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sábado, 25 de abril de 2015

Como manter seu cão ocupado dentro de casa

Seu cão está entediado? Os dias estão chuvosos? Ou você simplesmente está à procura de coisas para manter seu cão ocupado?

Quando não proporcionamos algo para fazer, acabamos com um sapato ou mesa destruída: cães entediados se tornam destrutivos.

Dê atenção ao seu cão quando estiver em casa com ele - brinque de jogos interativos ou ensine-o algo novo. Os cães amam essa atenção e ela é necessária para sua saúde e bem-estar. Para mantê-lo ocupado você não precisa de brinquedos maravilhosos ou acesso a um quintal, você precisa apenas de tempo e dedicação.

Talvez não sejamos capazes de dar ao cão o trabalho integral que eles foram feitos para fazer, mas podemos lhes dar algo significativo para fazer com algumas brincadeiras e truques. E, ao ver a carinha feliz do seu cão depois de uma brincadeira de cabo-de-guerra, vai entender o motivo dos cães serem nossos melhores amigos. Abaixo algumas ideias de como manter seu cão ocupado.

1. Que mão está?
Coloque um petisco em uma das mãos. Mostre as duas para o cão, fechadas, e deixe-o escolher em qual mão está o petisco. Os cães têm excelente olfato, mas precisam aprender a usá-lo. Só deixe-o pegar o petisco se ele acertar.

2. O jogo dos copos
É uma variação do jogo acima, mas feito com três copos. Coloque um petisco debaixo de um dos três copos e o cão tem que achar onde ele está. Quando ele entender a brincadeira, comece a misturar os copos, para ele trabalhar o olfato, não apenas a visão.

3. Esconde-esconde
Peça para o cão sentar e ficar enquanto você se esconde. Chame-o e elogie-o quando ele lhe achar.

4. Use as escadas a seu favor
Se você tiver escadas em sua casa, use-as para exercitar o cão fisicamente em dias muito chuvosos quando não dá para sair. Suba e desça escadas com seu cão ou, se ele não for muito desajeitado, dá para brincar de pegar o brinquedo (ou petisco) na escada.

5. Ache os petiscos!
Peça para o cão sentar e ficar enquanto você esconde petiscos bem gostosos pela casa. Comece com esconderijos mais fáceis, para o cão acostumar a usar o faro. Com o tempo torne as coisas mais difíceis.

6. Pegar os chinelos
Cães normalmente adoram ter o que fazer, mesmo quando é algo simples como pegar seus chinelos. Você pode ensiná-lo nomes de outros objetos para que ele também os traga para você.

7. Recheie um Kong 
Se quiser manter seu cão entretido por um tempo, recheie um Kong com algo muito gostoso. Pode ser um purê de frutas ou de vegetais, misturado com petiscos ou não. Conforme o cão for ficando mais habilidoso, congele-o.

8. Ensine o nome dos brinquedos
Comece brincando com um brinquedo específico e dê um nome enquanto brinca. Quando o cão aprender o nome deste brinquedo, veja se ele pega o brinquedo quando você falar o nome deles, mesmo que esteja no meio de outros brinquedos. Com o tempo, ensine o nome de outros brinquedos também.

9. Encontre o... 
Quando seu cão já souber o nome de alguns brinquedos, faça essa brincadeira. Coloque os brinquedos dele em uma pilha e fale para ele encontrar um dos brinquedos. Para a brincadeira ficar mais divertida, recompense o cão com petiscos ou um jogo de cabo-de-guerra. Trabalha bastante o cérebro do cão.

10. Obediência
Seu cão sabe os comandos básicos de obediência? Vir quando chamado? Ficar? Mesmo os que já sabem isso, se beneficiam de treinos diários para refrescar a memória ou aperfeiçoar o que já sabem. Além de cansar o cão mentalmente também.

11. Ensine um truque novo
Há sempre um truque novo para se ensinar o cão. Seja pular por um arco, trançar as suas pernas, equilibrar um biscoito no nariz. Na internet há vários truques legais e como ensiná-los. É ótimo para estreitar nossos laços, além de trabalhar a mente deles.

12. Treino com clicker
O clicker é uma ferramenta que marca o comportamento exato que você quer reforçar. Com ele você pode conseguir comportamentos capturando, modelando ou guiando o cão.

13. Cabo-de-guerra
Esta é uma excelente brincadeira, que cansa física e mentalmente. É uma forma também de você colocar em prática os comandos "solta" ou "larga", além de controlar o impulso do cão intercalando pedidos de "senta", "deita" e "larga" e voltando a brincar sempre que ele seguir os comandos. E não se preocupe: brincar de cabo-de-guerra não deixa os cães mais agressivos! É uma grande diversão para você e seu cão, e pode deixá-lo ganhar algumas vezes sim, sem problemas.

14. Guardar os brinquedos
Se o cão já sabe o "solta", estimule-o a pegar um brinquedo e a soltá-lo sob comando quando ele estiver em frente à caixa dos brinquedos. Elogie-o, recompense-o bastante por ter feito o certo. Aos poucos vá aumentando a distância do cão em relação à caixa, até ele pegar o brinquedo e ir guardá-lo.

15. Quebra-cabeças
Mantenha-o mentalmente ativo com quebra-cabeças. Aqui no Brasil a Pet Games disponibiliza vários modelos, dos iniciantes aos experts. Mas você também pode fazer o seu próprio, que você pode inventar ou achar tutoriais na internet.

16. Faça-o trabalhar pela comida
O cão tem uma vida muito confortável: cama quentinha, atenção e comida grátis. Mude um pouco isso de forma fácil e divertida: peça para seu cão fazer alguns truques ou comandos de obediência básica antes de dar-lhe o jantar.

17. Brincar de buscar
Especialmente se seu cão adorar bolinhas, brinque de jogar bolinha pra ele buscar. Só evite brincar em locais onde há objetos que possam ser quebrados.

18. Massageie o cão
Aprenda a massagear o cão. Além de ser relaxante para o cão, é útil para você, que passa a conhecer melhor o corpo dele e fica mais atento a possíveis mudanças corporais, como falhas na pelagem, inchaços, locais doloridos etc, e tratar antes de se tornar um problemão. Além disso, estreita ainda mais os laços entre você e seu cão.

19. Brincadeiras mentais
Já brincou de 101 coisas para se fazer com uma caixa? Basta ter uma caixa, um clicker e petiscos. Brinque de modelar comportamentos, encorajando o cão a tentar algo novo. Ele toma as próprias decisões sobre o que fazer e não fazer, aumentando sua flexibilidade física e mental. Coloque a caixa no chão e não faça nada. Clique e recompense para qualquer interação que o cão fizer com ela; depois só clique e recompense comportamentos específicos, como colocar uma pata dentro da caixa; duas patas; três; quatro! Você pode usar qualquer objeto, não precisa ser necessariamente uma caixa.

20. Escovações regulares
Embora não seja tão excitante quanto o cabo-de-guerra, é algo que precisa ser feito periodicamente. Eles precisam ser escovados, banhados, ter os dentes escovados e as unhas cortadas. Alguns cães gostam mais que outros dessas atividades, mas se você as fizer e sempre recompensar o cão, tudo se tornará mais fácil. Ofereça muitos petiscos durante a escovação - afinal, queremos que os cães associem este hábito com algo positivo.

21. Jogo do Vem
Os cães amam! Você precisa de um parceiro. Cada um de vocês fica num lado do cômodo com um brinquedo ou alguns petiscos. Revezem-se chamado o cão e recompensando quando ele vier. Fazendo isso, você terá um cão que virá alegremente quando você o chamar.

22. Faça um circuito de obstáculos
Faça o cão pular sobre toalhas, trançar entre seus brinquedos, deitar em um cobertor. Use sua imaginação e crie uma série de obstáculos para o cão seguir. Essa brincadeira estimula a mente do cão e encoraja a prestar atenção no dono.

23. Estourar bolhas
Alguns cães são fascinados por bolhas. Faça bolhinhas de sabão e deixe seu cão estourá-las e se divertir.

24. Compre um brinquedo, crie um ou faça rodízio
Cães se entediam com o mesmo brinquedo. Então você pode escolher entre compra um novo, fazer um ou fazer um rodízio dos brinquedos que você tem tem casa. Não deixe todos os brinquedos acessíveis, apenas alguns. E vá fazendo rodízio com os outros a cada 3 dias, por exemplo. Fazendo assim, é como se você sempre desse um brinquedo novo ao seu cão e ele sempre ficará entusiasmado com eles.
Os brinquedos também ficam mais atraentes quando você se engaja numa brincadeira com seu cão. Há também tutoriais na internet de como fazer brinquedos para seu cão com roupas velhas, toalhas, meias.

25. Convide amigos caninos para brincar
Seu cão tem amigos caninos? Convide-os para brincar. É divertido ver cães brincando juntos e é garantido que, no final do dia você terá um cão cansado. Além de ser bom para manter a socialização do cão.

26. Trazer de volta velhos truques
Assim como a gente os cães também precisam refrescar sua memória. Quando foi a última vez que você pediu para seu cão rolar ou fingir de morto? Se faz um tempo, pegue alguns petiscos e ensine-o de novo. Faça isso também com outros comandos que ele já sabe, para não perder o ritmo.

27. Ensine-o a ir para algum lugar
Seu cão sabe ir para o sofá ou a cama dele? É algo simples de ensinar e útil quando precisamos cozinhar ou queremos comer em paz. Se você pedir para o cão ir para o seu cantinho enquanto faz comida, várias vezes, isto se torna um hábito.

28. Ensine-o a pegar a guia
O mesmo princípio de trazer seus chinelos, mas agora ele traz a guia para você para ir passear.

29. Ensine-o a acender/apagar as luzes
Se você estiver com preguiça e começar a ficar escuro, não seria bacana ter seu cão acendendo a luz?Para começar a ensinar este truque, é mais fácil ensinar o Target (tocar). Assim que ele souber tocar com o focinho, ou a pata, uma fita adesiva, coloque-a no interruptor e recompense muito o cão. Claro, se marcas de unhas na parede te incomodarem, não ensine isso.

30. Trabalha o auto-controle
Os cães precisam ser ensinados que nem sempre eles podem ter o que querem. Desde a inibição de mordida quando filhote até a esperar sob comando, o auto-controle mantém o cão fora de problemas. Comece trabalhando comandos fáceis como o "deixa", "espera", "fica", "relaxa" e "deita". São comandos sempre úteis.

31. Faça petiscos caseiros
Claro que seu cão não irá participar desta atividade, mas é ele quem irá ganhar os petiscos. Ao invés de comprar os industrializados, faça-os em casa com ingredientes mais saudáveis. Na internet há muitas receitas disponíveis, assim como livros sobre o assunto.

32. Ensine-o a pedir por favor ao se sentar
Quando seu cão quer algo ele fica cutucando sua mão? Ensine seu cão a se sentar para ganhar o que ele quiser, desde atenção até o jantar ou o passeio. Recompense o comportamento educado, seja consistente e você terá um cão que se senta sempre que quiser algo, ao invés de pular e cutucar você.

33. Aconchegue-se e relaxe
Depois de uma sessão de treino ou brincadeira, nada melhor que relaxar. Os cães adoram deitar com seus donos. Aconchegue-se a ele para vet TV, ler um livro. Ele irá adorar.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Hierarquia Compassiva

Há um tempo venho lendo sobre a hierarquia compassiva, que é fazer escolhas éticas para modificar comportamentos.

Em 2008, Susan Friedman publicou um artigo intitulado "What's Wrong with this Picture: When Effectiveness is not enough", onde falou sobre a hierarquia compassiva: incorporar a ética nas escolhas que fazemos quando treinamos um animal, ao invés de pensar apenas no que "funciona".

A hierarquia compassiva não é um monte de "regras": é um ranking de métodos de treinamento, começando com o menos invasivo para o animal e terminando no mais invasivo. Menos invasivo é definido como o procedimento que deixa o animal com maior controle sobre seus resultados. Quem a usa como guia deve se informar sobre a espécie de animal que está trabalhando e observar o comportamento do indivíduo, já que animais diferentes têm respostas diferentes para cada método.

Intervir em um comportamento é uma grande responsabilidade e devemos levar em conta primeiro o animal: suas necessidades, o que gosta e não gosta. O que o animal quer, e como podemos descobrir um se há método aceitável para conseguir isto?

Abaixo está o gráfico da hierarquia compassiva. Para usá-lo, pense em um comportamento de seu cão que você queira mudar. Comece pela base da figura, no carrinho, e siga em frente bem devagar, pegando todas as saídas à direita. Se o que é proposto naquela "rua" for irrelevante ou não tiver funcionado, siga em frente e pegue a próxima saída, ou consulte um profissional. Lembre-se de parar antes de usar a punição positiva! As lobadas e os sinais de cuidado de de "pare" nos avisam conforme formos chegando em ações mais invasivas.



Vamos aos exemplos, usando aqui o treino de caixa de transporte.

Intervenção 1: Saúde, nutrição e ambiente físico. Significa procurarmos primeiro um motivo físico para aquele comportamento, seja um problema físico do animal ou algo do ambiente que o afeta.
Comportamento 1: O cão fica parado quando você pede para ele entrar na caixa. Seu cão idoso parece que se esqueceu de como entrar na caixa: ao invés de entrar lá feliz, ele fica lambendo os lábio. Ele resiste quando você tenta guiá-lo para dentro. Você o leva ao veterinário e descobre que ele está ficando cego. Há um brilho vindo do pote de água de metal dele que o assusta. Sua intervenção: trocar por um pote de plástico.
Quando lidamos com um problema de comportamento, devemos ver se há algo relacionado com a saúde do cão em primeiro lugar, e não se aplica apenas a cães idosos!
Neste caso, se você tentasse treinar novamente o cão, acabaria com um cão "teimoso". E se, pior ainda, você o punisse por não entrar na caixa de transporte?

Intervenção 2: Manejo dos antecedentes. Comandos são antecedentes que ensinamos, mas os antecedentes acontecem todo o tempo na vida do cão. Manejá-los significa que algumas vezes temos que lidar com um comportamento indesejado mudando o que acontece antes dele, ao invés de lidar com as consequências que acontecem depois dele.
Comportamento 2: Filhote chora na caixa. A caixa de transporte está na sala. Seus outros cães estão soltos em outro ambiente. Como parte do processo de levá-los para fora quando você está em casa, você deixa seus outros cães passarem pela sala enquanto o filhote ainda está na caixa. Ele chora e grita, excitado, quando os outros entram. Aí você entra num dilema: deixa o filhote sair enquanto está chorando? Se sim, provavelmente você vai recompensar este comportamento. Mas, e se ele estiver apertado?
Neste caso, o antecedente é a entrada dos outros cães. Isto leva à vocalização do filhote. O barulho pode ser aceitável em outras situações, mas chorar e gritar na caixa é um problema. Três possíveis mudanças nos antecedentes que podem solucionar este problema:

1. Eliminar completamente o antecedente: Levar os outros cães para fora por outra parte da casa. Então pegar o filhote, separadamente, e levá-lo para fora também.
2. Mudar a localização do filhote durante o antecedente: Deixe o filhote sair primeiro. Seja levando-o para fora ou deixando-o solto na sala quando os outros cães vierem. Ele pode até ficar excitado e vocalizar, mas não coloca você em um dilema, como faria se ele estivesse na caixa de transporte.
3. Mudar a localização do filhote, assim ele não estará presente durante o antecedente: Leve o filhote para outra parte da casa e deixe os cães mais velhos passarem pela sala primeiro, então solte o filhote e deixe-o de juntar à gangue.

Qualquer um destes deve resolver este caso particular de choro na caixa de transporte sem precisar recompensar ou punir nada, nem treinar nada.

Intervenção 3: Reforço positivo. Algo é adicionado após o comportamento, levando o comportamento a acontecer com mais frequência.
Comportamento 3: Cão vai para a caixa de transporte e fica lá. É algo que você quer ensinar ao cão. Para fazê-lo usando reforço positivo, você pode usar qualquer um dos três métodos de treino: guiar, capturar ou modelar.

  • Você pode deixar petiscos lá dentro para ele encontrar (guiar).
  • Se ele entrar por conta própria, você imediatamente marca e recompensa (capturar).
  • Se ele está lá dentro e quietinho, você joga petiscos pra ele (capturar).
  • Você pode brincar enquanto modela a entrada dele na caixa de diferentes locais do ambiente (modelar). 


Intervenção 4: Reforço diferencial de comportamentos alternativos. Significa que um comportamento alternativo é recompensado enquanto o indesejado é extinto.
Comportamento 4: Seu cão vai para a caixa quando chega alguém em casa (ao invés de pular). É algo que você quer ensinar. Seu cão adolescente ama todo mundo e fica muito animado quando alguém chega em casa. Ele pula em todos, que não é a sua ideia de receber bem as visitas.
Você começa ensinar o cão a ir para a caixa através do reforço positivo, sem visitas. O treina muito bem até que ele fique muito feliz de ir para lá e, quando damos o comando, ele corre pra entrar na caixa.
Então, o ensinamos que a campainha é o comando para ir para a caixa. Depois que este comando estiver sólido, começamos a praticar com pessoas vindo visitar, mas não em casos reais: tudo controlado.

Pular nas pessoas não acabará se este comportamento não for cessado, então você precisa manejar o ambiente. No começo vai precisar manter o cão atrás de um portãozinho: ele ainda vai poder recepcionar as visitas E pular, mas não nelas.

Para o treino controlado, você precisa treinar as pessoas: elas devem ignorar completamente o cão se ele pular nelas, removendo o reforço anterior dos pulos, que é atenção. Mas o melhor é evitar por completo essa situação: alguns cães gostam de pular mesmo quando as pessoas o ignoram.

A recompensa do novo comportamento deve ser maior ou igual que a original. O ato final é ensinar o cão que, depois de ir para a caixa de transporte, ele vai poder sair de lá e falar "oi", se quiser, mas com calma, sem pulos. Claro, deve-se treinar isto também.

Intervenção 5: Extinção, Reforço Negativo e Punição Negativa.
Intervenção 5a: Extinção. A extinção de um comportamento acontece quando a consequência que antes recompensava o comportamento é permanentemente removida.
Comportamento 5a: Filhote late para sair da caixa durante a noite. Quando pegamos um filhote, algumas vezes quando nos atrasamos um pouco para levá-lo ao banheiro à noite, ele dá um latidinho para chamar a atenção. Então você levante e leva-o ao banheiro. Ele vai crescendo e você fica cansado disso. Você tem certeza que ele não está apertado. Então ele late e você continua na cama. Ele late mais. Você não consegue mais aguentar e leva-o ao banheiro.
Em suas pesquisas na internet, descobre que deve ignorar o cão. Então, você o ignora, mesmo ele latindo, latindo e latindo. Quando ele desiste e fica quieto por um ou dois minutos, você pode deixá-lo sair.
Mas isto mostra a desvantagem de usar a extinção deste jeito. A situação é injusta para o cão, que pode mesmo estar apertado e tenta desesperadamente te avisar, como antigamente. O mundo dele virou de cabeça para baixo e o que antes funcionada, agora falha. Agora ele não faz ideia do que fazer para poder usar o banheiro. Você o esperou ficar quieto para soltá-lo, mas não pode usar "ficar quieto" como comando para sair se ele permaneceu quieto praticamente a noite toda. A menos que você queira começar uma cadeia de comportamento: fazer barulho, ficar quieto, sair.
Esta é a razão pela qual a extinção sozinha é pior que o reforço diferencial de comportamentos alternativos. Neste caso, você desenvolve deliberadamente e recompensa um novo comportamento no lugar do antigo, e o cão sabe o que deve ser feito.

Intervenção 5b: Reforço Negativo. Algo é removido após um comportamento, fazendo com que este comportamento aconteça mais vezes.
Comportamento 5b: Filhote fica na caixa. Você ensina o filhote a ficar na caixa quando lhe pede para fazê-lo, sem fechar a porta dela. Você coloca o filhote lá dentro e pede para ele ficar. Ele fica por alguns segundos, levanta e coloca a cabeça para fora. Você chega primeiro e faz um bloqueio corporal, invadindo o espaço dele e usando pressão corporal para fazê-lo voltar para a caixa.
O reforço negativo usa um aversivo, algo que o animal não gosta. Por causa disso pode ter falhas.

Intervenção 5c: Punição Negativa. Algo é removido após um comportamento, fazendo com que ele ocorra menos vezes.
Comportamento 5c: Filhote chora na caixa. Filhote na caixa. Você entra na sala e ele começa a chorar de excitação (e nunca fez isso). Imediatamente você dá meia-volta e sai da sala.

Intervenção 6: Punição Positiva. Algo é adicionado após um comportamento, fazendo com que ele ocorra com menos frequência.
Comportamento 6: Filhote sai correndo da caixa quando ela é aberta. O filhote desenvolveu este hábito irritante assim que você abre a porta da caixa. Então você decide mostrar a ele quem é que manda: pega um spray com água e limão, anda até a caixa de transporte, abre a porta e espirra na cara dele sempre que ele tentar sair.
Isto mostra os muitos inconvenientes da punição positiva. Primeiro, pode não estar claro para o cão porquê está sendo punido. Olhar para fora? Cruzar a porta? Qualquer coisa que tenha acontecido?
Talvez você nem tenha ensinado a ele o comportamento desejado: sentar até que você o libere. Então, da próxima vez que você abrir a porta, ele pode ficar com medo de sair. Ou medo sempre que vir um borrifador. O afeto e confiança que ele sente por você pode diminuir, já que fica claro que é você que o pune com algo muito, muito ruim. O nível de ansiedade dele aumenta muito: o que vai acontecer depois?

Como Susan Friedman disse: "A punição positiva é raramente necessária quando se tem o conhecimento necessário de mudança de comportamento e habilidades de ensino". E nos presenteou com estas outras sete alternativas para ela.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Mude a vida do seu cão (para melhor) com a dieta crua!

Muitas pessoas sabem que a boa alimentação tem um grande impacto na sua saúde e bem-estar mas, mesmo assim, não aplicam a mesma lógica aos seus amados cães. É fácil esquecer que aquilo que o cão come impacta a saúde dele e é nosso papel, como seus tutores, ajudá-los a ter uma vida mais saudável e longa.

A alimentação crua biologicamente apropriada é o alimento natural para nossos cães. As rações comerciais foram inventadas há cerca de 100 anos então parece óbvio que a natureza não fez os cães adaptados para comer ração. Olhe para os dentes do seu cão para entender melhor: caninos grandes, molares pontiagudos. Estes dentes são feitos para rasgar carnes e esmagar ossos. Os tutores gastam muito dinheiro em limpeza dentária porque os dentes dos cães não foram feitos para triturar grãos de ração, que é um alimento não natural e totalmente processado.

Melhorar a vida dos cães é fácil: inclua carnes, vísceras e ossos carnudos, crus, na alimentação. Nada é cozido, já que o cozimento altera toda a composição nutricional dos alimentos (além de não se poder NUNCA oferecer ossos cozidos, os ossos sempre devem ser oferecidos crus!). Também devemos oferecer suplementos naturais, pois trazem nutrientes adicionais muito benéficos aos cães. Estes suplementos são: azeite de oliva extra-virgem, óleo de coco, levedo de cerveja, alho, iogurte natural entre outros. Também se oferece uma pequena porcentagem de verduras, legumes e frutas.

Além de os cães terem uma vida mais longa e saudável com uma dieta crua, há outros benefícios, um deles é a condição física. O pelo se torna mais brilhante e macio; caem menos pelos, pois a saúde deles fica melhorada. Os olhos também ficam mais saudáveis.

O característico "cheiro de cachorro" é bem reduzido, já que com essa alimentação os cães ficam livres de aditivos e químicos encontrados na ração. Na verdade, um cão que se alimenta com BARF precisa de menos banhos.

Outro benefício maravilho se refere aos dentes. Cães que se alimentam com BARF têm um hálito mais fresco, não tem o famoso bafinho fedido. Seus dentes são também mais limpos e brancos (vejo pelos dentes da Suzie, sem nenhum tártaro e nunca fez limpeza nos dentes; e os dentes do Pistache estão perdendo o tártaro que tinham acumulado neles, apenas com a alimentação e escovação). O ato de roer e triturar os ossos limpam os dentes e a gengiva. Com a ração, os cães trituram seus grãos, mas seus restos ficam grudados nos dentes e entre a gengiva (causa do mal hálito) e favorecendo o aparecimento do tártaro. Na alimentação crua nada fica grudado nos dentes dos cães, ou seja, não ficam resíduos de alimentos causadores do tártaro.

A natureza é perfeita e os cães evoluíram comendo alimentos crus. Nossos cães são carnívoros que evoluíram de seus ancestrais selvagens, foram feitos para comer carnes, ossos e vísceras crus - seu estômago é preparado e totalmente adaptado e capaz de digerir alimentos crus e capaz de extrair o máximo de nutrição deles.

Para mim, os benefícios são inúmeros e eu não alimentaria mais um cão meu com ração. A saúde física deles está impecável, sua disposição também. Problemas de saúde considerados corriqueiros (problemas de pele, gastrointestinais, auriculares etc) são inexistentes e, com isso, economizamos muito com remédios que antes sempre tínhamos em casa. Nada como oferecer aos cães um alimento apropriado à sua fisiologia. A saúde deles e a beleza salta aos nossos olhos.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Cães velcro

Cães velcro são aqueles que estão sempre perto do seu tutor, acompanhando-o como se fosse uma sombra. Se não estiverem juntos, estão em um local estratégico de onde possam vê-los.

O que causa?


  • Alguns cães se tornam "velcro" por conta dos nossos próprios hábitos. Se todo o tempo a gente for fazer um carinho nele, dar petisco, logo ele aprenderá que ficar por perto é muito bom. 
  • Cães com mais idade podem ficar mais dependentes e agarrados aos seus tutores, principalmente se sua visão e audição começam a falhar.
  • Algumas raças foram selecionadas para serem dependentes. Cães de trabalho, pastoreio e de caça foram criados para trabalhar em conjunto com o homem. Eles dependem das orientações do ser humano para o trabalho. Muitos cães de companhia foram selecionados para serem cães de colo. Outras raças se ligam muito a uma pessoa da casa. 
  • O tédio e a falta de estímulos mentais podem "formar" um cão velcro. É uma espécie de estratégia para passar o tempo e encontrar o que fazer: encontram entretenimento seguindo o tutor por onde quer que ele vá. 
  • Cães com ansiedade de separação tendem a ser também cães velcro. Alguns cães desenvolvem uma ligação extremada com seus tutores, o que causa ansiedade quando eles saem ou estão fora de seu campo de visão. 
  • Se este comportamento for repentino, pode estar relacionado à saúde. Quando o cão está doente, ele pode ficar confuso: ele pode "grudar" no tutor para lidar melhor com a doença. 
  • Mudar de casa pode fazer o cão ficar mais grudado que o normal.

Quando é um problema?

Se seu cão tem ansiedade de separação (veja abaixo as diferenças), procure ajuda para modificar o comportamento. A ansiedade de separação é uma das causas mais comuns de consulta com comportamentalistas: se não for tratada, não haverá melhoras.

Se seu cão é apenas grudado em você, fica a seu critério modificar ou não o comportamento. Algumas pessoas não ligam; mas se for um problema, peça ajuda especializada para reduzi-lo.

A causa do comportamento é tédio? Procure fornecê-lo estímulos mentais ou um trabalho para fazer. Cães entediados podem se tornar destrutivos quando sozinhos.

Ansiedade de separação X cão velcro

Muitas vezes cães velcro e cães com ansiedade de separação são classificados como o mesmo problema, ambos associados com o fato de não querer ficar longe de seus tutores. Embora as diferenças sejam sutis, elas existem. Os cães velcro querem ficar junto de seus tutores; cães com ansiedade de separação entram em pânico quando ficam longe de seus tutores.

Muitos cães que têm ansiedade de separação tendem a também ser cães velcro, mas nem todos os cães velcro têm ansiedade de separação: está é específica de quando o cão é deixado sozinho. O cão velcro exibe o comportamento grudinho quando você está em casa.

Sintomas da ansiedade de separação:

  • Latir ou uivar quando você sai
  • Roer e destruir objetos (como portas, móveis)
  • Tentar fugir
  • Babar ou ofegar excessivamente
  • Fazer suas necessidades fora de lugar quando sozinho
  • Andar de um lado para o outro
  • O cão fica ansioso quando você se prepara para sair
  • O cão tem comportamento inapropriado somente quando está sozinho

Sintomas do cão velcro:

  • Segui-lo pelos cômodos
  • Precisa constantemente estar perto de você
  • Está sempre de olho em você
  • Se antecipa quando você vai se levantar
  • Quer estar sempre onde as coisas acontecem
Cães velcro podem sim ter uma tendência maior a ter ansiedade de separação. 

Como reduzir?

Para estimular mais independência, há algumas dicas que podem ajudar:

1. Treine o comando "fica". Quando você estiver na cozinha ou no banheiro, ensine o cão a ficar a uma certa distância. Comece com distâncias pequenas, aumentando gradativamente. Lembre-se de recompensá-lo pelos acertos!

2. Faça jogos que dependam de distância. Brincadeiras de faro, esconde-esconde e bolinha são divertidas e estimulam diversão mesmo sem você do lado.

3. Dessensibilize o cão aos seus movimentos. Se seu cão se levanta toda vez que você se levanta, repita este ato (de se levantar) até que ele não reaja mais. Um hora ele não vai mais ligar para os seus movimentos e ficará no canto dele quando você se levantar.
Pense em todos os "gatilhos" que fazem seu cão responder. Ele se levanta quando você guarda o controle remoto ou quando coloca os sapatos? Trabalhe para dessensibilizar estes gatilhos. Quando ele estiver familiarizado com estas coisas, ele vai parar de reagir a eles.

4. Dê ao cão um lugar especial e treine-o a ir para ele. Use a caminha dele, ou um colchãozinho e treine-o a ir para lá. Recompense-o quando ele for para lá e dê incentivos extras neste local especial, como brinquedos ou petiscos, algo que o faça querer ficar ali. Um kong recheado é excelente para distrair o cão enquanto você faz suas coisas.

5. Coloque mais atividade física no dia-a-dia. Cão cansado é cão feliz. Se seu cão tem energia o bastante para lhe seguir pela casa, então ele pode ter uma dose extra de exercícios. Quando ele tem atividade física o suficiente é mais provável que ele durma e relaxe em casa, nem percebendo que você se levantou.

6. Dê mais estímulo mental. Cães adoram trabalhar e brincar. Manter o cérebro ativo faz com que eles se cansem tanto quanto uma atividade física. Obediência básica, agility, faro, esconde-esconde, cabo-de-guerra e aprender novos truques são boas maneiras de se cansar um cão. Oferecer a comida em brinquedos dispensadores de comida também são excelentes opções. 

Cães adoram ter um propósito
Se tudo bem seu cão lhe seguir pela casa, mas não quer que ele entre na cozinha enquanto você cozinha, estabeleça limites. Ao invés de dizer o que não quer que ele faça, ensine comportamentos aceitáveis. 

Manter seu cão física e mentalmente desafiado desenvolve a confiança dele. Faça atividades dentro e fora de casa, coisas que você possa fazer rotineiramente, para mantê-lo ocupado. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Os benefícios de uma dieta caseira

Desde que parei de dar ração noto apenas melhoras na saúde dos magrelos, além de muita disposição e vitalidade. Isso porque, ao priorizarmos oferecer aos nossos cães (e gatos também!) alimentos biologicamente apropriados, nutritivos e frescos, fornecemos mais que nutrição: damos aos nossos peludos saúde e longevidade!

Quando o alimento é cru (como é o nosso caso), é uma dieta muito nutritiva e mais saudável que as rações comerciais. Ao oferecer um alimento cru biologicamente apropriado, eu escolho quais ingredientes terão a dieta deles, tenho maior controle tanto da variedade quanto da qualidade dos alimentos. Essa melhor qualidade da nutrição se reflete em uma vida mais longa e saudável, além de gastar muito menos com remédios e consultas veterinárias por motivo de doenças. Há seis anos, Suzie tinha muitos problemas de pele, ouvido e gastrointestinais, que acabaram quando mudei para uma alimentação de qualidade e feita em casa. Ao dar comida de verdade, proporciono a eles uma variedade de carnes, frutas e vegetais, tornando uma dieta muito rica.

Comidinha da Suzie e do
Pistache. 
Além destes ingredientes frescos, também forneço alguns suplementos naturais que melhoram ainda mais sua saúde, a qualidade da pelagem e da pele. O que noto de mais marcante é que suas orelhas e boca não têm odor forte e ruim, nem mesmo eles têm cheiro forte. Seus dentes são saudáveis e mais limpos, por comerem ossos carnudos crus e ossos recreacionais crus, e seu sistema imunológico é muito forte.

Antes de começar, estudei muito, além de me consultar com uma veterinária especializada neste tipo de dieta. A comida deles consiste em ossos carnudos crus (60%), carnes (15%), vísceras (15%) e frutas, vegetais e legumes (10%). Tudo muito balanceado, acrescido dos suplementos naturais (alguns diários, outros dados 1 a 2 vezes na semana) e dado de acordo com seu peso ideal. Isso é fundamental, porque oferecer um alimento caseiro não significa dar a mesma comida que comemos, muito menos restos de comida. Tem que ser biologicamente apropriada! Por isso é fundamental se aconselhar com um veterinário que entenda e prescreva este tipo de dieta.

Os vegetais não são muito bem digeridos, então devem ser servidos ou cozidos (alguns só podem ser oferecidos cozidos) ou batidos no liquidificador, quando crus. Assim é mais fácil para os cães absorverem seus nutrientes.

Se interessou? Pesquise muito sobre o assunto. Há poucos sites brasileiros, mas são excelentes fonte de informação. Já na língua inglesa, há uma vasta informação, tanto em sites quanto em livros.

Poruguês:
Cachorro Verde
Comida boa pra cachorro
Bicho Integral
Tendências Naturebas

sábado, 4 de abril de 2015

Adoção de cão adulto: Adaptação entre irmãos

Após o primeiro contato inicial muito bem sucedido, precisamos adaptar os dois cães em casa. Afinal, a casa e seus humanos eram todos da Suzie. Agora ela precisaria dividir tudo. Vamos começar pelo estômago. 

Refeições

Depois de uma volta tranquila, Pistache e Suzie estão em casa. Hora de dar comida para eles. Eu conheço a Suzie, meio competitiva por comida, então, dei a comida dos dois separados no primeiro dia: ele comeu na lavanderia, ela na cozinha, porta fechada.

No segundo dia, café da manhã também dado separado, mas desta vez com a porta aberta. Eu precisava ver como seria a reação dos dois, ainda mais sabendo da gulodice da Suzie. Nenhum deles foi no prato do outro para comer (os dois comendo AN, ele desde o primeiro dia, porque rejeitou a ração, quis só a comida da nova mamãe). Nada de olhares atravessados, pelos eriçados, nenhum sinal de ansiedade ou agressividade, de nenhuma parte. Fui aproximando os potes, sempre de olho na reação dos dois. Hoje, eles comem um ao lado do outro, separados apenas pelo pote de água. Mas eu sempre de olho. Um espera o outro terminar de comer, para, aí sim, lamberem um o pote do outro. Os dois sentam para comer, o comando nem é verbal: o fato de eu pegar os potes já é o comando. Suzie espera eu colocar o prato no chão e dar o OK; Pistache ainda está no processo (porque ele demorou a ficar confiante o bastante para se sentar). 

Confiança

Família quase completa, passeando nas montanhas
na casa de uma amiga-irmã
Ele chegou medroso: afinal, foram quase 5 anos com uma família, agora está em um local totalmente novo, com pessoas estranhas, não familiares. Nos dois primeiros dias não me aproximei muito dele: esperava ele se aproximar. Quando ele se aproximava de mim com mais confiança, apresentava a minha mão pra ele, pra ele tocar com o focinho, e era recompensado por isso (targeting). Hoje, está totalmente relaxado com a gente e ambientado à casa e à rotina. 

Medos

Muitos de seus medos já acabaram: de cães latindo, de carros, ônibus, moto, caminhões passando, de algumas pessoas, de bater palmas, de tapinhas no bumbum (como carinho), de sentar (ele não sentava de jeito nenhum, agora senta pra tudo), de subir na cama, colchão, sofá, do aspirador de pó. Fui adaptando com calma ele a todas estas situações que antes o aterrorizavam. Ainda permanece o medo de fogos de artifício e um pouco quando há tempestades. Seguimos trabalhando. 

Rotina

Passeios diários às 6:15h da manhã; idas à uma praça; hora de comer, de treinar, de dormir. Completamente ambientado. 

Educação

Já entende o targeting (mostrar a mão), senta, vem, vamos dormir, hora do xixi. Senta pra comer, pra ganhar carinho, pra colocar a coleira. Agora precisa sentar pra sair, ainda não entendeu muito bem. Tenho que ir com calma, por ele ser mais sensível que a Suzie. Tenho trabalhado o Deixa, Deita e Fica (pra ele entender que eu sumo, mas volto). Tem melhorado também no aspecto de ficar sozinho.

Tem muita necessidade de roer e, no começo, ele roeu alguns brinquedos das meninas (eu estava desacostumada, porque a Suzie não tinha mais essa necessidade toda de roer). Ele ainda tem, então, sempre tenho ossos, brinquedos pra roer e fui ensinando  o que podia e não podia. Hoje as meninas já podem brincar no chão perto dele que ele não irá roubar seus brinquedos; posso deixar a porta do quarto delas aberta enquanto estou em casa que não há mais perigo: ele escolhe as coisinhas dele pra destruir. Hoje esqueci a porta do quarto delas aberta, e passeia a manhã fora, atendendo. Quando voltei, estava tudo intacto. Uma bela prova e ele passou com louvor!

Não faz xixi pela casa toda: faz na frente ou no quintal (e, finalmente, fez no passeio na rua, coisa que ele não fazia, esperava chegar em casa pra fazer). Durante a noite tem feito xixi, mas sempre no mesmo lugar na cozinha, sem marcar território. 

Amor

Maninhos dormindo juntos
Já é muito amado, como se ele sempre houvesse sido nosso e apenas tivesse passado uma temporada em outro lugar. Muito grudado com a gente, dengoso, adora um carinho, dormir junto, ama as meninas, adora uma lambidinha da Suzie nas orelhas. 

O que mais nos impressionou foi a Suzie: desde o primeiro dia em casa já aceitou ele deitar perto, do lado, não demonstrou ciúme algum. Não parece que realmente sempre estiveram juntos?


quarta-feira, 18 de março de 2015

Adoção de cão adulto: primeiro contato



Nosso primeiro contato
Aqui vou falar um pouco sobre como foi a adoção do Pistache. Primeiro, a Dani, que estava com ele, perguntou se estávamos interessados em adotar um cão adulto. Esta era a minha intenção mesmo, pois a Suzie, com 10 anos, não ficaria tão feliz com a chegada de um filhote, cheio de energia. Queríamos lhe dar uma companhia, sim, mas com um nível de energia compatível ao dela: que gosta de brincar, mas também de descansar, além de respeitar o espaço. 

Conversamos todos em casa, porque a adoção de um cão, ou mesmo a compra de um, deve ser algo em que TODOS da casa queiram. Se uma pessoa não aceitar, melhor deixar para outra ocasião: o cão deve chegar em um lar onde todos o queiram, em um lar em harmonia devido à sua chegada. 

Elogiando a Suzie
Com todos da família aceitando e desejando muito a adoção, combinamos de ir pegá-lo. Mas quem daria a palavra final seria a Suzie: ela precisaria gostar dele, ter afinidade com ele. E ele com ela. Fomos todos lá, eu munida de petiscos para o caso de precisar haver uma adaptação. 

Chegando lá, primeiro apresentamos a Suzie para alguns membros caninos da família e para os membros humanos, até ela se ambientar e ficar relaxada: essencial, já que ela precisaria estar relativamente tranquila para conhecer o futuro irmão. 

Família quase completa: Letícia estava brincando
e Suzie explorando
Tudo certinho, chegou a hora da apresentação. Pistache foi solto. Os dois se cheiraram e ficaram numa boa. Depois os levamos para uma sala, para ficarem mais contidos: tudo em paz. Ficamos muito felizes: Suzie o aceitou numa boa! Pistache já poderia ser considerado nosso filho. 

Quando há a possibilidade do seu cão conhecer aquele que você pretende adotar, é excelente! Eles precisam se dar bem, se aceitar mutuamente. Se não houver esta possibilidade, faça a apresentação em um território neutro, aos poucos. Se preciso, peça ajuda de um profissional. 

Em breve falarei sobre a adaptação do cão adotado ao novo lar. 

domingo, 15 de março de 2015

Confiança

Pistache
Alguns já sabem que há cerca de quatro meses adotamos um cão adulto, Whippet, assim como nossa primogênita Suzie. Ele, Pistache, chegou com alguns medos e, antes de trabalhar qualquer comportamento com ele, o principal que trabalhei foi a confiança.

Isso mesmo: a confiança. Ela é deixada para trás por alguns de nós, mas pode ser o mais recompensador para o cão. Acaba sendo o principal quando educamos um cão medroso. Sem confiança, o mundo se torna assustador demais.

Para o Pistache, o simples fato de "sentar" o deixava extremamente ansioso, ele tremia quando queria lhe ensinar algo. A ansiedade interferia com sua habilidade de aprender. Por quê? Porque ele gastava mais energia tentando entender se o mundo é seguro ou perigoso e seu corpo era bombardeado pelos sinais do estresse, aí ele não se focava no que eu queria ensinar.

Passei a trabalhar a dessensibilização e contra-condicionamento, aliado a um floral passado para ajudar no processo de adaptação ao novo lar. Comecei a trabalhar a sua confiança no mundo, mudando como ele o via: antes algo assustador; agora, algo gostoso, devido ao treino. Agora, ao encontrar algo que antes o assustava demais, ele já se recupera com mais facilidade e, de certas coisas,  já nem assusta mais e abana o rabo.

Como ganhei sua confiança? Primeiro de tudo, com o treino de target: o ato de tocar minha mão com o focinho. Com isso fui mostrando que ele podia confiar em mim, primeiramente. Depois, passei o target para outras situações, não necessariamente tocar com o focinho, mas olhar também (por exemplo, olhar o carro e ser recompensado). Depois disso, passei para o senta e outros comportamentos mais fáceis de ensinar, como dar a pata, caminha. E sempre, sempre, me movimentando devagar, com paciência, indo no tempo dele. Qualquer deslize meu, o treino iria por água abaixo. Quem visse os treinos iniciais, os acharia enfadonhos: cadê o senta? deita? fica? Ainda não.

O meu objetivo inicial era ganhar a sua confiança. E este se tornou o "comportamento" final do meu treino.

Assim começa meu trabalho com cães medrosos: com passos de formiguinha, parecendo que não estou fazendo nada no começo, mas ganhando a confiança daquele cão para, aí sim, podermos evoluir para algo mais "bacana".

O fato de eu já ter a Suzie, mais equilibrada quanto a medos, ajudou muito, principalmente nos passeios, com cães latindo para ele, andando em avenidas... ainda assim, foi tudo feito com calma, paciência, no tempo dele. Ele me mostrava que estava pronto para dar mais um passo, e eu dava. Não forcei nada.

Agindo assim, ele entende que eu não o forçarei a fazer nada que o assuste, mas o ajudarei a superar estes medos.

Sigo trabalhando neste passo com ele, com calma. Afinal, o tema principal em todas as sessões com cães medrosos é: confiança.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Dicas para sociabilizar um filhote

A sociabilização é crucial e é preciso fazê-la com TODOS os filhotes o quanto antes (até a 16ª semana de vida dele). Até essa idade, os filhotes não estão com todas as vacinas em dia, mas precisam ser sociabilizados, senão não estarão aptos a viver em harmonia na sociedade humana: se tornarão cães medrosos, poderão reagir de forma agressiva à tudo o que os assuste (crianças, idosos, estranhos, homens, carteiros, outros cães etc). É complicado conviver com um cão que vive neste estado permanente de medo, além de não ser justo para ele. Um cão socializado é aceito em vários lugares e vive mais próximo do dono.

As experiências que o cãozinho tiver nesta fase, sejam boas ou más, modelarão o comportamento dele. Juntamente com a carga genética, as experiências obtidas na sociabilização dele formarão como ele reagirá perante estranho, lugares, sons, o que ele vê, cheiros, outros cães, outros animais... A janela da sociabilização - aquele período mágico em que os filhotes estão abertos a novas experiências - chega ao final na 16ª semana de vida. Apesar disso, o cão deve ser sociabilizado por toda a vida dele. Lembre-se: experiências negativas ou falta de sociabilização no período crítico afetarão de forma também negativa o comportamento do filhote.

Então, como sociabilizar um filhote que ainda não completou o calendário de vacinações?

Sem pisar no chão: Não exponha o filhote a áreas externas onde você sabe que outros cães passam: ruas, praças, parques, pet shops. Leve o filhote no colo: ele verá o mundo, receberá os petiscos (associação positiva) e não correrá risco de pegar doenças infecciosas.


Não vá só a pet shop: Há outros locais onde um cãozinho no colo será bem-vindo. Algumas farmácias, lojas, locadoras, postos de gasolina, shoppings... leve-o no colo e sociabilize-o com várias pessoas!

Estacionamento: Os estacionamentos são bons para você sociabilizar o filhote a andar de carro, sentir novos odores, conhecer mais pessoas, ambientes (escadas, tráfego, elevadores).

Outras espécies: A maioria das doenças de uma espécie não contagia outra. Então, é relativamente seguro sociabilizar seu cão com gatos, ferrets, aves, coelhos, porquinhos da índia, hamsters, tartarugas de conhecidos e sabiamente saudáveis. Sociabilize também com outros cães, filhotes, adolescentes e adultos, de pessoas conhecidas e cujos cães estejam saudáveis e sejam dóceis: queremos manter as experiências prazerosas, sempre, para os filhotes. Assim se tornarão adultos equilibrados.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Comida de verdade: mais saúde e longevidade

A comida mais comum oferecida aos cães no mundo todo é a ração, que não é considerada comida de verdade. A ração consiste, basicamente, um pellet feito com ingredientes extremamente cozidos e de baixa qualidade e com aditivos que promovem doenças. Infelizmente para nossos cães, a maioria das empresas de alimentos industrializados não pensam na saúde e bem-estar de nossos amados, mas consideram a indústria pet uma forma excelente de ganhar dinheiro sem precisar entender quais as reais necessidades nutricionais dos cães. Mesmo que os cães consigam sobreviver com um saco de ração baratinho encontrado no supermercado (um alimento que contém subprodutos, conservantes e outros ingredientes não saudáveis), eles não mostram todo seu potencial físico e de saúde. Uma dieta pobre resulta em um corpo mais fraco, condição física pobre, menor tempo de vida e falta de resistência às doenças.

Nossa, mas uma escolha ruim na dieta do meu cão tem mesmo este impacto? SIM! Mesmo que o cão tenha uma vida relativamente longa e pareça não ser afetado por uma dieta pobre, este não é o resultado mais visto por aí. Dar um alimento de baixa qualidade é o equivalente a você comer somente fast food: cedo ou tarde você desenvolverá doenças e terá uma qualidade de vida ruim, devido ao seu estado de saúde debilitado como resultado da dieta (no documentário “Super Size Me” isto é bem retratado). Se os cães vivessem de 50 a 100 anos veríamos ainda mais o declínio em sua saúde, assim como temos visto na nossa própria. Claro que no começo você parece super bem com uma dieta de hamburgueres, milk-shakes e batatas-fritas, mas uma hora você paga o preço. E os nossos cães pagam o preço pelas escolhas que nós fazemos com relação à comida deles.

O que é uma comida de verdade?
É uma dieta que consiste apenas de comida de verdade – crua, cozida ou uma combinação das duas – que não contém ingredientes ruins e nem conservantes. Uma comida de verdade é cheia de nutrientes, enzimas e alimentos apropriados que promovem a saúde e a longevidade. Dois exemplos dessa dieta são a dieta crua (Alimentação Natural) e a dieta cozida feita em casa. Ambas requerem que você tome as rédeas no preparo de um alimento nutritivo para seu cão e deixe de lado a conveniência das rações, mas este “trabalho” vai compensar quando você vir a vida de seu cão melhorar cada vez mais!

Mas por que devo mudar a dieta de meu cão?
Assim como quando evitamos alimentos industrializados e altamente processados nossa saúde melhora bastante (e ficamos menos doente e gastamos menos com remédios e médicos), o mesmo acontece com nossos cães. Quando os cães passam a comer carne de boa qualidade, ossos carnudos crus, vegetais, frutas e suplementos naturais, a saúde dele melhora de uma forma incrível: ele terá uma aparência melhor, terá mais energia no dia-a-dia, sofrerá menos com doenças e gastará menos no veterinário e com remédios.

Por que não devo dar ao meu cão uma ração que tenha grãos?
Cães são carnívoros. Mesmo que eles consigam digerir grãos e vegetais, biologicamente eles são feitos para comer o mesmo que seus ancestrais. Cientificamente, os cães são classificados como carnívoros e há uma razão para isso. Biólogos, zoólogos e taxonomistas têm várias pesquisas que nos mostram que eles são, de fato, carnívoros. (1)

Qual devo dar: dieta crua ou cozida?
A escolha é sua. Pense qual é mais confortável para você, qual é mais fácil. Esta é a que você deve escolher.

A dieta crua consiste em dar ao seu cão carnes, vísceras e ossos carnudos, todos crus. Esta é a opção mais apropriada do ponto de vista do cão. Carnívoros e onívoros se dão melhor com esta dieta e os cães se dão melhor, em termos físicos e de saúde, com ela.

Já a dieta cozida não é considerada tão boa quanto a crua, pois cozinha os alimentos além de incluir carboidratos em sua composição. Mesmo assim, é infinitamente superior às rações comerciais. O cozimento destrói nutrientes e mata enzimas: por isso a dieta cozida precisa de mais suplementos que a crua. Esta dieta também tem alimentos de verdade, é bastante úmida e sem nada nocivo. O ideal é que ela não contenha grãos, seja rica em proteínas e um conteúdo médio de carboidratos.

E quanto às rações super premium?
Claro que há excelentes rações no mercado e, se você decidir não oferecer uma dieta crua ou cozida, esta deve ser a melhor opção. Mesmo assim, o nível de nutrição e benefícios dos alimentos de verdade não estão presentes, nem mesmo nas rações super premium. Se você encontrar uma ração que não contenha grãos, nem conservantes e corantes, é a melhor opção dentre as rações. Isto não quer dizer que os cães não possam viver bem comendo ração, mas uma dieta contendo ingredientes frescos, preparados em casa, sempre será superior à qualquer ração! Se mesmo assim você optar pelas rações, é melhor que conheça bem os ingredientes perigosos mais comuns usados em seu preparo e não compre as que os contenham.

Decidi pelo melhor: uma dieta caseira. O que faço agora?
Estude, muito! Consulte veterinários favoráveis à Alimentação Natural, leia sites (há excelentes opções tanto em inglês quanto em português), livros, se informe bem sobre o assunto. E também examine seu cão: a dieta de um cão saudável e de um cão com algum problema de saúde é diferente.

Quer estudar sobre o assunto e dar uma alimentação melhor ao seu amigão? Abaixo alguns sites indicados:

* Cachorro Verde (dicas para gatos também)
* Bicho Integral
* Comida Boa Pra Cachorro

* Tendências Naturebas Pet (dicas para gatos também)
* Dogs Naturally Magazine
* Tre Raw Feedind Community
* K9 Instinct

Bons estudos!



O que vem por aí:
- Coma como um lobo e tenha uma saúde invejável: dieta crua para cães
- A incrível dieta crua
- Os benefícios da dieta cozida
- A verdade sobre os ingredientes das rações
- Perguntas frequentes sobre a dieta crua
- A importância da nutrição

domingo, 14 de dezembro de 2014

Estímulos mentais para o cão

Assim como nós, humanos, os cães também precisam de estímulos mentais em sua rotina diária. Estas brincadeiras não só deixam a mente do cão ativa (muito importante para evitar não só o tédio, como também disfunção cognitiva na velhice), e também o cansam fisicamente, como se ele tivesse passado meia hora brincando de bolinha.

Brincar com os cães é ótimo: além deles gastarem energia, é algo divertido para todo mundo. Mas falta algo: falta usar a cabeça. Muitas brincadeiras (como a bolinha e cabo de guerra) não requerem que o cão pense. Por outro lado, jogos interativos que requerem que o cão pense não só cansam o cão, também mandam embora o tédio, aumentam a confiança dele e fortalece o vínculo entre vocês dois, já que vocês acabam trabalhando juntos, como um time. Há muitas atividades interessantes para fazer com seu cão, que são adaptadas de brincadeiras de crianças. Trabalham tanto a mente quando o corpo. Abaixo, 10 ideias para você começar.

1. Caça ao Tesouro
Fazer o cão usar o olfato para encontrar um tesouro escondido é fantástico para estimular seu cérebro e acostumá-lo a usar seus sentidos. Antes de mais nada, no começo é bom que as coisas sejam fáceis para seu cão, senão ele desistirá e não irá mais brincar. Então, peça para seu cão sentar e esconda um petisco ou brinquedo em um lugar óbvio, que ele esteja vendo, como atrás do sofá. Diga OK e peça para procurar. Encontrar o petisco/brinquedo e receber um elogio seu será a recompensa do cão (lembre de esconder algo que seja uma recompensa para ele!).

Assim que ele começar a entender o espírito da coisa, vá tornando as coisas mais difíceis. Esconda o petisco/brinquedo em outro cômodo ou em um lugar onde os odores do ambiente mascarem os odores do petisco/brinquedo (como debaixo do pote de comida). Outra maneira de dificultar é usar caixas de papelão. Pegue umas dez caixas de papelão de diferentes tamanhos e, sem que seu cão veja, coloque a recompensa em apenas uma caixa. Deixe seu cão investigar todas elas e tenha com você uma super recompensa (jackpot) assim que ele encontrar o tesouro. Há tantas variações que vocês irão se divertir bastante por muito tempo.

2. Esconde – esconde
Torne ainda mais divertida a brincadeira anterior sendo você o tesouro perdido que seu cão precisa encontrar! Para essa brincadeira é preciso de pelo menos duas pessoas. Uma pessoa pede para o cão sentar e ficar e o distrai enquanto outra pessoa se esconde. A primeira libera o cão e pede pra ele procurar. Essa brincadeira é ótima tanto dentro quanto fora de casa, é útil para encontrar seus filhos brincando no parque e é um ótimo passatempo para dias chuvosos.

3. Empilhar anel
Assim como as crianças aprendem com os brinquedos a ter coordenação, os cães também. Andar pelos corredores das lojas faz com que imaginemos coisas que podemos ensinar aos nossos cães. Que tal começar empilhando anéis? É um jogo difícil e leva um tempo para eles aprenderem, então esteja preparado para passar horas junto com seu amigão ensinando-o e se divertindo com ele (pode demorar dias ou semanas para ele aprender). Dê preferência a anéis de madeira, não os de plástico, porque o cão irá mordê-los bastante. O tamanho deles depende do tamanho do seu cão e da força da mordida dele.

Ensiná-lo com o clicker é ideal para esta brincadeira, já que seu cão está sentindo, e não vendo, o que está fazendo. Comece clicando quando ele pegar o anel, depois quando a boca dele for se aproximando do bastão. Continue a moldar o comportamento clicando e recompensando ao tocar o bastão com o anel, evoluindo até ele ir ao topo do bastão. Depois de algumas sessões, ele entenderá o objetivo do jogo e irá adorar empilhar os anéis.

Você pode mudar um pouco a brincadeira instalando o bastão na parede, para o cão colocar os anéis na horizontal (torna a brincadeira mais difícil). Pode também colocar os anéis em cômodos diferentes, fazendo com o que cão tenha que ir a cada um deles, pegar os anéis e colocá-los no lugar antes de receber a super recompensa (jackpot).

4. Jogo do copo
Esta é uma brincadeira simples mas desafiadora. Pegue dois copos plásticos, opacos e vire-os de cabeça para baixo. Com seu cão olhando, coloque um petisco debaixo de um deles. Fale para seu cão vir, virar o copo e pegar o petisco. Faça isso oito a dez vezes, para que o cão entenda direitinho. Então, alterne o copo onde você coloca o petisco. Quando seu cão escolher o copo certo, deixe-o pegar o petisco. Se ele escolher o errado (e isso acontece, mesmo ele vendo onde você esconde), mostre a ele onde estava escondido o petisco mas não dê para ele. Deixe-o ver em qual copo você coloca o petisco, para que ele escolha corretamente. Parece fácil pra gente mas, para muitos cães, requer muito esforço mental.

Se seu cão dominar bem esta brincadeira, desafie-o mais. Coloque o petisco debaixo do copo da esquerda, daí troque os copos de lugar. Libere o cão para ele encontrar o petisco. Se ele escolher o copo certo, dê-lhe o petisco. Se ele errar, mostre onde está o petisco mas não o dê para ele. Repita mais vezes e veja se seu cão entende a brincadeira. Alguns cães parecem nunca entender como a mágica acontece (o petisco mudou de lado, como?) - é uma brincadeira difícil usando a visão e nem todos os cães fazem esta conexão. Mas, se seu cão faz, aumente o desafio trocando os lados aleatoriamente. Veja se ele consegue usar a visão; habilidades mentais e olfativas para encontrar o petisco depois da troca. Neste estágio poucos cães fazem esta conexão: não desanime se seu cão for um deles. No site Dognition você pode aprender mais sobre a personalidade e estilo de aprendizado de seu cão e, para quem é membro, há uma variação deste jogo, além de outros jogos estimulantes que manterão seu cão com o cérebro sempre afiado.

5. Um truque novo
Uma atividade que aumenta a criatividade de seu cão é aprender um truque novo. Muito popular no adestramento com clicker porque ensina o cão a pensar por ele mesmo, a ter suas próprias ideias sobre qual comportamento ganha uma recompensa. A premissa é simples: clicar e recompensar um comportamento novo oferecido pelo cão e ignorar um já antigo. Um exemplo: digo para o cão “novo truque” e ele senta. Clique e recompensa. Falo “novo truque” de novo. Meu cão deita. Clique e recompensa. “Novo truque” e meu cão faz um círculo. Clique e recompensa. Mas, se eu disser “novo truque” e ele fizer algo já feito antes, como sentar, digo “você já fez isso” e ele não é recompensado.

Quando você faz essa brincadeira pela primeira vez, principalmente se seu cão não está acostumado com o treino com clicker, faça tudo muito simples. Qualquer coisa pequena, mas nova, ganha uma recompensa. Você pode colocar uma caixa de papelão perto do cão. Clique e recompense quando o cão olhar para a caixa, quando ele tocá-la com uma pata, quanto tocá-la com o focinho, quando colocar uma pata dentro dela; quando andar em volta dela; por qualquer interação com a caixa. Mas não recompense a mesma ação duas vezes. Tocar a caixa com o focinho é recompensada apenas uma vez: se fizer de novo, não ganha nada. Quando seu cão pegar o jeito da brincadeira, espere por outros comportamentos como sentar, deitar, rastejar, girar, cumprimentar etc. Logo ele lhe oferecerá seu repertório completo de truques e inventará novos só para ganhar petiscos.

Obs.: é preciso ensinar alguns truques para seu cão antes, senão ele irá desistir facilmente da brincadeira. O jogo da caixa é muito conhecido para dar mais confiança ao cão que tem receio de pensar.

6. Quente e frio
Também é uma brincadeira ideal para usar o clicker, já que usa os princípios básicos de modelar um novo comportamento (shaping). É ideal para aqueles cães que não se frustram facilmente. Tudo o que você precisa fazer é sentar no sofá e dizer “quente” ou “frio” e jogar petiscos. Não podia ser mais fácil, hein?! Basicamente tudo o que você precisa é pensar em algo que você quer que seu cão faça. Pode ser qualquer coisa – pegar um brinquedo do chão, por exemplo, e trazê-lo até você. Então, sente-se no sofá com os petiscos e, sempre que seu cão fizer um movimento em direção ao brinquedo, siga “quente” com entusiasmo e dê-lhe um petisco. Se o cão se afasta do brinquedo, fale “frio” em tom neutro e baixo. Se ele voltar a se aproximar do objetivo, diga com entusiasmo “quente!” e jogue o petisco. Pense em qualquer comportamento: tocar a maçaneta da porta no outro lado da sala, pegar um brinquedo, trazer seu chinelo. A ideia de modelar (shaping) está muito bem descrita no livro “Don't Shoot the Dog”, de Karen Pryor. Leitura que recomendo!

7. Guardar os brinquedos
Guardar os brinquedos nunca foi tão divertido! Para que o cão entenda o jogo, comece ensinando o “larga”. Fazer com que o cão largue o brinquedo sob comando é o ingrediente principal para fazer com que ele solte o brinquedo em um local específico. Assim que você tiver um “larga” sólido, comece a modelar o comportamento de soltar os brinquedos numa caixa. Clique e recompense cada estágio do comportamento, tais como o cão virar a cabeça em direção da caixa com o brinquedo na boca, ou soltá-lo perto da caixa. Qualquer coisa que esteja perto do comportamento final, que é guardar os brinquedos. Uma hora seu cão irá entender que o comando “guarde” significa pegar o brinquedo, levá-lo até a caixa, soltá-lo ali dentro e deixá-lo lá.

Quando esta parte estiver dominada, vá aumentando o número de brinquedo que seu cão precisa pegar. Comece recompensando cada vez que ele colocar um brinquedo na caixa. Depois recompense só quando ele guardar dois brinquedos, três e assim por diante. No final, ele só será recompensado quando todos os brinquedos estiverem na caixa e você terá um cão que corre pela sala à procura de brinquedos para guardar o mais rápido possível, só para ganhar o tão sonhado jackpot (número maior de recompensa).

Tenha em mente que para chegar neste nível vai demorar e essa jornada faz parte do jogo. Portanto, tenha paciência. Se seu cão ficar frustrado, encoraje-o: isso o ajudará a entender a brincadeira além de fazer com que ele ganhe confiança.

8. O jogo do nome
Seu cão já aprendeu a guardar os brinquedos mas, ele sabe o nome deles? Um jogo legal é ensinar o cão o nome de brinquedos específicos e falar para ele pegar aquele em particular. Existem cães que são famosos por seu vocabulário, e até mesmo o cão mais “teimoso” pode aprender o nome de pelo menos dois brinquedos. Só precisa de muita (mesmo!) repetição. Um jeito de começar é segurando o brinquedo, dizer o nome dele, deixar o cão pegá-lo e recompensá-lo por isso. Digamos que você tem um brinquedo de borracha chamado Tug. Segure Tug em uma mão, diga “Tug”, deixe o cão pegá-lo e recompense-o. Repita 20 ou 30 vezes. Então, coloque Tug ao lado de um brinquedo de igual valor, como uma corda chamada Corda. Diga “Tug” e, se seu cão escolher o Tug, recompense-o. Se ele escolher a Corda, não diga nada, apenas coloque a Corda de novo perto do Tug. Diga “Tug” de novo e deixe que ele escolha. Quando ele estiver escolhendo o Tug consistentemente, coloque-o perto de outro brinquedo e repita os passos até que ele sempre escolha o Tug ao invés de outro brinquedo de igual valor.

Quando seu cão estiver craque nesta brincadeira, comece tudo de novo com um brinquedo diferente, como a Corda. Segure-a, diga “Corda”, deixe o cão pegá-la e recompense-o, repetindo isso por 20 ou 30 vezes. Coloque a Corda perto de outro brinquedo, que não seja o Tug), diga “Corda” e só recompense-o se ele escolhê-la. Se ele não escolhê-la, não diga nada e só coloque o outro brinquedo de volta, perto da Corda, e tente de novo. Repita até que seu cão tenha o mesmo sucesso que teve com o Tug.

Quando seu cão souber os nomes Tug e Corda, é hora do teste. Coloque Tug e Corda um ao lado do outro e diga “Tug”. Recompense-o só se ele escolher o Tug. Continue tentando até que seu cão tenha sucesso algumas vezes, depois troque e diga “Corda”. Quando o cão estiver pegando consistentemente o que você pede, vocês estão prontos para ir além, colocando alguns brinquedos sem nome na equação. Veja se seu cão pega Tug ou Corda na pequena pilha de brinquedos. Se você tiver sucesso com dois brinquedos, repita o processo com mais deles. Quem sabe quantos nomes seu cão irá aprender!

9. Pular corda
Olhos e corpo precisam estar coordenados. Seu cão precisa se concentrar no ritmo da corda, ficar num certo ponto no chão e, claro, pular. Será que isso pode ser feito? Claro que sim!

Comece ensinando o cão a atingir um alvo no chão. O alvo pode ser uma vareta que mostra ao cão não apenas onde pular mas também quando espaço há ali para ele trabalhar em ambos os lados e ficar nos limites da corda. Uma vez estabelecido o alvo, ensine o cão a pular nele sob comando. Depois que ele tiver dominado isso, adicione a corda, indicando ao cão cada vez que ele precisar pular, quando a corda abaixa. Requer muita prática, mas também gasta muita energia física e mental.

10. Luz vermelha, Luz verde
Este é um jogo ideal para cães que tendem a ficar tensos durante uma brincadeira e se tornar muito entusiasmados. O jogo melhora o controle de impulso do cão e o lembra de prestar atenção em você, não importa quanto ele esteja se divertindo. Fará com que as idas ao parque, ou outros lugares onde você possa soltar seu cão, mais seguras e divertidas, mas é um jogo que pode ser jogado em qualquer lugar, a qualquer hora. Neste vídeo você tem um grande exemplo do jogo e pode tentar fazê-lo com seu cão. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Cães enclausurados

Viver apenas dentro de casa é entediante
Recentemente li depoimentos de donos de cães de determinada raça que diziam que seus cães viviam 24h por dia dentro de casa, nunca haviam dado um passeio. Se precisavam sair, era no colo, de carro, e apenas uma vez por semana para tomar banho no pet shop.

A desculpa para a falta de passeios, exercícios e brincadeiras com outros cães? São várias:
- vai embolar os pêlos
- não precisa de exercício é uma raça de porte pequeno
- só de caminhar dentro de casa já se exercita o suficiente
- não tem muita energia, descansa a maior parte do tempo

Vemos que os donos apenas se preocuparam com a estética e exercícios físicos do cão. Mas, e os estímulos mentais? O lado social de brincar com outros cães, conhecer pessoas? A oportunidade de poder andar na grama, sentir os inúmeros cheios que um passeio proporciona? 

O mais incrível é saber que alguns criadores concordam com a falta de passeios dos cães, dizendo que eles se exercitam sozinhos em ambientes grandes (no caso de cães de porte médio e grande) e até mesmo dentro de casa (no caso de cães de porte pequeno). 

Acontece que os cães não se exercitam sozinhos: precisam de estímulo para isso. Senão, passarão o tempo todo deitados e dormindo, só acumulando energia que será gasta de uma forma que não iremos gostar: latidos excessivos, destruição de objetos, comportamentos compulsivos. E caminhar é benéfico para os cães. Não melhora apenas o aspecto físico (tônus muscular, sistemas circulatório e respiratório) como melhora o aspecto emocional (proporciona sociabilização com outros cães, pessoas; estímulos através dos cheiros, do tato ao contato com superfícies diferentes; aumento do vínculo cão-tutor). 

Que tal melhorar a vida do seu cão? Afinal, nós saímos para passear, trabalhar, encontrar com os amigos. Para os cães, nós somos seu mundo. 

domingo, 28 de setembro de 2014

Dono responsável: como ser um

Fala-se muito em ser um dono responsável mas, como podemos fazer isso? Você sabe como ser responsável pelo seu cão? Claro que há varias outras coisas que lhe tornam um dono responsável, tais como passeios apenas na coleira e guia, proporcionar abrigo adequado, sociabilização, não mimar, entre tantos outros, mas aqui listo 5 passos para ser o melhor amigo do seu cão.

1. Mantenha-o longe do perigo
Acidentes acontecem, até com os mais cuidadosos. Mas um dono responsável não deixa seu cão sem supervisão dentro de um carro sob nenhuma circunstância (nem por cinco minutos!), não o deixa sozinho (dentro ou fora de casa) sem estímulo físico ou mental e o protege de situações potencialmente perigosas.

2. Usa métodos amigáveis ao educá-lo
Um dono responsável não usa métodos que causem dor, medo ou que intimidem o cão, mesmo que o adestrador diga que "é mais rápido". Uma relação baseada em respeito e confiança mútuos é conquistada usando-se uma educação positiva com o cão, ao passo que usar métodos desumanos, como coleira de choque, causa uma relação baseada em medo.

3. Consegue tempo para o cão
Um cão cansado é um cão feliz. Por outro lado, um cão entediado e pouco estimulado pode se tornar destrutivo, ansioso e, algumas vezes, agressivo. Um dono responsável arruma tempo todos os dias para proporcionar estímulos de qualquer espécie para seu cão, seja através de brinquedos e jogos interativos, de passeios ou brincadeiras com amigos caninos.

4. Mantém o cão com a saúde em dia
Uma grande parte da responsabilidade é manter o cão saudável. Você pode fazer exames de titulação de anticorpos como alternativa para o excesso de vacinação anual (meu caso), mas tenha em mente que o programa de vacinação de filhotes e o primeiro reforço anual de vacinas é imprescindível! Assim como é imprescindível vacinar se o exame de titulação der alterações. Oferecer o melhor alimento (no meu caso, Alimentação Natural) e mantê-lo livre de parasitas internos e externos também é sinal de responsabilidade perante o cão.

5. Não contribuir para a superpopulação
A castração é a maneira mais fácil de garantir de não contribuir para o problema da superpopulação. Ainda há controvérsias sobre a melhor idade para se realizar a castração, mas realizá-la, não importando quanto, é uma das decisões mais responsáveis que você fazer. Principalmente se você mora aqui no Brasil, onde o problema de animais abandonados é imenso, bem como de maus-tratos e eutanásia dos mesmos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Desamparo aprendido

Broncas em excesso
Recentemente vi um vídeo em uma rede social que mostrava um cão, já idoso, rosnando e latindo para um dos donos, enquanto estava no colo de outra pessoa. Estava visivelmente com medo. O dono, ao pegá-lo no colo, ao invés de ser mordido pelo cão (como seria de se esperar), se vê com um cão que “se entrega”, fica deitado e não tem mais reação alguma. A reação das pessoas? Riem muito. Isso me entristece por dois motivos:
1. Pessoas rindo de um animal que está visivelmente com medo e, ao invés de livrá-lo dessa situação, continuam fazendo ainda mais vezes e rindo, rindo sem parar;
2. Mostra que o cãozinho, quase certo, é educado com punições. Como isso? Essa atitude dele, de “se entregar”, de não esboçar reação alguma, ficando imóvel, de olhos muito abertos, é conhecida como desamparo aprendido. E é sobre isso que vou falar.

O que é desamparo aprendido?
É a condição na qual um animal, humanos incluídos, aprende a se comportar de forma impotente, e não muda sua resposta, mesmo quando há oportunidades de sair da situação.

Por que isso acontece?
Expressão típica
Porque o cão sempre foi repreendido, sempre usaram punição com ele, sem que ele tenha uma noção clara de o que o leva a ser repreendido. O cão, não vendo saída para a punição, se entrega. Em situações assim, cedo ou tarde, o cão para de tentar fazer qualquer coisa, por não saber qual comportamento está sendo punido, e não vê saída para mudar a situação. É como se ele sempre levasse um choque, sem saber o motivo e nada que ele fizer faz isso parar. Então ele fica lá, sem reação, porque, na cabeça dele, nada adianta. 

Qual a alternativa humana? Trabalhar com reforço positivo; dessenssibilização e contra-condicionamento; modificar o ambiente; ensinar um comportamento alternativo. Estes métodos realmente ajudam o cão a se adequar à vida na sociedade humana. 

Um cão que se encolhe perante o dono ou adestrador não está mostrando respeito: está mostrando medo. E, se ele não tiver nenhuma reação, como o pobre cão do vídeo, é um caso de desamparo aprendido. Acredite: não é saudável e nem feliz para um cão se sentir assim.