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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Como treinar dois cães

Para conseguir treinar dois cães ao mesmo tempo, juntos, é um deles ficar deitado na caminha (ou numa cadeira, almofada, mat, sofá, qualquer lugar) enquanto se treina o outro cão.
Os pré-requisitos básicos (a meu ver) para que se tenha sucesso treinando os dois cães juntos são:
1. O cão já saiba ficar quieto na caminha dele (ou no mat, qualquer lugar) por cinco minutos enquanto é recompensado.
2. Ele consiga ficar na caminha com distrações moderadas (você andar em volta dele, se distanciar dele, pular, trotar, derrubar um petisco, jogar um petisco longe, andar com um brinquedo na mão etc). Isso porque o outro cão treinando, recebendo petiscos e fazendo comportamentos, será uma enorme distração.
3. Há comandos específicos para cada cão. Aqui eu uso o nome de cada um para que eles saibam quem pode sair da posição e quem deve permanecer nela.
4. É fundamental que os dois cães se conheçam e não sejam agressivos um com o outro.
E mais uma coisa importante: você deve se concentrar no cão que está esperando na caminha. Parece óbvio, mas muita gente recompensa mais aquele que está fazendo as performances fora dela e se esquecem do que está lá, deitado, pacientemente e vendo todas as distrações. Aí não dá certo.
Cada cão deve receber a recompensa pelo seu trabalho, assim o que está na caminha entende direitinho que é recompensado por ficar ali, não importa o que esteja acontecendo.
Aqui eu não recompenso os dois ao mesmo tempo, e sim recompenso um de cada vez.
Cães que vivem com outros cães em casa aprendem rapidinho que eles nem sempre vão ganhar um petisco quando seu irmão ou irmã ganham um, o que é muito bom.
Mostre ao cão que ele é o centro do treino
Temos que fazer de tudo para mostrar ao cão que está na caminha que ele é o centro do treino.

Para começar, mostre ao cão que ele vai trabalhar. Aqui, o fato de eu pegar as caminhas (ou os mats) e os apetrechos de treino (petiscos, potinhos, pochete – em alguns casos), brinquedos, pedacinhos de madeira etc, já indicam que eles irão treinar.

Tudo isso mostra para eles que o treino vai começar: e eles adoram isso.

Como fazer
  • Pego os petiscos
  • Treino um pouco com aquele cão que vai ficar na caminha antes de chamar o outro (no vídeo eu já tinha feito um pouco com a Suzie antes da entrada do Pistache, mas só filmei com os dois já juntos). Treino um pouco com distrações e tudo o mais.
  • Aí entra o outro cão em cena.
  • No vídeo, quis fazer poucas coisas com o Pistache, e intercalei também em deixar ele na caminha com chamar a Suzie para ser o cão distração.
  • Quando trabalho assim, não uso o “OK” como forma de liberar um deles individualmente, uso o nome de cada um (Name Game). Só uso o “OK” no fim da seção.

Liberar
Como eu disse acima, libero usando o nome do cão, deixando o “OK” para o final da seção de treino, quando os dois podem sair e fazer outra coisa que não treinar. Para isso, ensino o nome deles, de uma forma fácil: digo “Pistache” e dou um petisco para ele; digo “Suzie” e dou um petisco para ela. Repito bastante e depois eu “provo” o comportamento: digo o nome de cada um deles fora da sessão de treino. Se eles responderem, é porque aprenderam.

E aí?

Algumas vezes eu troco os cães de lugar (um sendo o da caminha e o outro sendo a distração), porque isso os incita a querer trabalhar mais (Premack Principle, um comportamento pode reforçar outro comportamento). A maior recompensa para o cão que está quietinho na caminha é ser o cão distração depois! 

Fiquem com o vídeo:
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sábado, 30 de julho de 2016

Comida de Pet


Como vocês sabem, alimentamos nossos magrelos com alimentação natural crua. E nada mais legal que, ao ensiná-los, usarmos petiscos naturais, com ingredientes saudáveis e sem conservantes, não é mesmo?

Pois bem. Esta semana recebemos um presentão da Comida de Pet: petiscos caseiros que agradaram muito nossos pequenos. Tudo é feito com tanto carinho que não deixaram escapar nenhum detalhe: capinha de joaninhas, cartinha desejando que eles sejam felizes e ainda as opções de petiscos vendidos. Quer mais? Entregam em todo o país!
Suzie e Pistache esperando, pacientemente, para
poder comer os petiscos: saborosos.

O potinho com a capa de joaninha e ainda
o cartão dizendo do que é feito: dedicação.
Quer conhecer mais a empresa? Acesse a página do facebook aqui. E, abaixo, a história de como tudo começou.

Bom apetite!

A Comida de Pet surgiu com a necessidade de fazermos comida para nosso cachorro, Argus. Argus é um cachorro especial de todas as formas. Chegou a nossas vidas com cinco meses de idade. Era o “macho disponível” que estava em promoção por não ter sido vendido com 60 dias...rs Quando tinha oito meses descobrimos que ele tinha uma doença muito grave e que requer cuidados específicos. Aprendemos muito, gastamos muito, pesquisamos muito e o amamos muito. Depois de tentar de diversas formas que ele se alimentasse com vontade, ou ao menos se alimentasse, começamos a utilizar a alimentação natural e ele passou a comer tudo do mais natural possível. Enjoou da comida natural e agora voltou à ração, mas optamos por uma mais natural possível. Com todo esse período de aprendizado, acabamos nos aperfeiçoando em sua alimentação. Como vó que sou, me dediquei a cuidar de sua alimentação e buscar alimentos nutritivos e saborosos. Meu neto de quatro patas fez essa vovó de 61 anos voltar a trabalhar. Alguns amigos começaram a encomendar os petiscos do Argus e é assim que nasce a “Comida de Pet”, preocupada com a alimentação saudável e saborosa para aqueles que nos oferecem seu amor incondicional. As primeiras linhas de produtos são de biscoitos e o nosso diferencial são aqueles no formato de adestramento. Os biscoitos da vovó já foram provados e aprovados pelo Argus, pela veterinária dele... sim ela comeu vários. Agradecemos a confiança de todos em nosso trabalho e saibam que são feitos com muita dedicação e carinho. - Sônia de Lima

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Lei de igualação, ajudando na educação

Escolhas… Todos nós, humanos e animais, fazemos nossas escolhas baseados nos resultados que obtivemos de consequências do ambiente. Alguns exemplos: latir para chamar atenção ao invés de deitar (porque, provavelmente, nós damos mais atenção – por meio de broncas, que também são um tipo de atenção – quando ele late do que quando vai deitar na caminha dele). Em comportamento aplicado, isto tem um nome: “lei da igualação” (tradução livre de “Matching Law”). Esta lei influencia não apenas diretamente o comportamento do animal, mas também a eficiência no treino dele.

As escolhas que fazemos são o resultado de inúmeras variáveis, tais como a quantidade de recompensas (quantas vezes fomos recompensados por certo comportamento), a qualidade da recompensa (o quanto a apreciamos), ou o atraso da recompensa (o quão cedo a recebemos). As chances de escolher um comportamento em detrimento do outro estão diretamente relacionadas a quanto este comportamento foi recompensado. Digamos que o cão foi recompensado 10 vezes quando sentou à sua frente e 5 vezes quando sentou ao seu lado. Como resultado, este cão tenderá a sentar mais à sua frente que ao seu lado.

Esta lei foi “descoberta” por R. J. Hernstein. Ao trabalhar com pombos, percebeu que eles bicavam mais um botão que o outro e isto estava diretamente relacionado com as recompensas que recebiam. Por exemplo: se 70% das recompensas eram dadas quando eles bicavam o botão direito, o pombo bicaria o botão direito 70% das vezes, por isto o termo “lei da igualação”.

Por que é importante termos em mente esta lei quando trabalhamos com cães ou outros animais? As razões são:

1 → Se confrontados com dois comportamentos possíveis, um animal tende a escolher aquele que foi mais recompensado. Por isso é importante proporcionar condições nas quais fazer a “escolha certa” seja mais fácil que a outra alternativa. Um treino eficiente inclui manejar o ambiente para que as “escolhas certas” precisem de pouco esforço para serem realizadas e recebam muitas recompensas imediatamente. Um exemplo é, quando mantemos um filhote confinado ou sob constante supervisão enquanto o levamos para o banheiro a cada meia hora e o recompensamos quando fizer xixi e/ou coco no lugar certo. Quanto menor o número de acidentes, mais rápido e mais eficaz é o treino.

2 → Cada vez que recompensamos comportamentos indesejados, reduzimos a força dos desejados. Se queremos um “senta” perfeito, alinhado em relação ao nosso corpo (exigência em competições), devemos evitar recompensar qualquer “senta” que não se enquadre neste critério, ou se o cão se sentar devagar demais. De acordo com a lei de igualação, a cada “senta” errado que recompensamos, menores as chances de obtermos o “senta” perfeito.

3 → Quando usamos shaping, quanto mais tempo ficamos em um comportamento intermediário, mais forte este comportamento se torna. Se tentamos que cada passo seja perfeito antes de irmos para o próximo, ao invés de irmos muito rápido, tornamos estes comportamentos mais fortes e, consequentemente, com mais tendência de serem repetidos. Acreditamos que quando trabalhamos com o shaping em um comportamento o tornamos mais forte. Se aplicamos a lei de igualação, isto não é verdade. No shaping, leva-se cerca de 20 a 40 (ou mais) repetições para conseguirmos o comportamento desejado. Durante uma sessão de treino, tendemos a recompensar o cão mais vezes nos comportamentos intermediários que no comportamento final. Quando usamos o luring, ou seja, quando guiamos o cão, o comportamento desejado é alcançado mais rápido então, no final, este comportamento (o final) terá um histórico de recompensas maior que os intermediários.

4 → Precisamos nos certificar de não recompensar comportamentos que não queremos. Se estamos ensinando o cão a sentar e o recompensamos quando ele colocar seu peso de lado (ele vai sentar “tortinho”), este comportamento é que será repetido. Se não quisermos competir em obediência, isso não é um problema. Mas, se nosso objetivo são as provas, nos livrar deste comportamento errado demandará muito mais tempo do que treinar certo desde o começo.


São apenas alguns exemplos de como a lei de igualação influenciam a eficácia de nossos treinos. Também podemos ver como ela funciona na modificação de comportamentos. No treino de cães podemos identificar muitos casos onde esta lei se aplica e pode ser usada para modificar o ambiente para resultados melhores e mais rápidos. 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Será que ignorar um mau comportamento funciona?

Nem sempre. E ignorar um comportamento não é uma parte importante da educação dos cães.
Muitos dizem que quem usa o método do reforço positivo para educar os cães só ignora o mau comportamento. Mas isso é um mal entendido, típico de quem confunde o treino dos cães com punição. Se alguém acha que um adestrador que usa reforço positivo não faz nada para diminuir um comportamento, então ignorar é a única opção. Mas não é bem assim.
Ignorar um comportamento indesejável não é algo de extrema importância na educação pelo reforço positivo. O que fazemos, na verdade, é evitar que um comportamento indesejado aconteça e, se acontecer, o interrompemos desde o início. Ou você acha que só ignoramos quando um cão pula em uma pessoa idosa ou em uma criança pequena? Se um cão repete um comportamento, ele tende a ficar mais forte, então deixar que o cão pule sem interromper a ação não adianta nada. Digamos que você acorda domingo e seu cão pula em você. Na segunda você acorda e ele também pula em você. Na terça e na quarta também. O que você acha que vai acontecer na quinta-feira?
Ignorar um comportamento faz parte de um plano de treino, mas é feito de forma controlada e em conjunto com um comportamento incompatível (um cão não pode pular e sentar ao mesmo tempo, por exemplo).
O lado ruim de ignorar um comportamento é que isso é muito difícil de se fazer. Mas lembre-se que você não vai apenas ignorar um comportamento, mas vai trabalhar para ensinar algo que você ache melhor para que ele deixe de fazer aquilo que não é legal.
Por quê só ignorar não funciona?
1. Não dar atenção a um comportamento achando que ele vai simplesmente desaparecer é acreditar que a atenção é a única recompensa para aquele comportamento. Pular é um exemplo clássico. Se a gente só ignorar um cão que pula, dando as costas pra ele, ele vai continuar pulando, mas nas nossas costas. O problema é que os cães gostam de pular, então o pular em si já é uma recompensa para eles, você dando ou não atenção. Ignorar um cão assim, não vai te levar a lugar nenhum.
2. Se o comportamento continua por causa de atenção, não conseguimos aguentar por muito tempo ignorando o cão. Aqui vamos usar o latido como exemplo. Seu cão late assim que você senta para comer. Geralmente você dá um pedacinho de comida pra ele. Um dia você decide que já chega. Você já cansou dessa latição toda e decide que não vai mais dar nada pra ele enquanto estiver comendo. Será que você consegue? Mesmo seu cão estando confuso e fazer aquela carinha de esfomeado, olhando para você? Ele só quer um pedacinho de queijo e, fala a verdade, você gostava de dar o queijo pra ele. Se você ignora a latição por 45 minutos e desiste e dá logo o queijo “porque não aguenta mais”, você perdeu. Estes 45 minutos serão seus inimigos, afinal, você ensinou seu cão a ser super persistente. Mesmo que você ignore por mais tempo na próxima vez e não dê o queijo… o que dizer de outras pessoas que vivem com você, os amigos e parentes que vêm te visitar? Eles vão fazer isso, sempre? E outra: isso é justo para o cão? Ele está apenas fazendo um comportamento que sempre foi recompensado antes e agora, de repente, não funciona mais.
3. Achamos que estamos ignorando, mas há uma “recompensa ilícita”. Esta é uma ramificação do número 1. O comportamento pode não ser auto-recompensador, mas há um a recompensa disponível, que não controlamos. Digamos, estou ensinando o “fica”. Ele sai da posição e vem na minha direção e eu o ignoro. Então, ele vai cheirar a grama. Nada produtivo ter ignorado o cão: ele foi recompensado por ter ido cheirar a grama!
4. Ignorar não ensina qual é o comportamento que desejamos. Quando mudamos um comportamento, precisamos ensinar um novo para ficar no lugar daquele outro. Se deixamos por conta do cão, vamos acabar com um comportamento ainda pior que o original. Então, ao invés de simplesmente ignorar o que não gostamos, é mais eficaz e mais humano ensinar um comportamento diferente e fazer o cão praticá-lo. Quando queremos eliminar um comportamento que encaramos como um problema, interferimos em algo que funcionava para o cão. Para sermos justos, ensinamos ao cão o novo comportamento e nos certificamos que este seja mais recompensador que o anterior.



As dificuldades quando precisamos ignorar
O número 4 diz que, algumas vezes, podemos ignorar um comportamento quando recompensamos outro. É aí que ignorar o comportamento ajuda no processo de educação. Mas ignorar é complicado.
O que é ignorar? Mesmo quando precisamos ignorar um comportamento como parte da educação, pode ser difícil pra caramba. Quando estamos lidando com comportamentos que são feitos em parte por causa de atenção, qualquer tipo de atenção será encarada como recompensa. Os cães nos leem muito bem. Se ele está pulando em você e te arranha, você dá um grito. Isso não é ignorar e pode ser encarado como recompensa. Se o filhote está incomodando seu cão mais velho enquanto você dá atenção a ele, você afasta o filhote. Isto também não é ignorar e pode ser encarado como recompensa e pior: ele pode achar que você está chamando-o para brincar. Até olhar para o cão é encarado como recompensa. E acredite: é super difícil para de olhar para o cão. Se for preciso, abra um livro mas não olhe para ele!
A dica é: trabalhe comportamentos alternativos (incompatíveis) e recompense-os muito! Ignorar o mau comportamento faz parte do plano, mas apenas se você ensinar o que é certo também.
Não recompensar não é ignorar
Quando ensinamos um novo comportamento e não recompensamos aquilo que não atinge o esperado, não estamos ignorando. Na maioria dos casos, nossa atenção está totalmente voltada para o cão. Sim, é verdade, nossa atenção pode ser uma forma de recompensa, mas seu poder é ofuscado pela recompensa melhor que usamos quando ele faz aquilo que queremos. Atenção + comida (ou brincadeira) é uma recompensa muito melhor que só a atenção. Por isso que uso comida e brincadeira quando educo.



Quando ignorar é bom
Alguns cães chegam em nossas casas tão assustados que ignorá-los é benéfico. Isto vai contra nossos instintos, de tentar acolher. Isso é muito comum de acontecer quando adotamos um cão adulto, um filhote de fábrica de filhotes, um cão que sofreu abusos: queremos lhe dar amor. Mas essa nem sempre é a melhor solução. Ignorar pode inclusive dar mais confiança ao cão.

Usando o exemplo do Pistache. Ele chegou para mim já adulto, veio de um lugar onde conhecia todo mundo, e chega em outro lugar onde não conhece nada e nem ninguém. Normal ficar com medo. O que eu fiz? O ignorei. Por dois dias. Foi extremamente difícil, mas isso deu a ele uma confiança absurda na gente, foi se tornando mais seguro do ambiente em que vivia e se soltou. Hoje, é um cão confiante e sabe que pode contar comigo em qualquer situação. 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Dar a pata

Aqui publico um vídeo demonstrando como se pode ensinar um cão a dar a pata, sem precisar ficar pegando na pata dele.

Suzie, a modelo,  já sabe como fazer isso. Mas, basicamente, você precisa ter petiscos na sua mão e colocá-la, fechada, na frente de seu cão. Ele vai lamber pra tentar comer e também dar patadas. Quando ele der a patada, você diz "ISSO" e dá o petisco. Você pode fazer isso com as duas mãos.

Assim que seu cão já tiver entendido a brincadeira, ofereça a mão aberta. Quando ele colocar a pata na sua mão, diga "ISSO" e dê o petisco com a outra mão.

E se ele não der a pata neste passo? Faça mais algumas repetições com a mão fechada e o petisco dentro.

O comando de voz a gente só coloca depois de um tempo e DEPOIS de o cão ter dado a patinha. Para testar se ele entendeu o comando, depois de algumas repetições, vc fala "dá a pata". Se ele der, é porque entendeu direitinho. Se não der, faça mais algumas repetições.

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Bom treino!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

No aprendizado a raça faz diferença?

A educação dos cães é muito importante e necessária. Ela é essencial para que eles consigam se adequar a quase todo tipo de situação, mas somente educá-los não é garantia de lhes oferecer bem-estar. Cada indivíduo é único, a educação é importante e a genética, queiramos ou não, também, por isso não podemos deixá-la de lado.

Mudanças para satisfazer nossas necessidades
Os cães, que nos acompanham ao longo das civilizações, se adaptaram aos nossos povoados e, depois, se tornaram “ferramentas” importantes para nossa vida.

Começamos a exigir deles comportamentos e aspectos determinados, criando-os para isso. Moldamos desde o seu tamanho até sua tolerância a contato físico, sem esquecer sua mordedura, comportamento, cor e comprimento da pelagem etc. Tudo de acordo com nosso gosto.

Sejam desenvolvidas naturalmente ou por seleção artificial, o fato é que hoje existem centenas de raças reconhecidas, inclusive algumas com problemas variados, como machos que não conseguem fecundar as fêmeas, fêmeas que não podem ter um parto natural devido ao tamanho da cabeça dos filhotes, cães com dificuldades respiratórias, problemas de coluna, de quadril, má formações genéticas etc.

A conduta de nossos cães será a combinação da genética com a educação. Como ambas são fundamentais, não podemos esquecer de nenhuma!

As aparências enganam?
Vamos pensar nos cães selecionados para as tarefas de antigamente: para quê eram eficientes?; quais as funções, hoje em dia, dos antigos cães pastores, de guerra, caçadores, rastreadores? Nesta descrição, entram cães como os conhecidos Pastores Alemães, Pointers, Galgos, Mastifes, Terriers, entre outros (para saber mais, a FCI os classifica em 10 grupos de acordo com sua função).

É evidente que há diferenças importantes entre os grupos de cães, além da sua morfologia. A seleção para desempenhar funções concretas influi também nas diferenças comportamentais. Traduzindo: nossos cães de “companhia” podem ter tanto características que nos chamem a atenção como problemas de comportamento.

Exemplos
Foi-se criada uma raça para o trabalho e, para isso, ela deveria gostar de trabalhar, e trabalhar muito. Ela tem muita necessidade de trabalhar. Sim, estou falando do Pastor Belga Malinois: pode ele ser feliz se não trabalhar? Depende. Podemos fazer com que ele trabalhe em outro tipo de coisa, a menos que você queira que o trabalho dele seja destruir sua casa. Agora, com certeza ele será muito mais feliz e, até mais equilibrado, se respeitarmos a sua individualidade e dermos a ele algo com que se ocupar, seja fazendo agility, obediência, trekking etc.

Aqueles cães lindos que nadavam para levar a presa são hoje os sociáveis e amigáveis Retrievers. São cães que estão sempre dispostos a qualquer coisa, inclusive aprontar em casa, se não lhe dermos coisas úteis para fazer.

Há também o famoso Border Collie, que hoje é muito conhecido por pastorear crianças. Mesmo que você conheça um que não o faça, é característico da raça sua movimentação, sua cautela, seu olhar fixo e sua disposição para o trabalho, para aprender, para os esportes caninos.

O Beagle é um ótimo exemplo de um cão rastreador: sente um odor, se fixa nele e nada o faz parar de segui-lo.

E os cães de caça que adoram qualquer pessoa? São os Setters e Pointers. Provavelmente sejam assim porque antigamente os caçadores os emprestavam uns para os outros e, assim, trabalhavam com qualquer pessoa.

Ainda que existam os Terriers maiores, já percebeu que os menores, apesar de usados como cães de companhia, nem sempre são amigáveis, latem bastante, são ousados, algumas vezes não se dão bem com crianças pequenas? Sua origem lutadora e de trabalhador solitário contribuem para essas características.

Resumindo
O que isso quer dizer? Que todos os cães de uma mesma raça agem da mesma forma? Não! Mas saber a sua origem nos faz levar em conta suas necessidades , supri-las e usá-las a nosso favor para termos um cão mais equilibrado e feliz.

A educação que damos aos nossos cães é muito importante mas não podemos esquecer que muitos deles foram feitos para desempenhar determinada função e muitas vezes somos os responsáveis por suprir suas carências para não nos defrontarmos com problemas de comportamento “típicos” de determinada raça ou grupo de cães.


Saber o passado de nossos cães nos ajudará a melhorar seu presente. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Porque não usar "Não"

Vamos direto ao ponto: o “não” não informa nada ao cão. E, quando educamos um cão, queremos dar instruções sobre o que ele PODE fazer. Então, por que os cães erram? Simplesmente porque ainda não entenderam o que queremos deles ou por estarem confusos em relação ao que os ensinamos. E o que fazer quando eles cometerem um erro? Simplesmente não recompensar e voltar o exercício em um ponto onde ele compreendia.

No começo eu também achava que precisava falar sempre “não”, pra ensinar o certo e o errado. Mas o que aquela palavra boba significava? Dava alguma informação que a Suzie (no caso) precisava para fazer o certo?

Uma palavra confusa
Vamos imaginar um cão que pula. Aí ele ouve um “não!” bem dado. Que informação essa palavra deu ao cão? Porque o cão não estava apenas pulando: ele estava feliz, respirando, se aproximou de alguém. E o que aquele “não” quis dizer? A pessoa é perigosa? Para o cão, isso é extremamente confuso, porque são várias ações que ele fazia, além de pular. O que fazer, então? Ao invés de falar “não”, ensine-o a fazer outra coisa, algo que você queira. Ensine-o a sentar ao se aproximar de uma pessoa, por exemplo. E recompense-o quando ele fizer isso. Muito mais informativo que ficar gritando “não” toda hora. E não resolve, concorda?

Quando ensinamos um comportamento complexo, onde o cão precisa fazer várias coisas, a palavra “não” não deixa as coisas mais fáceis para o cão. Se você gritar “Não!” quando ele fizer uma parte errada, como ele vai saber qual foi a parte que ele errou?

Como eliminar essa palavra de nosso vocabulário? Procure se comunicar melhor, se esforce para passar informações para seu cão.

Nós não falamos “não” direto para outras pessoas, por que faríamos para nossos cães?

Recompensa X Não recompensa
Os cães, assim como nós, decidem o que fazer com base no que eles foram ou não recompensados.

Digamos que você está ensinando seu cão a tocar com a pata um determinado objeto, mas ele toca com o focinho. Simplesmente não o recompense. Deixe ele pensar no que é para ser feito. Não diga “não”, que não informa nada ao cão. Neste caso, ajude seu cão a ter sucesso em uma nova tentativa: torne o exercício mais fácil.

Se for um comportamento complexo, composto de várias pequenas partes (como puxar uma gaveta, retirar algo de dentro dela, entregar a você e se sentar a sua frente), trabalhe um comportamento por vez.

Quando recompensamos os acertos e ignoramos os erros, comunicamos ao nosso cão exatamente o que queremos que ele faça.


Ao fazermos isso, nossa relação com os cães fica baseada em comunicação e entendimento, ao invés de confusão, medo e advertências. Assim, nossos cães farão o possível para fazer o que queremos. Se isso não acontecer, a culpa certamente não é de nossos cães: ou estamos falhando ao educá-lo ou não passamos informações claras o bastante para eles. 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Efeitos do adestramento no cérebro canino


Recentemente li um gráfico que mostra os benefícios do adestramento no cérebro dos cães. As descobertas são incríveis! Vejam:

O adestramento estimula a área cerebral responsável pelo prazer;
Aumenta a liberação de ocitocina (hormônio do prazer);
Reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse);
Faz seu cão querer repetir bons comportamentos;
Melhora a capacidade de seu cão de ler a linguagem corporal;
Aumenta respostas apropriadas para comandos verbais;
Os cães se sentem mais confiantes em casa e em público;
Os cães associam seus tutores com coisas positivas e divertidas;
Os cães se tornam mais felizes, menos ansiosos e mais sociáveis.;
Proporciona estímulo mental, que é essencial para se criar um cão equilibrado;
Estreita o vínculo cão e dono.

Estimule o cérebro de seu cão com o adestramento e obtenha vários benefícios, tais como: melhorar a inteligência do cão; torna o cão mais sensível às mudanças no ambiente, não apenas as atmosféricas, mas também às nossas emoções; pode suprimir até mesmo seus mais fortes instintos; o cão se torna mais capaz de perceber e interpretar os sinais que recebe do ambiente onde vive; e também o torna capaz de pensar por ele mesmo, como vemos quando cães salvam vidas humanas em várias situações.

Assim como o nosso, o cérebro canino é dividido em duas partes principais:
1. Cérebro: controla o aprendizado, as emoções e o comportamento.
2. Cerebelo: controla os músculos.

A funcionalidade e o tamanho do cérebro aumentam através de:
1. Novos locais para explorar;
2. Mais interação com outros animais e pessoas;
3. Maior estimulação sensorial.

Algumas maneiras de se ensinar o cão
1. Comportamento alternativo: é um comportamento desejado que você ensina no lugar de um comportamento indesejado. Ao recompensar este outro comportamento com petiscos, o cão fica mais motivado a executar este novo comportamento que o antigo, que consideramos ruim. Um exemplo de comportamento alternativo é ensinar o cão a tocar um sininho quando estiver com vontade de fazer xixi ou cocô (ao invés de fazer pela casa e em lugares inadequados). Ser recompensado por tocar o sino (com petisco e com sair para se aliviar) é muito melhor que não receber nada ou, pior ainda, levar uma bronca por ter sujado o tapete da sala.

2. Capturar um comportamento: é aquele comportamento que seu cão faz naturalmente e você recompensa, como por exemplo, fazer xixi no quintal. Quando você dá um petisco ao filhote / cão toda vez que ele faz xixi no quintal, ele associa o quintal como um local muito mais agradável para o banheiro. Isso ajuda o cão a ter bons hábitos sanitários.

3. Comportamento incompatível: um comportamento simples que seu cão pode fazer que o impede diretamente de fazer um comportamento indesejável. Uma maneira de usá-lo a nosso favor, por exemplo, com um cão que adora perseguir coisas, é sempre recompensar seu cão por fazer contato visual com você sempre que ele vir algo. Fazendo isso, os cães podem ser treinados para olhar para seus donos para saber o que fazer quando algo novo aparece no ambiente, mesmo se forem gatos!

Os 4 melhores “estimuladores” da memória
Educação regular;
Bastante exercício;
Boa nutrição;
Socialização.

A educação melhora a função cerebral de seu cão
Fisicamente altera a estrutura do cérebro;
Aumenta o número de circuitos cerebrais usados;
As habilidades de solucionar problemas melhoram;
Previne disfunção cognitiva canina e perda de memória.


Com base nestes dados, que tal começar hoje mesmo a ensinar seu cão? Lembre-se sempre de não puni-lo, apenas recompensar o comportamento desejado. E, ao procurar um adestrador, certifique-se de que ele use reforços positivos. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Brincadeiras entre cães: quando devemos interferir?


Ver cães brincando entre si é muito gostoso. Mas, será que sabemos que está tudo bem na brincadeira entre eles? Quando devemos intervir?

Normalmente um conselho que nos dão é "deixe que eles vão se entender, eles resolvem suas brigas sozinhos", mas é o pior conselho que se pode dar. Primeiro porque o cão que está atormentando o outro é recompensado (comportamento auto-recompensador, por ser divertido pra ele) e, segundo, porque aquele que está sendo importunado vai pensar que todas as interações entre cães serão assim e ele tenderá a demonstrar agressividade para se defender.

Então, como saber se devemos deixar os cães brincando ou se devemos separá-los?

O que é aceitável
Aqui não precisamos intervir em nada: os cães estão se divertindo, os corpos relaxados. Se estiverem brincando de pega-pega, é bom que alternem entre os cães, numa proporção 50-50 ou 60-40. Se não há essa troca entre eles, um ficará sempre tentando se esconder e é nessa hora que a brincadeira precisa ser interrompida. O dono do cão "perseguidor" o chama e tira-o da brincadeira. Por isso que ensinar o VEM é muito importante: se seu cão ainda não souber, é bom deixá-lo interagir com uma guia longa.

Vocalizar é normal: alguns cães gostam de brincar rosnando e latindo. Repare no corpo deles: se estiverem relaxados, não tensos e tentando fugir, a brincadeira está boa e pode continuar.

O que é questionável
Se as coisas estiverem ficando estranhas, é melhor separar a brincadeira. Como saber disso? Leia abaixo:

  • se um dos cães está sempre sendo perseguido e há mais de um cão envolvido, pare a brincadeira. 
  • cabo de guerra: é uma boa brincadeira, mas fique de olho para ver se não estão disputando o brinquedo de forma mais agressiva, ao invés de apenas brincando. 
  • perseguir outro cão é questionável também, por ser o primeiro estágio de passar a caçar aquele cão. 
O que é inaceitável
Nestes casos, deve-se realmente parar a brincadeira, porque um deles não estará se divertindo. Sinais comuns são:
Colocando outro cão de barriga para cima:
totalmente inaceitável
  • morder o pescoço ou outras partes do cão
  • ficar latindo na cara do outro cão. É perigoso, porque o outro cão pode se irritar e morder, como se dissesse "cai fora!"
  • muita excitação ao brincar
  • montar. Não é algo sexual, mas pode indicar uma ansiedade no cão que monta, um jeito de chamar a atenção para brincar, mas é inapropriado. 
  • avançar, sem chegar a morder o outro cão. Cães que agem assim querem distância, e não brincadeira. 
  • colocar a cabeça no ombro do outro cão. Isso é rudo e invasivo na linguagem canina. 
  • bater com o corpo em outros cães
  • colocar o outro cão no chão de barriga pra cima
  • formar uma gangue de cães para perseguir um único cão. Pode acontecer em grupos de brincadeira já formados e com a entrada de um novato. Extremamente intimidador e deve ser parado na hora!
  • brincar sem supervisão. Se você pensa em deixar seu cão brincando enquanto senta num banco para ler ou mexer no celular, esqueça. Não prestamos atenção em uma mudança de comportamento que pode prejudicar os outros cães que querem apenas se divertir, no caso do nosso cão ser o que apronta. Se o nosso for o intimidade, perdemos a oportunidade de ajudá-lo quando ele mais precisa de nós. 

Lembre-se que nem todos os cães gostam de brincar com outros. Alguns são mais sérios e preferem apenas um longo passeio e encontros ocasionais. Outros são mais ativos e brincalhões. Devemos respeitar a individualidade de cada um deles e proporcionar experiências sempre gratificantes para ele. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Dia mundial dos galgos



Hoje não sou eu quem escreveu o texto, mas sim uma amiga. Ele é de autoria de Luciana Held Montenegro.

Ela fala sobre o dia mundial dos galgos e o que devemos fazer neste dia. Espero que gostem do artigo. E, para não chocar ninguém, deixo aqui as fotos dos meus magrelos, bem cuidados desde pequenos e que seguem sendo amados e tratados como membros da família.




DIA MUNDIAL DO GALGO
Fevereiro marca o fim da temporada de caça e consequente abandono de GALGOS na Espanha.
A caça com a exploração de cães da raça galgo é uma triste tradição implantada na Espanha e lamentada por ativistas dos direitos animais de todo o mundo. Todo ano, cerca de 50.000 galgos são abandonados ou cruelmente assassinados no país. Para os caçadores, os galgos têm vida útil máxima de 3 a 4 anos, a partir desse momento o animal não é mais considerado apto para auxiliar na caça. Nesse momento, termina sua vida.
O galgo é cão magro, com patas largas e peito volumoso, o que o permite alcançar grande velocidade, podendo chegar a cerca de 60km/h. Também tem uma visão muito nítida e aguçada e pode ver claramente objetos a uma distância de 800 metros. Na Espanha, a caça é considerada um “esporte” e é movida por muito dinheiro.
Galgos também são explorados em corridas e outras atividades consideradas de “elite”. Os animais só são cuidados enquanto servirem aos interesses de seus guardiões. Quando são considerados inúteis, são mortos ou abandonados a própria sorte.
Atualmente, na Espanha, os galgos são considerados a raça canina que mais sofre maus-tratos no país. Os motivos principais de abandono ou extermínio dos galgos espanhóis são: não terem sido bons caçadores durante a temporada, estarem velhos (entre dois e três anos de vida), fraturas ósseas, sintomas de cansaço ou doenças como a “erlichia” ou mesmo por não poder (ou querer) mantê-los após o fim da temporada.
Os galgos considerados mais sortudos, são os abandonados a própria sorte. Calcula-se que 60% dos cães abandonados na Espanha são galgos. Muitos deles são mortos em canis municipais ou sofrem com a fome, maus-tratos e indiferença da população.
Além do abandono, os galgos podem sofrer mortes terríveis com requintes de tortura como o método do pianista, onde as patas traseiras do animal tocam o chão e o cão sofre uma morte lenta e agonizante ou são enforcados em árvores nos chamados Bosques da Morte. A vida nas reservas de caça não menos terríveis, os animais são mantidos em jaulas minúsculas em condições insalubres e sofrem com a fome e maus-tratos.
Um método de treinamento muito comum é amarrar os cães a carros ou motos e arrastá-los por vários quilômetros, o que provoca sérias lesões e traumas. Os animais que não resistem ao treinamento são abandonados e não recebem nenhum tipo de tratamento veterinário durante toda sua vida.
As fêmeas sofrem a mesma sorte que os machos, acrescentando que algumas fêmeas escolhidas se reproduzem duas vezes ao ano. Para o fim de procriar, são isoladas em jaulas nas quais não existe espaço suficiente para poderem levantar, e muitos menos parir seus filhotes. Os filhotes são selecionados pelos Galgueiros e os que não são eleitos, são eliminados de formas violentas, apesar da pouca idade.
Atualmente na Espanha existem 190.000 Galgueiros registrados, que tutelam 500.000 galgos registrados para a caça, acima de tudo nas regiões de Andalucia, Extremadura e as duas Castillas. Se estima que existem mais de 900.000 galgos nas mãos dos caçadores de forma “ilegal”. A dramática situação de maus-tratos que vivem os galgos espanhóis é tão grave que foi denunciada em outubro de 2011 fora das fronteiras espanholas, pela Eurocâmara, que enviou uma carta ao presidente espanhol, na qual pedia que pusesse fim a essa barbaridade.
Parte da carta diz: ” Os galgos são severamente golpeados, queimados vivos, queimados por ácido, atirados em poços, presos em cavernas ou abandonados até morrerem por caçadores quando já não servem“. Estas mesmas palavras foram assinadas pelo presidente do Intergrupo de Bem estar animal da Eurocâmara Carl Schlyter e os eurodeputados Kartika Támara Liotard e Raul Romeva. A mesma entidade reconhece, através do artigo 13 do Tratado de Lisboa, que os animais são seres sencientes e que consequentemente devem ser respeitados pelos estados membros. Também a organização Anistia Internacional denunciou o abuso de exploração dos animais em atividades de caça. No mês de fevereiro acabou a temporada de caça e consequentemente mais episódios de tortura contra galgos serão registrados.
Os galgos que conseguem ser resgatados das ruas, de canis municipais onde terão como destino a morte ou entregues voluntariamente pelos próprios galgueiros conseguem abrigo em ONGs e com protetores, onde conseguem uma vida digna e plena.
Na Espanha existem diversas ONGs dedicadas exclusivamente ao resgate e reabilitação de galgos, como a SOS galgos, 112 galgos, Galgos de casa, Galgoleku, Baas galgo e muitas outras que lutam diariamente contra esta tragédia anual.
COMO PROMOVER O DIA MUNDIAL DO GALGO
UNINDO AS NOSSAS VOZES E TORNANDO A VOZ DO GALGO DAS SEGUINTES MANEIRAS:
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Compartilhar e difundir na web para chamar a atenção para a situação dos galgos.
HASHTAGS

domingo, 31 de janeiro de 2016

Guarda de recursos

Muitos sabem o que é a guarda de recursos: cães se comportando de forma agressiva quando em posse de algo (e algumas vezes para obter alguma coisa): comida, brinquedos, donos, caminhas, seu lugar favorito etc.

Este é um comportamento natural dos cães, mas não quer dizer que seja aceitável! Por que é um comportamento natural? Quem teria mais chances de sobreviver: alguém que protegia sua comida, seu território ou alguém que abria mão de tudo isso numa boa?

Apesar de ser um comportamento natural da espécie canina, ele traz muitos problemas na vida em família. Imagine um cão que não tenha tido um treino prévio de aceitar a aproximação de humanos de sua comida, ou que qualquer coisa que seja dele. Ele pode morder. Agora, imagine se for um bebê engatinhando, se aproximando deste mesmo cão que não aceita aproximação alguma. Os acidentes podem ser muito sérios.

O ritual de guarda de recursos entre cães pode ser algo ritualizado, onde os conflitos são resolvidos apenas na ameaça. Mas, algumas vezes, a agressão propriamente dita acontece. Os avisos mais comuns são:

- ficar parado (o cão está comendo e, quando alguém se aproxima, ele "congela")
- olhar "torto"
- comer mais rápido (quando guardam alimentos)
- mostrar os dentes
- rosnar
- avançar (sem morder)
- morder
Nem mesmo o menor sinal de guarda de recursos (ficar parado) deve ser ignorado por nós, que convivemos com nossos cães.

Como evitar?
Eu ensino que a aproximação humana sempre traz algo bom: se eu me aproximo do cão enquanto ele está com um brinquedo, comendo, na caminha dele etc, eu sempre dou algo de imenso valor pra ele (um petisco que ele ame, por exemplo). E gradativamente vou fazendo a troca, até conseguir retirar o brinquedo/ossinho/comida dele em troca do petisco (e depois devolvendo). Este é o treino preventivo, para filhotes. Se seu cão já tem um problema de guarda de recursos, o melhor a se fazer é procurar um profissional para lhe ajudar com o problema, evitando riscos.

Aqui, seguem dois vídeos interessantes sobre o treino preventivo feito em filhotes (o mesmo que eu faço):

Ensinar o filhote a largar um objeto
Prevenindo que seu filhote proteja seus brinquedos

sábado, 23 de janeiro de 2016

Interações inadequadas entre crianças e cães

Está cada vez mais comum vermos vídeos e fotos na internet e nas redes sociais de cães e crianças interagindo. Muitas dessas fotos e vídeos são tidos como fofos, lindos, olha que amor!! Alguns já percebemos que são extremamente inadequados, como neste vídeo, onde um menino "brinca" com um bull terrier de forma violenta. Infelizmente, se algo ruim acontece com a criança, a culpa sempre cairá sobre o cachorro.

Os pais, neste caso, são em grande parte culpados. Primeiro, por não ensinarem seus filhos a ser gentis no trato com os animais; segundo, porque filmam e não se preocupam com o bem-estar de nenhum deles (filho e, principalmente, cão).

Vejamos esta foto. Muitos vão achar que é lindo, um menino e seu cão. Mas reparem que o cão está desconfortável: desvia o olhar, tem o que chamo de whale eye (quando aparece o branco do olho); a musculatura da boca está tensa; mostra a língua... são sinais de desconforto. Nestas ocasiões, o cão pode, sim, vir a morder. E onde ele morderia essa criança? Fica fácil imaginar que poderia ser um acidente grave, não é mesmo? E será que podemos dizer que o culpado é o cachorro?





Nesta outra foto vemos os mesmos sinais: um cão desconfortável, com as orelhas para trás, desviando os olhos, arfando (foto em estúdio, ambiente não quente, ou seja, não estava arfando por estar calor ali).





Mas nem tudo está perdido, calma! O que devemos fazer é apenas ensinar os filhos a respeitar os animais e a entender a linguagem corporal dos cães, para saber se estão o não confortáveis naquela situação. Muitos cães adoram crianças, brincam com elas, mas muitos outros não curtem esses momentos "eu te amo", cheios de abraços e beijos. Quanto ao tratamento abusivo que está no vídeo, dispensa comentários: é uma criança sendo cruel com o animalzinho.

Então, como as crianças devem ou não interagir com os cães? Deixo abaixo algumas dicas (clique nas imagens para aumentar) que você encontra fácil na internet. E também, procurem entender mais da linguagem corporal deles. Seu cão e seu filho agradecem!

Como as crianças devem agir com os cães

Como as crianças NÃO devem interagir com os cães

Linguagem corporal canina








quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cães adolescentes

Difícil resistir a um filhote, não é mesmo? Aquele pelo macio, olhos grandes e ternos que nos enternecem. Quando tem o hálito típico de filhote então, é mais gostoso ainda! Então, como resistir?

Trazer um filhote para casa pode ser uma das grandes alegrias da vida: vê-lo brincar, perseguir objetos. Nos imaginamos levando-o para passeios, dando brinquedos divertidos e mentalmente estimulantes, levamos a um veterinário, pesquisamos qual será seu melhor alimento e já contratamos um adestrador que trabalhe com reforço positivo. Tudo certinho.

Nos próximos meses tudo vai conforme o planejado: seu filhote aprende rápido, sabe qual o lugar onde fazer xixi e coco e vocês dois se divertem nas aulas de socialização.

Mas, logo que ele começa a perder os dentes de leite, as coisas começam a mudar. É como se tivessem virado uma chave na cabeça do seu cachorro e, ao invés daquele filhote lindo, você tem um Godzilla na sua casa! O que aconteceu? O que fiz de errado?

Você não fez nada de errado... Bem vindo à adolescência canina.

O filhote vira adolescente quando seus dentes caninos permanentes começam a nascer, e seguem nessa fase até cerca de 1 ano e meio a 2 anos de idade. Durante este tempo, o cérebro dele ainda é imaturo, está mudando e se desenvolvendo e este período pode ser um pouco desafiador para vocês dois. Também é nessa fase quando o relacionamento de vocês dois ficará mais balançado.

Um cão adolescente normalmente é mais turbulento, morde mais, pula mais e é mais teimoso do que em qualquer fase da vida. Muitas vezes ele te ignora quando está a fim disso.

Por causa disso, não é nenhuma surpresa a quantidade de animais abandonados e sendo doados nesta fase da vida: donos não sabem como controlar o comportamento deles.

O QUE POSSO FAZER?
Se vou passar por tudo isso, pra quê ter um filhote então? Assim como existe no mundo materno, também há no mundo canino a máxima: "vai passar". Essa fase vai passar. E você, acredite ou não, sentirá saudades dela, como eu sinto.

Pense no laço emocional que você construirá com seu cão: isso não tem preço. Como um bom tutor, você conseguirá modelar o comportamento de seu cão, tornando-o confiante, seguro e feliz como membro da família: um companheiro que passará de 10 a 15 anos ao seu lado.

Mas, vamos às dicas do que pode ser feito para que a transição entre a infância e a fase adulta seja mais suave:

1. Paciência: seja muito paciente. Não é uma fase da qual se possa esperar resultados rápidos! Lembre-se de respirar e saber que seu cão está passando por mudanças na vida dele e precisa de você para guiá-lo.
2. Educação canina: continue com a educação de seu cão! Todos aqueles comandos básicos aprendidos quando filhote (senta, deita, fica, vem, truques etc), siga fazendo-os e aprimorando-os! Pratique-os em vários locais, para acostumá-lo a lhe escutar onde quer que vocês estejam. Tente ensinar um comando ou um truque novo por semana, sempre de maneira divertida.
3. Brinque: brinque com ele. A brincadeira é uma ferramente ótima, mas que é deixada de lado tanto no adestramento quando no relacionamento homem-cão. Os cães respondem melhor em treinos de obediência depois de brincar com seus donos.
4. Exercícios: os cães adolescentes têm muita energia. Mesmo. Proporcione a ele exercícios adequados e durante um bom tempo. Acredite, sua vida ficará mais fácil assim. Deixe a preguiça de lado e exercite-o: será bom para você também.
5. Dieta apropriada: Nada de oferecer um alimento de qualidade ruim ou moderada. Se for oferecer ração, que seja uma super premium, de preferência sem grãos ou, se ela contiver grãos, que sejam de fontes não-transgênicas. Se ele comer uma alimentação crua biologicamente apropriada, melhor ainda!
6. Pensamento positivo e otimista: foque em todos os comportamentos positivos que seu filhote já aprendeu e prossiga com eles, progredindo sempre. Divirta-se quando estiver com seu cão. Lembre-se de que a melhor maneira de manter seu cão focado (e o nível de atenção dele agora é muito curto!) em você é você ser divertido e excitante para ele. Isso é especialmente importante durante a adolescência canina.

O FUTURO DE SEU CÃO DEPENDE DE VOCÊ
Quando decidimos trazer um filhote para casa, somos responsáveis pela vida e futuro dele. Esse filhote lindinho conta conosco para educá-lo e transformá-lo em um ótimo cão de família.

Se trabalharmos com este cão, a adolescência não será tão traumática. Se, durante os primeiros 18 meses de vida dele, continuarmos a brincar, a sermos proativos no nosso papel de educá-lo, seremos capazes de curtir este cão, e o que ele se tornou, por muitos anos. Se escolhermos trabalhar com ele apenas de vez em quando e não ensiná-lo as habilidades que ele precisa para viver no mundo humano, é mais provável que ele seja mais um dos milhares de animais que acabam abandonados todos os anos.

Trabalhe com seu cão: eduque-o, brinque com ele e exercite-o diariamente; socialize-o propriamente. Este é o caminho certo para um cão que se tornará um valioso membro da família. Peça ajuda de um educador canino competente, que não faça uso de punições, para ajudá-lo nesta fase, motivando-o e orientando-o na construção deste cão bacana.

Mas também esteja preparado para altos e baixos. Ser paciente e ter senso de humor são coisas importante. Se você for assim, criar um filhote será uma benção.

domingo, 29 de novembro de 2015

Como deixar os passeios mais divertidos

Muitas vezes os passeios que damos com nossos cães são sempre os mesmos... aquela volta de meia hora, antes e depois do trabalho, diariamente. Que tal deixar estes passeios mais divertidos, tanto para seu cão quanto para você?

-> Mude o caminho
Mudar o caminho usual, aumentar um quarteirão, inverter a ordem das ruas por onde passamos: tudo isso já torna o passeio mais estimulante, principalmente quando mudamos o itinerário e o cão pode, então, sentir novos odores. Mudar o passo é muito bom também: acelere-o por alguns segundos e volte ao passo normal. Faça isso algumas vezes durante o trajeto.

-> Deixe-o cheirar
Sim, é entediante quando Fred fica parando de cinco em cinco passos pra cheirar tudo, mas é interessante que você o encoraje a cheirar em alguns momentos do passeio: é um estímulo mental e deixa o passeio extremamente divertido pra ele!

-> Convide um amigo
Chame um amigo que tenha um cão sociável e que se dê bem com o seu. No final do passeio, vocês podem combinar de deixarem eles brincando por mais um tempo na sua casa, ou na de seu amigo. Suzie, quando se encontrava com seu amigo Scooby, sempre terminava o passeio na casa dele (porque morávamos em apto) e os dois brincavam bastante. O mesmo acontecia quando passeava com amiguinhos caninos do prédio: brincavam na garagem por mais um tempo e todos se divertiam: cães brincando e donos colocando o papo em dia.

-> Incorpore treinos durante o passeio
Há muita coisa legal para ensinarmos aos cães durante o passeio: andar com a guia frouxa, sentar antes de atravessar a rua, olhar para você quando passar um cão latindo... leve sempre petiscos com você durante o passeio: se torna ainda mais interessante para o cão o passeio quando fazemos isso! Além do mais, ninguém trabalha de graça, não é mesmo? Há também a possibilidade de se fazer agility urbano (fica para um próximo post).

-> Planeje um destino
Pode ser levá-los até uma praça, à casa de um amigo ou a um parque próximo.

-> Faça uma caça ao tesouro
Jogue petiscos à frente, pelo caminho, e incentive seu cão a procurá-los. Além de exercitar o faro, é uma excelente brincadeira que vai tornar o passeio mais divertido.

O que você faz para tornar o passeio mais divertido?