz bem pra mim, com certeza pra ela também não.". Com o tempo fui pesquisando eu mesma sobre como formular a dieta dela em casa: sairia mais em conta e eu variaria os ingredientes. 

Hoje, tanto ela quanto Pistache comem alimentação crua, biologicamente apropriada, e a saúde deles é incrível. Há melhora na disposição, de pelagem, de saúde e emocional. Só vi benefícios.

Quando comecei não havia muitas informações disponíveis em português, então também pesquisava em sites internacionais e também achei livros muito bacanas sobre o assunto. 

Comecei meio que sozinha, com ajuda aqui e ali, tendo sorte dos veterinários que eu conversava serem favoráveis (apesar de não saberem prescrever) a mudança da alimentação. Sabendo que é um trabalho árduo, devido à falta de informações e, em alguns casos, até desencorajamento de terceiros, deixo aqui uma cartilha que encontrei nas minhas pesquisas, com tudo sobre a alimentação crua, mas de forma bem resumida. 

GUIA
Os pontos-chave são:

  • Varie sempre.
  • A proporção entre cálcio e fósforo deve ser de 1:1. Carnes são ricas em fósforo, ossos são ricos em cálcio. Presas inteiras, peixes e ovos tem a proporção balanceada. 
  • As vísceras não devem exceder os 15% da dieta. Não sirva fígado sempre, varie entre as vísceras (coração bovino e de frango, e moela são consideradas carnes). 
  • Se acostume a oferecer "carnes estranhas", como pés, cabeça, pescoço de frango e peru, traqueia, rabo, rim, testículos. Traqueia, pés de frango e peru são ricos em condroitina e glucosamina, que ajudam a ter articulações saudáveis.
  • Quando oferecer porco ou salmão, congele as carnes por pelo menos uma semana antes de oferecê-la (e prefira alimentar com salmão selvagem).
  • NUNCA ofereça ossos cozidos. Os ossos crus são digeridos facilmente pelos cães. Por segurança, supervisione sempre as refeições.
Sempre que possível, prefira carnes de animais criados soltos e sem hormônios e antibióticos. 

O QUE OFERECER
Uma preocupação comum quando mudamos da ração para a alimentação crua é que "ela não é completa nem balanceada". Não é verdade, por dois motivos. Primeiro, ninguém sabe ao certo o que é uma refeição completa e balanceada. Segundo, uma refeição balanceada acontece com o tempo: cada refeição não precisa ser completamente balanceada, desde que consigamos suprir as necessidades nutricionais dos cães a longo prazo. Você não calcula as porcentagens exatas de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais nas suas refeições, e não precisa fazer isso com os cães. Se você variar a alimentação, conseguirá o equilíbrio. 

Aqui em casa a maior parte da dieta é de ossos carnudos crus (60%), que incluem carcaça de frango, pescoço, asas, pescoço de peru. 

Ossos
Ossos longos não são considerados ossos carnudos crus e não devem ser oferecidos nem como ossos recreacionais. Ossos recreacionais interessantes são joelho de porco e bovino e pés de porco. Ofereça 1 a 2x na semana. Além de entreter por algumas horas, ajuda na limpeza dos dentes. 

Peixe
Os peixes podem ser oferecidos 1 ou 2x na semana, pois são fonte de ômega-3. Ofereça-os crus também. Há também a opção de suplementar o ômega-3 através de cápsulas de óleo de peixe. para cães com problemas articulares, a suplementação é fortemente recomendada. O óleo de linhaça também é fonte de ômega-3, mas os cães não são capazes de absorvê-lo tão bem quanto nós. 

Vísceras
Aqui em casa as vísceras fazem parte da dieta em uma pequena parte (15%). Podem ser de frango, porco ou bovina. 

Carnes
Também entram em 15% da dieta. Qualquer carne pode ser oferecida, entre elas coração. 

Ovos
Oferecidos crus e com casca (proporção perfeita de cálcio e fósforo), devem ser dados 2 ou mais vezes na semana. Talvez você tenha ouvido que a clara do ovo crua tem uma proteína que limita a biotina, e isso é verdade. Para evitar deficiências, ofereça junto com a gema. A gema, aliás, é a parte mais nutritiva: são excelente fonte de magnésio, cálcio, ferro, folato vitaminas A, E e B6. Prefira oferecer ovos orgânicos. 

Frutas e vegetais
São benéficos como suplementos. Os vegetais devem ser batidos no liquidificados. Os cães não conseguem obter todos os nutrientes dos vegetais se eles não forem batidos. Vegetais verde-escuros são ricos em vitamina B. Frutas maduras são mais facilmente digeridas e também contém vitaminas. Outros alimentos vegetais que são aliados da boa nutrição são salsinha, açafrão, gengibre e alho (em pequenas quantidades). Não oferecer carboidratos (batatas de nenhum tipo, inhame, cará etc). 

Grãos?
Na minha opinião, não são alimentos naturais para os cães, por isso, não fazem parte da dieta dos meus. Os cães conseguem digerir grãos, por isso às vezes os incluo no preparo de petiscos. Mesmo assim, prefiro não dar nenhum grão. 

QUANDO ALIMENTAR
Os meus comem duas vezes ao dia: café da manhã e janta. Filhotes devem ser alimentados de 3 a 4x ao dia. 

Não é um bicho de sete cabeças: depois de pouco tempo já adquirimos prática. Lembre-se de variar as carnes e animais oferecidos.

QUANTO OFERECER
Em geral, de 2 a 3% do peso corporal ideal do cão adulto (veja bem, IDEAL, não o peso atual). Se o cão for muito ativo, pode ser que ele precise de mais comida. Para saber se você está dando a quantidade ideal, avalie o escore corporal do cão. 

Escore corporal dos cães

Para filhotes, as porcentagens variam de acordo com a idade, mas sempre baseado no peso IDEAL:
Filhotes de 2 a 4 meses: 11% - 9%, 4x ao dia
Filhotes de 4 a 6 meses: 8% - 6%, 3x ao dia
Filhotes de 6 a 8 meses: 6% - 5%, 2x ao dia
Filhotes de 9 a 12 meses: 4% - 3%, 2x ao dia

Conclusão

De um modo geral, é fácil seguir as dicas. Com o tempo, você fica mais confortável com a nova dieta de seu cão e vê resultados na pelagem, dentes limpos e sem mau hálito, menos problemas de saúde.

O que escrevi aqui não é uma receita, mas dicas gerais. Além de ser o modo como escolhi alimentar meus cães. Se você for buscar mais informações sobre o assunto, verá que há muita coisa hoje e, como eu, terá sempre muito o que aprender.